Capítulo 30: Teste de Aptidão (3)

A magia dela é telecinese? Se for isso, faz sentido ter conseguido imobilizar aquele rapaz no treino de luta. Eu consigo vencer ela? Não, é impossível agora, não iria nem conseguir chegar perto de atingi-la.

— Como todos já foram. Vamos ir para o próximo daqui a pouco — fala o Kayatos. — Mas antes irei dar um tempo para vocês descansarem.

Vejo alguns alunos se sentando no chão de terra, a maioria solta um suspiro de alívio. Um ar gelado começa a bater na minha pele, daqui a pouco irá anoitecer.

O pessoal daqui é mais forte do que pensei. Achava que esse corpo daqui era bem condicionado, mas eles têm uma força inacreditável principalmente, o Maksi. Achava que ele era apenas alguém mimado que só era confiante, por causa da sua influência. Além disso, quem é ele e sua família? Há tanta gente em volta dele, tentando o agradar. Se não é um nobre, quem é ele? O confiante é a mesma coisa, são várias pessoas reunidas ao seu redor.

O treinador volta depois de um tempo, todos os alunos se ajeitam nos seus lugares o esperando falar. — Agora vocês vão ficar lado a lado como agora, só que se objetivo é chegar ao outro lado do campo o mais rápido possível. — Ele se vira olhando para o grande espaço vazio de terra.

Uma corrida. Talvez eu vá bem nessa.

— A regra é que não pode não empurrar, ou qualquer tipo de agressão que impeça o outro de correr. — O Kayatos então sai da nossa frente e vai para atrás da gente. — Se preparem!

Quase me ajoelho no chão, ficando na posição de atletismo, os que estão ao meu redor estranham o que acabei de fazer, mas eu os ignoro e continuo na posição. É estranho fazer isso usando uma bota, não uma sapatilha de atletismo.

— Três!

Dou uma longa inspirada.

— Dois!

Ajeito minha postura e posição dos pés rapidamente.

— Um!

Solto todo o ar que segurei.

— Corram! — Kayatos grita das minhas costas.

Solto minhas mãos do chão e começo a empurrar o chão para trás com força, mantenho a cabeça baixa acelerando com total concentração, o resto do mundo fica em silêncio, meu tronco está quase paralelo ao chão, meus quadris se movem em uma velocidade absurda que chega a ser estranho, recruto todos os músculos que consigo pensar, panturrilha, quadríceps, glúteos, isquiotibiais, além de deixar o core estável, sincronizo ambos os meus braços com as pernas e acelero cada vez mais.

No momento que olho para cima, me vejo sozinho, com ninguém à minha frente, nem me acompanhando dos lados. O silêncio agora é preenchido pelos vários barulhos de passos. Tento regular minha respiração com as passadas que dou e levanto meu tronco gradativamente.

A rapidez do meu quadril agora é absurda, meus membros estão tão rápidos que chega a ser desequilibrante, já que o contato no chão é apenas por um momento e a força sendo produzida por todo meu corpo faz ser difícil se equilibrar. Cada vez que acelero ainda mais, a instabilidade aumenta. Até a velocidade dos meus braços é rápida, fazendo com que eles puxem meu corpo com seu ímpeto.

Cheguei no ápice da corrida, meus pés estão rápidos o suficiente para não ter certeza de quando eles encostam no chão. Paro de pensar nos meus músculos e deixo meu corpo correr inconscientemente. Parece até que estou voando, já que a maior parte do tempo meu corpo não encosta no chão. A paisagem fica levemente borrada, por causa que meus olhos não conseguem acompanhar toda a minha velocidade.

Falta apenas alguns metros até o final, então aumento o tamanho das passadas, já que não conseguiria manter a velocidade delas por muito tempo. Nesse momento, também dou uma espiada para trás, a distância minha do segundo é maior do que esperei, além do segundo ser o confiante. Volto minha atenção para a minha frente, as árvores de folhas laranjas estão mais perto. Meus passos também falham aos poucos, mostrando o cansaço do corpo.

