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O rosto de Benjamin, que antes exibia um olhar vivo, havia se transformado em uma pintura desbotada com tons obscuros que sugeriam um espírito abatido.

Ele havia se transformado em uma casca oca de si mesmo e era apenas uma sombra do que fora havia se tornado. 

Sob o domínio impiedoso de uma força desconhecida, o voto solene de enfrentar seus demônios internos e não ceder ao medo desmoronou como castelos de areia.

Uma voz ecoava dentro dele, as palavras daquela premissa sombria ecoando incessantemente em sua mente. 

“Eu tenho que matar…”

Repetia como um mantra macabro, uma frase que enraizava uma vontade insidiosa em sua consciência.

Benjamin se viu diante de sua casa, aquela residência onde a ternura materna e a bondade paterna costumavam acolhê-lo. 

Mas tudo estava prestes a desmoronar. 

A fachada de amor e união estava à beira do abismo, ameaçando ceder diante da terrível verdade que Benjamin estava prestes a abraçar.

O grito de “Mãe!” escapou de seus lábios, uma aflição profunda que ressoou pelo ambiente. 

Emma correu desesperadamente até Benjamin.

O medo era intenso, uma força que ameaçava sufocar sua alma, como se as trevas dentro dele estivessem buscando emergir.

— O que aconteceu, meu filho?! — exclamou ela, sua voz ecoando angústia.

O pai, um homem com 34 anos de idade, cujo sonho de ter um carro para viagens de férias esvoaçava como uma miragem distante, se aproximou rapidamente, seu semblante exibindo ansiedade.

— Benjamin, algo aconteceu?! — ele perguntou, os olhos buscando desesperadamente por respostas. — Fale!

A encruzilhada em que Benjamin se encontrava era como estar à beira de um precipício, onde cada passo poderia levá-lo à devastadora verdade ou empurrá-lo para o abismo do desconhecido. 

O desespero que emanava dele afetava não apenas sua própria alma, mas também os corações daqueles que o amavam.

Seu corpo tremia como uma folha no vento, a intensidade de suas emoções tornando seus lábios trêmulos e incapazes de articular palavras coerentes, como se a própria gravidade do momento pressionasse contra sua garganta, sufocando suas tentativas de se expressar.

Internamente, ele debatia-se como um animal encurralado, questionando cada movimento, cada escolha. 

A verdade, uma carga pesada que ele temia revelar, pairava à beira de seus lábios, pronta para ser lançada ao mundo. 

No entanto, o medo do que se desencadearia após sua confissão o mantinha em uma corda bamba, um equilibrista oscilando entre a catástrofe e a busca desesperada por um refúgio.

— Mamãe, eu…

A coragem estava prestes a vencê-lo, sua boca prestes a abrir-se para liberar a confissão. 

Todavia, uma convulsão súbita o atravessou, torcendo-o e sufocando sua voz. 

Seu corpo cedeu sob a pressão invisível, dobrando-o de joelhos em uma postura de agonia. Uma dor aguda explodiu em sua mente, como uma faca cravada em suas sinapses, enquanto seu estômago se torcia em espasmos violentos.

A situação era um labirinto, uma armadilha ardilosa que ele não conseguia desvendar. 

A condição estabelecida pelo estranho implicava uma obediência cega, uma submissão total a um controle psíquico aterrorizante.

— Ngh… Minha cabeça… dói tanto…!

A angústia inundou os olhos de Emma quando ela olhou para seu marido em busca de ajuda, seu rosto refletindo o medo que todos compartilhavam. 

— Faz alguma coisa, Ethan!

A voz de Emma, a voz da razão em meio ao caos, era um eco de impotência diante da situação.

— Não temos como levá-lo ao hospital. Esta cidade não tem meios para cuidar dele, e nossas finanças… você sabe que não podemos arcar com isso.

A ironia cruel da pobreza lhes permitia uma autonomia relativa, mas lhes roubava recursos essenciais.

A pobreza os manteve prisioneiros de sua própria incapacidade.

— Não importa!

O comando de Emma era uma mistura de súplica e ordem, impulsionando-o a agir diante de uma situação que parecia não ter saída.

— Tá, tá! Eu… vou pedir ajuda a alguém. Por favor, me esperem aqui.

A urgência na voz desta cortava-o como uma lâmina, empurrando-o para a ação. 

Afora, buscando ajuda entre as casas vizinhas, suas palavras carregadas de desespero e pavor. 

