Capítulo 48: Primeira Competição (4)

No momento em que a Demcis responde com um “não”, o grupo de lança avança contra nós. Eles, em vez de, estocar a lança, o que nos mataria, usa como uma lâmina e nos ataca de cima para baixo.

Vejo o que decidiu me atacar fazer esse movimento de corte, então coloco minhas mãos no casaco e me movo minimamente para o lado. A lança passa a poucos centímetros do meu corpo. Preciso economizar energia, já estou fraco desde a última luta.

Como a lança não me atinge e passa direto, ela bate no chão, que faz subir terra. Piso nela, a quebrando no meio. O atacante fica perdido sem saber o que fazer com o pedaço que sobra.

Olho para o lado e vejo que a maga não se esquivou nem defendeu, já que tem uma lança descansado sobre seu ombro e, mesmo assim, a menina continua a ler seu livro.

Foco no da minha frente e ando até ele. O menino joga o pedaço que sobrou da sua lança no chão e avança contra mim correndo. Tenho que terminar em um ataque, não posso desperdiçar minha energia.

Assim que ele chega perto o suficiente, chuto seus órgãos genitais.

O grito de dor que ele solta espanta a todos, então param de lutar para o ver se contorcendo no chão enquanto segura suas calças. O único que não se importa com ele é o Temmos, que aproveita a chance, já que seu inimigo se distraiu.

A Demcis derrota sua oponente, que eu não vi como ela fez isso e anda até aquele que tentou incitar a Hecatis a lutar e não conseguiu nem fazer ela tirar os olhos do livro.

Antes da Demcis chegar nele, esse menino estoca contra o livro da maga, felizmente, ela o move para cima, fazendo a lança errar o alvo. A Hecatis tira uma mão da sua túnica e pega na ponta da lança dele. Ele olha para ela estranhamente, então a menina levanta ele do chão usando uma mão e o joga para longe, atingindo uma árvore no caminho.

A Demcis para seus passos e fica impressionada pelo o que acabou de ver, como eu também.

— Você disse que não podia usar magia — pergunta a menina correndo até a maga.

— Eu não usei magia.

O Temmos aparece ao nosso lado e fala: — Controladores de Mana tem o físico superior ao normal, mesmo aqueles que não se especializaram em aura. Já que a mana age diferente em seus corpos.

— Ohhh! — exclama a Demcis. — Que foda!

— Você sabia sobre isso? — pergunto para o Temmos.

— É conhecimento básico.

— Entendo.

Olho para os corpos desmaiados no chão e falo para pregarmos as lanças deles. Cada um fica com uma, menos a maga.

Aquele rapaz falou que o Maksi mandou seus capangas, caso me vissem, me atacar. Não entendo de onde vem esse ódio dele… literalmente, só esbarrei nele. Será que tem algum motivo para isso? Ele se sentiu intimidado? Bem, como a Demcis falou, é melhor achar algum fato, para não fazer milhares de suposições inúteis.

Voltamos a caminhar até chegar no rio. Onde paramos na margem dele, em uma parte em que ele é estreito e dá para o atravessar. — Não quero entrar aí — fala a Demcis enquanto olha hesitante para a água turva com gelo boiando.

— Só não entrar — fala o Temmos. Ele retira sua roupa, anda tranquilamente para a água e mergulha no rio.

Retiro meu casaco e entro na água, levantando um braço para não sujá-lo. Sinto a água fria entrar nas minhas botas e depois subir pelas pernas, mas ignoro isso e continuo.

— Malucos — resmunga a Demcis, só que logo depois ela entra enquanto segura o mapa fora da água.

A maga faz seu livro flutuar e entra dentro d’água. Fico observando o livro voando sem ninguém segurar, até que chegamos na margem do outro lado.

Ando até uma árvore e penduro meu casaco em um galho, então tiro minha camisa e a torço, fazendo a água sair. Olho para frente e vejo a Demcis tremendo e resmungando palavras desconhecidas. Visto meu casaco e voltamos a seguir o caminho.

— É por aqui — dentro da floresta, a Demcis fala.

Olho ao redor procurando a bandeira, até que o Temmos nos chama e aponta para algo. A bandeira. Ela é branca e triangular.

— Finalmente — a Demcis se abaixa e pega a bandeira fincada no chão. — Agora é só voltar.

Assim como ela falou, nós voltamos e atravessamos a água, mas no caminho ao lado do rio, encontramos um grupo. Não um grupo de quatro pessoas, mas um grupo grande. O do Maksi. Ele para e me vê. Nos encaramos por uns segundos, até que seus olhos se movem para o lado, onde a Demcis segura a bandeira, depois volta a me olhar. Com apenas um movimento de mão, todos do grupo dele avançam contra nós.

Sem nem pensar em tentar atacar eles, corro. Os três seguem atrás de mim. — Demcis, me dá a bandeira. — Estico a mão para trás enquanto corro.

— Você não está ferido? — ela pergunta.

— Depois de entrar no rio, já me recuperei bastante. Esse corpo é bom.

Ela hesita, porém me entrega a bandeira. — Se dividam — eu falo.

Os três entram para a floresta e eu sigo correndo na beira do rio, assim que eles desaparecem nas árvores, acelero a minha velocidade. Olho para trás e vejo o Maksi me perseguindo com mais três alunos.

