Capítulo 53: Reiterando Os Planos

O treinador para na frente da multidão de alunos em fila. O lugar está silencioso. Alguns professores ficam na frente em cada fila de alunos segurando uns objetos.

O treinador sorri e fala: — Como a competição já começou, vou explicar as regras, cada aluno vai receber um totem desse, que tem sinais sinalizando o grupo que pertencem. As regras são simples e fáceis de entender. Quando todos os totens forem pegos, a competição termina. Aqueles que conseguirem mais totens, ganham. Quem tiver seu totem pego é desclassificado e perde todos os totens que conseguiu. O totem não pode sair da área do seu corpo, se eu descobrir alguém que quebrar essa última regra, vai sofrer uma punição, e eu vou descobrir, então nem pensem nisso.

Ele pega o objeto de madeira e nos mostra como ele.

— Não há tempo limite. Então, levem o tempo que quiserem até pegar todos os totens.

Os professores andam entre as filas entregando os totens. Os alunos ficam parados analisando eles e seus formatos.

O professor fica na minha frente e me entrega um totem, mas assim que meus dedos o agarram, começo a correr a toda velocidade até dentro da floresta. Não olho para trás e apenas sigo para frente.

“Como a competição já começou”, se eu não tivesse gastado minha moeda para comprar informações com um professor, não iria perceber essa deixa que o treinador falou. Provavelmente já devem ter percebido isso e uma confusão está rolando lá.

Percebo que chego no lugar que falamos para encontrarmos, então me sento em um tronco de madeira caído. Depois de alguns minutos, a Demcis chega, logo após o Temmos, o grupo do Rahiq e o Dilliam com o pessoal seleto do seu grupo.

— No momento em que você saiu — a Demcis fala —, Alguns perceberam a situação e também correram. Foi engraçado demais. Aqueles que não entenderam nada ficaram boiando e tiveram seus totens roubados. E quando os professores entregavam os totens… — A Demcis começa a rir. — Pareciam que estavam fugindo de algum tipo de monstro vindo das profundezas do mundo. Os rostos deles ficaram branco. E.. — Ela ri de novo.

Seu riso contagia a todos e o lugar é preenchido por risadas.

A Demcis respira um pouco. — Ai minha barriga…. essa situação foi maravilhoso. Mas vamos voltar ao assunto antes que o Morrigan me bata.

— Obrigado — eu falo. — Então, o pessoal do Dilliam vai nos arranjar alguns totens. Felizmente, ou infelizmente, os totens vão ser monopolizados de um jeito ou de outro, já que o treinador não deu limite de tempo e isso facilita caçar todos os alunos. Recapitulando…

Faço dois riscos com os dedos no chão.

… os totens vão estar na mãos do grupo de Dilliam e do Maksi. No início, vai ser a briga entre os grupos pequenos, mas, enquanto o tempo continuar, os dois grandes grupos vão engolir esses pequenos. E vai nesse momento que a briga principal vai acontecer. Nosso objetivo vai ser ir atrás do Maksi e pegar seu totem, assim deixando o comandante deles fora da batalha. Isso é só um dos objetivos. Tem grandes chances dessa competição durar mais de um dia, então já fiz meus preparos. Vamos contar que alguém tenha gastado sua moeda e que o Maksi já tenha se preparado também.

Me levanto do tronco de madeira e começo a explicar o plano resumidamente para eles enquanto gesticulo.

— O Maksi tem mais pessoal sobre seu comando que nós, então falei para o Dilliam falar para formar poucos grupos, mas grandes e irem atacar os pequenos grupos do Maksi, para podermos superar a vantagem numérica dele. Um dos problemas é a comida, mas isso cada grupo vai ter que arranjar por conta própria, já que não podemos fazer muito por isso. Outro problema é a comunicação, porque estamos em uma floresta e não temos comos nos comunicar visualmente, então precisaremos de um grupo especial e pequeno que fará esse papel.

Aponto para o grupo do Rahiq, quem balançam a cabeça para mim.