Entretanto, os vizinhos, desconfiantes, interpretam a agitação de Ethan como um desequilíbrio mental. 

Em uma cidade onde cada um estava absorvido em suas próprias lutas, quem teria tempo para atender o apelo desesperado de um homem que agia como uma criança perdida?

— Por favor! Nosso filho está em sérios problemas, ele precisa de ajuda!

O desespero de Ethan ressoava em suas palavras enquanto ele se deparava com a indiferença das portas fechadas. 

Para um pai cujo filho está no limiar do abismo, a dor é uma ferida exposta, que corrói a cada batida ignorada na porta.

Sua jornada parecia uma via crucial, um testemunho silencioso da luta desesperada pela vida de Benjamin.

Finalmente, em sua terceira tentativa, uma porta se abriu, revelando um homem de cabelos grisalhos e um corpo envelhecido que ainda exibia a vitalidade dos anos de juventude. 

Seus olhos, apesar das rugas que os cercavam, exibiam melancolia que só a idade e a experiência poderiam conferir.

— Ah, ainda bem! — Respirou fundo, aliviado. — Preciso de ajuda para o meu filho.

— Calma, calma. Vamos por partes. Sem pressa.

Sua voz era serena, mas carregava consigo um tom de autoridade que desafiava a situação de pânico que Ethan estava enfrentando.

Ele franziu a testa, logo após dissera:

— Como assim? Meu filho está passando por isso, e você pede para eu ficar tranquilo?! — exclamou, visivelmente angustiado.

A raiva substituiu o desespero, suas palavras carregadas de frustração e impotência. 

Ele não poderia conter a onda de emoções que o inundava, a sensação de dentes rangendo e punhos cerrados explodindo do fundo de seu peito. 

A paciência estava se esgotando, e a grosseria do residente não ajudava.

Este, porém, não revidou a raiva com mais raiva. Ele reconheceu o sofrimento que emanava de Ethan, uma dor intensa que só podia ser compreendida por aqueles que já enfrentaram desafios semelhantes.

— Ah, entendi. Sinto muito por isso. Como ele está? — expressou simpatia, buscando mais informações e inclinando a cabeça para demonstrar interesse.

O pedido de desculpas, embora breve, trouxe um vislumbre de empatia à situação.

Ethan suspirou, permitindo que parte do estresse se dissipasse momentaneamente.

— Benjamin está com uma dor de cabeça terrível e, quando chegou em casa, sua pele estava mais pálida do que nunca. Isso não parece normal, não é mesmo?

O homem refletiu, com os olhos mostrando uma ponta de indecisão. Ele não era um especialista em medicina, e a incerteza pairava em sua mente. No entanto, a gravidade da situação exigia uma resposta rápida e eficaz.

Respirou fundo, preparando-se para oferecer alguma orientação.

— Traga ele até aqui.

A sugestão surpreendente fez com que Ethan arqueasse uma sobrancelha, mostrando ceticismo diante do pedido repentino.

— Espera aí, o que você pretende fazer? — questionou, cruzando os braços como sinal de preocupação.

— Quer ajuda ou não? Eu posso pegar meu carro e levá-lo até um hospital na cidade ao lado. Acho que eles podem resolver isso.

— Mas, cara, a distância… Isso vai demorar! — exclamou, gesticulando com as mãos em um sinal de impaciência.

Apesar de perceber a urgência, ele respirou fundo, tentando manter a calma.

— Eu entendo, mas é a melhor opção que temos agora. Vai dar tudo certo, eu prometo. Enquanto isso, mantenha o Benjamin confortável e, se possível, anote os sintomas dele. Isso vai ajudar quando chegarmos ao hospital.

Ethan suspirou com nervosismo, sentindo o peso da ideia em seus ombros. Ele reconheceu a gravidade da situação, embora tenha feito isso com cautela, e uma expressão resoluta surgiu em seus olhos, dizendo que estava disposto a seguir em frente com o plano sugerido, apesar de suas dúvidas.

O medo tomou conta dele e sua mente girou em um turbilhão de pensamentos. Ele estava preso a uma alternativa perigosa.

— Estou confiando em você.

— Ele é seu filho, não faria mal a ele. — Olhou-o decidido. — Não podemos nos dar ao luxo de esperar mais, cada minuto conta.

Estendeu a mão à Ethan.

— Me chamo Philip Gordon.

O mesmo correspondeu com um aperto forte.