Não vai dar para enfrentar eles de frente agora, principalmente, porque o Maksi está com eles, como também não posso correr para sempre. Preciso achar um plano. Algum jeito de despistar eles ou os imobilizar. Tenho o rio do meu lado e as árvores do outro, mas não dá para utilizar eles, pelo menos, não consigo pensar em como.

Olho de novo para trás e vejo eles chegando cada vez mais perto. O rio nessa parte já se expandiu, não vai dar para atravessar ele agora, além de que a água está forte. Tenho que usar de algum jeito a lança que peguei daqueles alunos… ela sozinha não vai adiantar para enfrentar eles.

Com meu cérebro analisando a situação como um todo, o terreno, a força dele, o quanto de resistência me sobrou, como utilizar as ferramentas que tenho, tento pensar em algum jeito de me safar dessa situação com a bandeira.

Não me importo de perdê-la aqui, mas a Demcis e o Temmos confiaram em mim para garantir que ela volte, além de que eles se esforçaram para conseguir ela. Principalmente o Temmos, que me ajudou quando fui nocauteado na briga.

Me agacho no chão, pego algumas pedras da margem e me viro repentinamente para a floresta. Pulo os arbustos e desvio das árvores em alta velocidade. Até que pulo, me arrasto no chão e me escondo atrás do troncos e raízes de uma árvore.

Paro minha respiração e torço para que eles sigam em frente. Ouço os passos deles, mas logo param.

— Não consigo mais ouvir ele, nem ver. Ele deve ter se escondido aqui — uma voz feminina fala.

— Certo. Procurem o demônio! — o Maksi fala.

Seguro a lança de madeira ao lado do meu corpo enquanto fico sentado entre as raízes. Ouço os passos lentos deles nos gravetos e folhas.

Mantenho minha cabeça para o lado para ver se consigo ouvir melhor eles.

Meu coração ainda está acelerado devido a corrida. Tento não respirar, mesmo com o coração frenético.

Me levanto lentamente do chão, porém quando faço isso, piso em uma folha, e ela faz um pequeno barulho.

Os passos deles param.

Depois de um tempo eles andam, mas vindo nessa direção. Olho ao redor e tento achar uma solução, para cima, para o lado, até para baixo. Até que tenho uma ideia.

Pendurado na árvore, segurando a lança com minha boca, escondido entre as folhas, os quatros, incluindo o Maksi, passa por debaixo de mim. Eles, em silêncio, movem suas cabeças me procurando, como caçadores.

Desde o início, segurei a minha respiração, mas agora, até meu coração diminuiu a velocidade que ele bate. Meu corpo fica frio ao ver eles tão perto e, mesmo assim, não conseguindo me perceber.

Minha mão começa a suar ao ficar agarrado na árvore, assim como minha testa. O suor percorre do meu cabelo ao queixo, fazendo o trajeto em que ele passa coçar.

As pedras. Lentamente, movo minha mão para o bolso, sem fazer nenhum movimento brusco que possa fazer os galhos balançarem, ou qualquer outro barulho. Assim que pego uma, jogo em uma distância considerável.

Ouço o barulho da pedra no chão, e eles também. Maksi faz um sinal com a mão e dois dos capangas vão até onde a pedra caiu.

O suor da minha mão se intensifica e começo a escorregar pela árvore. Como minha energia e força se esgotaram, meus músculos tremem ao me segurar na árvore.

Percebendo que não estou aqui, Maksi e o que está com ele, se afastam dessa árvore. Assim que eles saem, desço suavemente da árvore e encosto meus pés nas raízes, em vez do chão, já que eu poderia pisar nas folhas ou galhos e, então, fazer barulho.

— Eu sei que você está aqui, seu merda! Apareça.

Com o grito de raiva do Maksi, tento ouvir onde estão todos, já que eles estão separados e um pode me ver, mas, Infelizmente, devido ao zumbido irritante, que até agora não passou, não consigo ouvir os passos de ninguém.

Vejo alguém saindo das árvores e me abaixo. Pego umas das pedras no bolso e seguro com força na minha mão, então miro nele e a jogo. A pedra voa e acerta a sua cabeça. Ele fica desnorteado e sua cabeça sangra.

Estou a alguns metros dele, mesmo assim, corro para ele com a lança na mão, não me importando em fazer barulho, ou alertar o Maksi. Felizmente, ele não consegue me perceber. Quando fico perto o suficiente para ele me ver, soco o seu queixo, fazendo ele desmaiar no mesmo momento.

Ouço passos frenéticos vindo até mim, então volto a me esconder entre as raízes das árvores. Eles não me viram?

— Apareça!

Pego uma pedra e jogo em outra direção.

— Você acha que vou cair de novo nesse truque idiota‽

Em pé, escondido em uma árvore, de costas para a mesma, me viro para olhar o Maksi. Ele está andando de um lado para o outro com raiva. Olho para a lança de madeira na minha mão e depois para ele. Aqui deve ter algum mago com magia de cura, se não, proibiriam qualquer golpe fatal ou o uso de armas.

Me desencosto da árvore, me inclino para trás e jogo a lança no Maksi. Ela voa cortando o ar até que chega até ele, mas o Maksi se inclina para trás e a lança passa direto. Ele olha para mim e começa a sorrir. — Agora você não foge mais. — É o que esse dele sorriso diz.

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