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12 de Julho

Raios do céu caíam como flores de pétalas sobre o parque panorâmico de Hill City, banhado pela glória dourada do sol. 

Eles brilhavam como pinceladas quentes que coloriam de forma vibrante e habilidosa as brincadeiras exultantes das crianças, transformando o ambiente em um quadro em movimento.

Benjamin se movia entre os cantos alegres do parque infantil com a graça de uma folha em uma pequena brisa. 

Seu cabelo, despenteado em uma dança que combinava com o espírito do vento alegre, impregnava-o de um espírito de liberdade e leveza que permeava o riso de todas as crianças misturando-se ao suave farfalhar das folhas das árvores. 

Haviam crianças de pés descalços que sentiam a grama macia sob eles, como tapetes verdejantes estendidos para receber os aventureiros ousados.

Ele voltou à garota, uma amiga, que estava sentada em um banco antigo, com os olhos fixos no horizonte. 

Pele clara, seus cabelos castanhos emitiam um brilho tênue ao caírem em ondas suaves sobre seus ombros, capturando os raios de sol, e era adornado com uma coroa de flores minúsculas e vibrantes, que realçavam seu charme inato.

Ela estava usando um vestido que dançava ao ritmo do vento e uma pulseira de contas coloridas adornava seu pulso.

Benjamin se aproximou, uma sombra brincando em seus olhos enquanto observava a amiga.

— O que você está pensando, Amy? — ele perguntou, chutando levemente uma pedrinha no caminho.

Amy suspirou, seus olhos se encontrando com os dele. 

— Eu estava pensando no que seria ser uma princesa em perigo, sabia? Com um dragão feroz me mantendo prisioneira em uma torre alta.

Benjamin arqueou as sobrancelhas. 

— Dragões de verdade ou dragões imaginários?

Amy riu, uma risada que soava como sinos de vento. 

— Dragões imaginários, é claro! Os de verdade são assustadores demais. Mas, sabe, eu sempre sonhei que um herói corajoso viria me salvar.

Benjamin sorriu, sua imaginação já começando a borbulhar. 

— Um herói? Tipo, com uma espada brilhante e capa?

— Sim, sim! — Amy exclamou, os olhos brilhando. — E ele seria incrivelmente forte e corajoso. Como o Capitão Justiça!

— O Capitão Justiça? — Benjamin riu. — Nunca ouvi falar dele.

— É porque ele é o herói que eu inventei. — Amy deu uma piscadinha. — Ele é corajoso, inteligente e sempre aparece quando você mais precisa. Ele enfrenta dragões, bruxas más e, é claro, resgata princesas em apuros.

Benjamin se aproximou, olhando-a fixamente. 

— Sabe, uh… — ele hesitou brevemente, com um rubor de timidez colorindo suas bochechas. — E-eu posso ser o Capitão Justiça… Ser o herói que você está esperando.

Os olhos de Amy se iluminaram com uma chama animada. 

— Você faria isso por mim?

— C-claro! — abrandando o constrangimento, estufou o peito, assumindo uma pose heróica. — Nenhum dragão será páreo para mim, e nenhuma torre será alta demais.

Ele sorriu docilmente.

— Vou te resgatar sempre que precisar, Amy.

A menina, com os olhos brilhando como pérolas à luz do dia, sentiu-se envolvida por uma mistura de prazer e gratidão. 

Sua risada ecoou suave como uma brisa carinhosa.

— Capitão Justiça, meu herói favorito. — brincou, sorrindo graciosamente de volta. — Agora sei que estou segura.

Nesse meio tempo, o parque estava envolto em uma suave tranquilidade, enquanto Amy, perdida em uma divertida brincadeira de faz de conta com Benjamin, ouvia a voz distante de sua mãe reverberando pelo local.

— Amy, querida, está na hora de voltar para casa.

Os olhos dela encontraram os de Benjamin, compartilhando um olhar momentâneo de compreensão. 

Era o momento inevitável de despedida, um intervalo na magia que compartilhavam.

— Tenho que ir, Ben. — disse ela, uma sombra de melancolia tocando seu sorriso radiante.

Benjamin assentiu, sorrindo, mas seus olhos revelavam um relutante adeus. 

— Até amanhã, então?

— Sem falta. — prometeu.

Com seus olhos compassivos expressando o conhecimento de uma mãe que entende a natureza fugaz da infância, esperou por ela pacientemente ao lado de uma árvore.

Mas o parque pareceu murchar um pouco quando ela se foi, como se o entusiasmo contagiante de Amy o tivesse nutrido e o estivesse levando com ela.


9 de Agosto.

Ela não voltou no outro dia.

A promessa que carregava consigo tinha inevitabilidade do tempo e das obrigações familiares.

Desde o dia em que se separou da única pessoa que foi sua melhor amiga por tanto tempo, a solidão tem sido a companheira mais dedicada de Benjamin. 