— Organizar isso vai ser difícil, mas daremos um jeito. Os equipamentos ainda são inúteis nessa parte do CT, então desconsideraremos isso para a nossa parte, mas há pequenas chances do Maksi tenha equipado seu pessoal, mesmo que com lanças feitas a mão. Assim sendo, falamos para o nosso pessoal agir na surdina e usar ataques surpresas, aproveitando esse terreno cheio de árvores com raízes gigantes.

Me ajoelho no chão e faço um desenho na terra.

— Consigo me lembrar do mapa desse lugar desde a última competição. Mesmo ele não sendo preciso, é o que temos. Então, lembrei de lugares estratégicos em lugares em volta do rio e deixei algumas unidades lá para vigiar quando alguém for buscar água e seguir eles para atacar ou ir ao suposto acampamento que o Maksi possa construir. Como também instruí a todos só irem buscar água à noite e sem usar tochas.

Vejo o desenho do mapa do CT e marco para alguns lugares.

— Esses pontos será onde ficará nosso QG, vamos nos mover entre esses pontos para que nossa posição não seja vazada. Algumas pessoas sabem de um, mas não sabem de outro, e vice versa. Não temos como saber quem pode vazar algo. Por isso, os únicos que sabem sobre eles são nós e vocês, os responsáveis pela comunicação entre o QG e os alunos.

Olho para o grupo do Rahiq.

O papel deles é de extrema importância. Sem eles, é como se eu tivesse que ver sem nenhuma luz para entrar na minha rotina. Eu teria que fazer milhares de previsões completamente erradas. Um fato vale mais que mil previsões. Devido a isso, tenho que destacar a importância desse papel para eles.

— Outra questão é onde guardaremos os totens; separei esses locais…

Aponto no mapa.

… os únicos que sabem sobre esses locais somos nós. Os responsáveis para guardar os totens vão ser, novamente, vocês.

O grupo do Rahiq.

Esse foi um dos motivos para eu ter ido abordar eles. Eu poderia contar com os capangas do Dilliam, já que seriam bem mais confiáveis do que um grupo aleatório, mas eles seriam os capangas do Dilliam.

— Aqueles que vão ficar transitando entre o QG vai ser eu e o Dilliam com seu grupo. Temmos e a Demcis vão ficar livres até o momento em que a batalha principal acontecer, onde eles terão um papel especial. Enquanto isso, eles podem fazer o que quiserem, desde que não percam seus totens.

O Temmos não aceitaria qualquer outro papel que não seja batalhar, então, devido a isso, deixei ele livre. A Demcis é uma caçadora, ela vai ajudar mais fora da parte estratégica, além de que, não há ninguém consiga pegá-la em uma floresta. Bem, esse é o papel dela que expliquei anteriormente pata eles, só que vai cuidar de vigiar o grupo do Rahiq para certificar que eles não estão nos enganando.

— Esse é o básico que precisam relembrar, os detalhes já expliquei anteriormente. Lembrando, iremos prever que o Maksi já tenha feito os mesmo preparativos que nós, ou até mais, tenham cuidado.

Todos se levantam e começam a exercer seus papéis, ficando só eu, o Dilliam e o seu grupo.

 

 

 


 

 

 

Corro com o bastão em mãos pelas árvores. Passo rapidamente por elas enquanto procuro pessoas para ganhar os totens.

O Morrigan pensou nesse plano sozinho? Isso é impressionante. Ele tem um grande pontencial. Acho que posso escolher ele… Quando treino com o Morrigan, seu foco e velocidade de aprendizado me assusta, principalmente seu foco, parece que ele entra em um mundo completamente diferente. E o jeito que aprende também é anormal. Ele é como uma esponja, consegue absorver tudo que ensino com uma velocidade absurda e logo após consegue replicar os movimentos quase que perfeitamente. Além de que, sempre no próximo treino, ele praticamente já dominou o que ensinei no dia anterior, não sei se fica treinando a noite toda para isso.

Ouço vozes enquanto corro, então paro e tento achar de onde vem essas vozes. Ando entre as árvores e acho um grupo andando e conversando tranquilamente. Saio das árvores e eles me percebem. Se agrupam para me enfrentar, mas percebem que sou só um e relaxam.