Meus passos diminuem sucessivamente, mas mesmo assim continuo rápido, minha respiração também começa a ficar rápida e as pernas pesadas. Para tentar manter um pouco do ritmo, aumento mais ainda a distância entre cada passada.

Quando finalmente chego nas árvores, quase saio voando e bato nelas, entro para dentro da floresta enquanto desacelero. No momento que paro, sinto meu coração como se ele estivesse dentro da minha cabeça, até meus pulmões começam a arder e o tornozelo doer. Apoio uma das minhas mãos em uma árvore e tento retomar o fôlego, parte da minha visão fica preta por conta do esforço excessivo.

Fui o primeiro. Finalmente ganhei em algo, o Kynigos vai ficar orgulhoso disso. Saio da mata com minha caixa torácica levantando e descendo, observo que boa parte dos alunos já terminaram de correr e os pouquíssimos que não terminaram estão na fase final. Alguns me olham ofegante, sentados no chão ou com as mãos nos joelhos, seus olhares são mistos entre inveja e respeito.

Me exauri completamente hoje, sem energia para fazer mais nada. Olho para o casaco branco que a Matys me deu, ainda bem que não suei muito, retiro ele antes que o suje de suor. A minha roupa que está embaixo dele é completamente preta, as longas calças e a camisa, como o casaco é longo com a parte de baixo aberto, igual um windbreaker, só dava para ver as calças. Enrolo ele com rapidez e o fico segurando no meu braço. No momento que o tiro, meu corpo começa a suar um pouco, fazendo uma parte da camisa preta ficar molhada. O vento frio, diminui a temperatura do meu corpo, então não suo por muito tempo.

Com todos tendo terminado, vejo o treinador andando lentamente para a gente. Ele demora para chegar aqui, nesse tempo, minha frequência cardíaca e respiração se normalizam, mas os outros até agora estão ofegantes. Com o Kayatos na nossa frente, ele começa a falar. — Descansem agora, quando se recuperarem, entrem na floresta procurando por lenha. — Terminando de nos ordenar, o Kayatos anda até a cabana.

Já que voltei ao meu estado normal, entro na floresta sozinho obedecendo a ordem do treinador. Ando pela mata sem ir pela trilha explorando o lugar, é o mesmo estilo de vegetação daquele bosque que fiquei escondido, a única diferença é que é outono.

Sinto um aperto no peito e me ajoelho no chão. — Fingir que nada aconteceu não muda o passado, você sabe disso. Não adianta ignorar. — O barulho de tiro passa pela minha mente, sinto uma pressão nas minhas mãos, como se alguém estivesse a segurando com força com medo de algo. Minha respiração fica errática e a temperatura do meu corpo cai bruscamente, por isso, começo a tremer, o frio do meu corpo é igual ao de um morto, um cadáver. Abraço o casaco que a Matys fez, então o aperto do peito diminui e me levanto.

Preciso ver onde tem lenha, levo meus olhos ao redor do chão procurando galhos secos, vejo alguns e os carrego na outra mão que não segura o casaco. Ando decorando o caminho de volta. Ocupo minha mente na paisagem e tentando achar mais lenha. Galhos no chão tem vários, mas é difícil achar um seco, às vezes pego um que não está tão seco só para ter algo para levar. Depois de um tempo procurando, acho vários, então preciso os segurar usando o braço inteiro, em vez do só a mão. Com a quantidade de alunos, vai ter muita lenha, então não preciso me preocupar em pegar até não ter mais espaço onde segurar.

A velocidade que corri antes foi insana. A força e explosão que tenho nas pernas é de outro nível, se eu treinar para as deixá-las mais fortes, até onde eu vou? Esse corpo tem um talento incrível, ambidestro, força descomunal, reflexos ótimos, além dos sentidos melhorados. Quem são os pais desse garoto e por que ele morreu? Bem, vai demorar bastante para ter essas respostas.

Enquanto procuro pela lenha, ouço alguns passos vindo de trás, me viro e olho para o dono do barulho. É o confiante andando com um sorriso no rosto, sozinho carregando alguns galhos no braço. — Ei! — Ele levanta uma das mãos me chamando.

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