As cores vivas que antes preenchiam sua vida foram obscurecidas pelo peso da mesmice, que pairava sobre ele como uma sombra espessa.

Todos os dias eram um ciclo interminável de apatia, com as horas passando lentamente como prisioneiros em um relógio que insistia em contar as horas como um cortejo fúnebre. 

E em meio a um abrasador dia de verão, o calor inclemente pairava no ar, envolvendo tudo em um abraço sufocante. 

O tédio que acompanhava esse clima opressivo se tornava mais do que um mero desconforto; ele se transformava em um veneno sensível, infiltrando-se nos recantos da mente. 

Na casa onde a criança residia, ele se encontrava em um estado de inércia, deitado de cabeça para baixo no sofá, com as pernas apoiadas no encosto. 

Seus cabelos e olhos castanhos contrastavam com a pele clara, na qual as gotas de suor se formavam na testa, deslizando preguiçosamente. 

A brisa que entrava pelas janelas abertas não era suficiente para amenizar o calor, deixando-o imerso em um desconforto quase palpável.

Sem muita ocupação em vista, ou mesmo interesse em encontrar uma, ele permitiu que sua atenção fosse dominada pelos eventos que piscavam no canal de notícias logo após o término do episódio de seu desenho favorito, A Odisseia de Ruth, acabou. 

Um acidente de carro horrível, o som angustiante de uma criança chorando, um massacre escolar chocante, a ascensão de um grupo fora da lei ameaçador, as conjecturas sobre possíveis invasões alemãs, as infestações do sobrenatural — tudo isso se desenrolava diante dele. 

Pensamentos de sobrecarga começaram a se formar em sua mente: 

“Isso é chato demais…”

Benjamin sempre foi emocionalmente letárgico, flutuando em dias difíceis em um mar de carências. 

Sempre que se percebia olhando para o horizonte, observava nuvens distantes e plácidas.

Um bocejo cansado escapou dos seus lábios enquanto seu corpo se esticava involuntariamente, e então, em um instante, ele se encontrava no chão com a cabeça latejando de dor.

— Argh!

A dor aguda o atingiu com força, fazendo-o esfregar o local do impacto com a mão. O som do tombo não passou despercebido pela mãe, que se apressou para a sala para verificar o ocorrido.

— Está tudo bem, Benjamin?

Aos 26 anos, ela permanecia desempregada, mas carregava consigo o sonho de um dia partir para a cidade grande. 

Seus olhos gentis e determinados eram de uma jovem mãe que sempre imaginou uma vida de casamento e maternidade.

— Ah… sim, não foi nada. — mentiu, forçando um sorriso.

A mãe, porém, percebeu o tipo de conteúdo que Benjamin vinha assistindo durante a tarde, e aquilo a perturbou profundamente.

— E por que você está assistindo a essas coisas? Não são apropriadas para alguém da sua idade. — Caminhou até a TV e desligou-a. — Soube que sua amiga voltou hoje? Você deveria vê-la, faz tanto tempo desde que ela saiu dessa cidade.

Benjamin se levantou do chão, alisou sua camiseta amassada e dirigiu seu olhar para a rua através da janela. 

As palavras da mãe o fizeram refletir por um momento antes de fazer uma pergunta hesitante:

— Eu posso?

— Claro, meu filho. Desta vez vou deixar você ir. — consentiu.

— Tá… tá bom então.

Ele se dirigiu à porta, mas antes de cruzá-la, a voz da sua mãe voltou a ecoar:

— Não demore, está ouvindo?

— Sim, mãe.

Com um último aceno, Benjamin saiu pela porta, trancando-a atrás de si. 

Enquanto se afastava da casa, seus passos cheios de propósito o levavam em direção à casa de Amy, um ponto de fuga da monotonia e dos pensamentos enfadonhos que permeavam aquele abafado dia de verão.

Caminhando pelas calçadas solitárias de Hill City, Benjamin mantinha suas mãos dentro dos bolsos enquanto seu olhar se perdia nas nuvens que se espalhavam pelo límpido azul do céu. 

Apesar da aparência introvertida que emanava, ele não estava completamente sozinho, contando com a companhia tácita dela. 

Uma rara afinidade para alguém com sua natureza reclusa. 

Sua jornada tinha um destino claro e inequívoco: sua casa, uma direção ditada pelas palavras de sua mãe e o parque onde costumavam se encontrar. 

No entanto, uma voz, sussurrante e carregada de mistério, quebrou a monotonia do momento:

— Ei, garoto.

Os ouvidos de Benjamin captaram um chamado estranho, fazendo com que ele se virasse para encontrar a fonte. A voz era intrigante, uma presença invisível que desafiava sua percepção.