Corro até eles com o bastão sem dizer nada. Acerto o bastão na cabeça de um que não conseguiu reagir rápido o suficiente, depois viro meu corpo ao mesmo tempo em que folgo o aperto e fazendo minha mão deslizar até o final do bastão. Assim, acerto outro garoto que também não consegue se esquivar.

Volto a posição inicial da minha mão e avanço contra outro. Giro o bastão ao redor do meu corpo e tento bater em outro alunos, porém, dessa vez consegue se esquivar.

Giro de novo meu corpo enquanto dou um passo para frente e, usando a inércia, acerto esse aluno que se esquivou. Olho para o que sobrou e ele me encara.

Ele começa a fugir, mas me inclino para trás e jogo o bastão na nuca dele como se fosse uma lança, assim sendo, ele cai no chão.

Pego os totens deles e volto a correr pela floresta. Andar relaxados no meio de uma competição onde temos que caçar uns aos outros.

Sigh…

Idiotas.

Shiii!

Paro de correr.

Uma pedra passa cortando o ar na minha frente. Olho para a direção de onde ela veio e não vejo ninguém.

Shiii!

Outra vem do outro lado e eu acerto ela com o bastão. São pelo menos dois, então deve ser um grupo. Provavelmente, tem mais dois e estou cercado entre eles.

Shiii!

Viro minha cabeça de onde a pedra veio e ela passa a poucos centímetros do meu rosto. Começo a correr nessa direção. Ouço o barulho de mato sendo mexido onde corro até.

Três pedras voam, mas nenhuma me acerta. Quando chego no lugar de onde veio a pedra, olho para um aluno deitado no chão com um olhar de espanto.

Me atacar com pedrinhas? É sério? Podiam fazer tantos momentos diferentes, mas decidiram me atacar com pedras? Atacar ao mesmo tempo funcionaria melhor que isso. Não acho que eles me derrotariam, porém seria menos vergonhoso que isso. É até uma humilhação para mim. Eles acharam que sou mesmo idiota o suficiente para perder por algumas pedrinhas. Se fosse o Morrigan, ele pelo menos teria alguma estratégia para acompanhar isso, não tentaria derrotar alguém usando pedras. Eles não sabem pensar? Só precisa de senso comum, e eu acho que isso não é difícil de se ter.

Bato com o bastão de qualquer jeito na cabeça dele e o aluno desmaia. Pego seu totem e caço os outros três. Quando consigo capturar eles depois de uma longa perseguição, volto a procurar mais totens.

Continuo a caçar, quer dizer, procurar mais totens, até que meus bolsos ficam cheios e guardo eles nos lugares que o Morrigan fez. Os guardo com cuidado para que ninguém me veja fazendo isso e assim volto a ir atrás dos alunos.

Esse plano que o Morrigan fez, não acho que seria necessário tanta complexidade. Mas entendo a importância dele e eu só preciso fazer o que me mandam fazer. Nada mais. O Morrigan sabe que não quero ficar cuidando desses assuntos estratégicos, então me dispersou até que eu seja necessário. Ficar cuidando disso não é meu estilo, além de que, isso não me ajudaria a melhorar fisicamente. Lutar frente a frente com os alunos, mesmo parte deles sendo fracos, me ajuda a ficar mais forte, pelo menos um pouco. Ele me conhece a pouco tempo, porém sabe o que preciso e quero fazer.

Se eu quisesse ter algum comandante mandando sobre mim, seria alguém como o Morrigan. Ele não é alguém só teórico e que observa de longe e também sabe os papéis para cada pessoa. Ele é inteligente e forte, vai ter um grande futuro pela frente, também se esforça. O único problema é seu olhar. O Morrigan não tem ambição. Ele engrenou depois da última competição, mas ainda não tem um ambição forte. Isso pode frear seu desenvolvimento se ele não achar algo para perseguir. Infelizmente, isso não posso ajudá-lo, já que precisa achar sua ambição por conta própria.

Shiii!

Uma pedra passa voando por mim.

É sério? De novo? Esse pessoal tem merda na cabeça?

Olho para onde veio a pedra com ódio.

Ouço um grito de medo de onde olhei.

 

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