— Ethan Moore.

— Muito bem, senhor Moore. Vá depressa.

Com firme determinação, Ethan caminhava de volta para casa. Contudo, interrompeu seu passo ao virar-se para Philip. Lançou-lhe um olhar perspicaz e, com uma ponta de desconfiança, perguntou:

— Você é daqui? — Ele levantou uma sobrancelha, como se buscasse por algo que não estava explícito nas palavras. — Acho seu sotaque e inglês um tanto distintos.

Philip, percebendo a incerteza dele, esboçou um sorriso descontraído e elucidou:

— Na realidade, cresci em outro país. Essas nuances no sotaque e no inglês são resquícios da minha terra natal.

— Ah, é? — Franziu o cenho, mantendo sua postura cautelosa. — E o que te trouxe por aqui?

Philip fez um gesto casual com as mãos, como se estivesse tentando afastar qualquer suspeita.

— Bem, a vida dá voltas, não é mesmo? Eu estava procurando por novos ares, novas experiências. E aqui estou eu, descobrindo o que esta cidade tem a oferecer.

Ethan assentiu lentamente com a cabeça, mas a preocupação permaneceu em seus olhos.

— Parece um pouco vago. — Ele inclinou a cabeça, procurando decifrar algo oculto nas palavras dele. — Você não tem outros motivos para estar aqui?

O homem manteve o sorriso, mas seus olhos demonstraram uma mistura de sinceridade e prudência.

— Foi a curiosidade genuína que me trouxe até aqui. Gosto de desbravar novos lugares, conhecer gente nova. Não tem nada de obscuro nisso.

Ethan, com passos lentos, se afastou, mantendo um olhar cético.

— Tá… entendi. Espero que esteja falando sério. Já vi coisas bem estranhas acontecerem nessa cidade.

— Pode ficar tranquilo. — Philip ergueu as mãos em sinal de paz. — Não tenho a menor intenção de arrumar confusão. Estou apenas buscando uma nova fase na vida.

Ethan deu a Philip um último olhar desconfiado por cima do ombro antes de voltar para casa. Ele o abandonou ali, deixando que as sombras insondáveis da cidade o condenassem.

Uma fragrância cruel e avassaladora atingiu as narinas de Ethan como um golpe direto no estômago assim que ele cruzou o limiar da porta. O cheiro de sangue impregnava cada centímetro do ambiente, deixando um rastro doentio e inescapável.

Perplexo, Ethan não podia simplesmente ignorar o repugnante rastro vermelho que se estendia sinistramente da cozinha. Movido por uma curiosidade temerosa, adentrou o cômodo, apenas para se deparar com uma visão horripilante.

— Não… não… — sussurrou, num lamento quase inaudível, enquanto o pânico se apossava de sua voz.

O corpo de Emma jazia estendido no chão, sua figura antes tão viva, agora imóvel e inerte. 

— Quem fez isso…?

A cruel realidade transparecia na quietude de seus membros, na palidez de sua pele. 

— Quem fez isso contigo…?

O cenário ao redor parecia congelar, como se o tempo, atordoado pela tragédia, hesitasse em avançar.

Os segundos seguintes se passaram em um turbilhão de desespero. Angustiado, Ethan tocou o rosto pálido de Emma, como se estivesse procurando algum vestígio de sua vida que estava se esvaindo. 

Entretanto, a dura realidade da morte não permitia ilusões.

As lágrimas que haviam sido reprimidas irromperam. 

Cada gota serviu como um memorial para a perda irreversível, criando uma melodia melancólica que reverberou pelos cantos desertos da casa que compartilhavam. 

O calor e a presença de Emma já haviam centralizado o universo, mas agora eram frios e indiferentes.

Ethan visualizou vislumbres do passado se materializando à sua frente, tempos agradáveis que pareciam distantes agora, como estrelas desbotadas. 

— Me desculpa…

O amor deles havia se transformado em uma lembrança que o atormentava, servindo como um lembrete constante de como a vida é efêmera.

— Você não tinha culpa de nada…

Ethan, perdido nas profundezas de sua própria culpa, continuou a desenhar os dolorosos contornos da tragédia com suas palavras afogadas em arrependimento.

— Mesmo assim… se foi.

Soluços irromperam em momentos de silêncio, testemunhas mudas da tempestade emocional que consumia Ethan.

— Quem foi…?

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Olá, eu sou o Nyck!

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