Quando ele se virou, as pessoas ao seu redor desapareceram, deixando para trás apenas uma figura jovem. Ele tinha cerca de 19 anos, 1,79 metro de altura, cabelos castanhos claros e olhos escuros. Usava uma jaqueta preta desabotoada sobre uma camisa branca e calça esportiva cinzenta.

Suas feições demonstravam um olhar profundo e uma compreensão aguçada do desconhecido.

Benjamin parecia ser um garoto indefeso, uma presa fácil, todavia, havia mais do que isso.

— Eu vou fazer-lhe uma oferta que você não pode recusar.

A proposta suspensa no ar parecia estranha, fora do comum. E embora seus instintos o alertasse a recuar, o olhar magnético da figura diante dele o mantinha encurralado.

— Eu… uh… não quero, senhor.

As palavras trêmulas de Benjamin eram um eco dos ensinamentos maternos: “Nunca aceite algo de desconhecidos.”

A compulsão que emanava daquele estranho olhar foi sufocante. 

Benjamin sentiu como se suas vontades estivessem sendo manipuladas, sua mente capturada por uma força invisível.

— Tem certeza?

— Agh…!

A sensação de aperto atingiu sua garganta, restringindo suas palavras. 

Ele se ajoelhou, acometido pela sensação asfixiante. 

— Tá, tá!

Aceitar parecia ser a única saída. 

A presença da figura à sua frente era inescapável.

— Então você deseja se tornar um herói desta cidade, não é?

As palavras do estranho penetraram o subconsciente de Benjamin, como se ele pudesse ler seus desejos mais profundos. 

Mesmo sem pronunciar uma palavra, Benjamin confirmou com um movimento de cabeça. 

Não havia escolha senão esta.

— Eu compreendo que sua condição não é a melhor, mas eu posso ajudá-lo.

Resistir a essa proposta, percebeu ele, poderia ser uma oportunidade única, algo que não se repetiria.

— Como assim…?

— Qual é o seu nome?

— … Benjamin Moore.

— Ah, Benjamin… Pequenas ofertas muitas vezes fazem uma grande diferença, concorda?

O sorriso que o estranho esboçou era amplo e assustador. 

Ele parecia se desprender de qualquer empatia, um ser autoabsorvido e insensível às conexões humanas. 

— Então, você me dá uma oferta proporcional à sua ambição, e eu lhe darei um retorno proporcional ao seu esforço. Parece um bom negócio, não acha?

As palavras do estranho pairavam no ar, carregadas de uma promessa perturbadora. 

Benjamin sentiu-se encurralado por essa proposta, mas antes que pudesse questionar, o tom deste mudou abruptamente.

— Para isso, você terá que ferir as pessoas mais próximas a você.

O garoto sentiu seu corpo arrepiar em pavor.

— Não! E-eu não quero fazer isso!

A proposta repulsiva estava no ar, desafiando todo o bom senso. 

Era inconcebível que alguém sensato aceitasse algo tão terrível em troca de benefícios.

— Se recusar, vou fazer você sofrer. — O tom de sua voz assumia algo mais arrepiante. — O inferno que criarei para você estará enraizado em sua pele, uma presença que se aproxima silenciosamente. Será um fardo constante em sua vida. Você não gosta de pesadelos, gosta?

Paralisado, o rosto de Benjamin refletia pânico, uma ansiedade que corrompia seu corpo e alma. Portanto, diante dessa terrível ameaça, sua resistência desmoronou, levando-o a consentir sob o olhar sombrio do adolescente.

Mas havia algo mais escondido do que o medo em jogo. Uma sensação de impotência e uma compreensão crescente de que ele estava diante de algo maior do que qualquer coisa que já tivesse enfrentado. 

O desconhecido o envolveu como um véu de escuridão, sua oferta diabólica e suas ameaças ecoando na mente de Benjamin. 

Enquanto ele lutava contra o terror que o dominava, um riso abafado escapou dos lábios do estranho. Era o eco de um pesadelo, a risada sinistra de alguém que estava além da compreensão humana.

Os dedos se estenderam, e o toque do indicador do desconhecido foi como um relâmpago que riscou o céu da mente de Benjamin. 

Uma onda avassaladora de energia invasiva percorreu suas sinapses, provocando uma transformação dramática em seu estado mental. Era como se as fundações de sua lógica estivessem sendo minadas, substituídas por um domínio alienígena que quase o transformava em um marionete controlado por uma mente distorcida. 

A agonia que essa invasão mental poderia causar era incalculável, mas algo estranho ocorreu.

O desconhecido retornou, um sorriso lúgubre gravado em seu rosto cínico e impiedoso. Seu olhar estava mergulhado em cinismo, e seus traços eram os de um mestre em manipular vidas como peças de um tabuleiro.

— Sacrifique todos aqueles da família que você ama e fortaleça a autoridade do Rei, porque realidade está em ruínas, e apenas a mão do Rei pode restaurá-la. — declarou.

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