Selecione o tipo de erro abaixo

Este lugar, frequentado por pessoas em busca de novas amizades nas festas, apenas se encontram com estranhos e depois relatam as experiências. 

Diante disso, Raven havia se tornado uma observadora. 

Posicionava-se nos cantos das festas, enquanto assistia a multidão que se aglomerava, cada figura parecendo mais desagradável e estúpida que a anterior. 

Para alguns ali, o veneno da monotonia agia lentamente, a embriaguez era amarga, o remédio para tédio mais eficaz, e os pensamentos mais insanos e sentimentos intricados encontravam seu lugar. 

Uma voracidade desenfreada pairava, e os mais desvairados eram os que mais pareciam lúcidos, capazes até mesmo de acreditar que podiam voar enquanto caíam do abismo.

Cansada de permanecer de pé, Raven buscou uma cadeira desocupada onde pudesse se acomodar. 

Encontrando uma, ela suspirou profundamente, apoiando o cotovelo na mesa à sua frente e descansando a bochecha na palma da mão aberta. Seus olhos vagaram pela multidão, observando os peões nesse jogo de aparências e mistérios.

“Instigados pelo prazer, essas pessoas são capazes de fazerem tudo. Ainda são humanos ou apenas marionetes?”

Raven estudava atentamente a cena diante dela, seus olhos afiados percorrendo meticulosamente a multidão que se reunia no interior do bar. 

Estrategicamente posicionada nos cantos da festa, ela era uma observadora silenciosa de um espetáculo que parecia oscilar entre o caos e a fascinação. 

Seu olhar penetrante captava os mais sutis detalhes dos rostos dos frequentadores, capturando as nuances de emoções que variavam de sorrisos forçados a risadas quase histéricas. 

Contemplando essa tapeçaria de sentimentos humanos, ela não podia deixar de se maravilhar com a incógnita que a humanidade representava.

Em meio ao tumulto das conversas animadas e da música estrondosa, um paradoxo intrigante se desenrolava diante de seus olhos, e nisso pensou: 

“Essas pessoas parecem estar mergulhadas em uma realidade manipulada, completamente alheias ao mundo exterior e às sombras de um fim nocivo. Na verdade, qualquer que fosse o sofrimento, as preocupações e angústias são deixadas em pouco tempo, como se elas nunca tivessem existido.”

Era quase uma charada para Raven compreender como a humanidade conseguia, mesmo em meio ao caos iminente, abraçar momentos de alegria e celebração. 

Se perguntava como eram capazes de se perder nas batidas vibrantes da música, nos brindes exuberantes e nas risadas contagiantes, enquanto as ameaças desconhecidas espreitavam nas sombras do mundo exterior.

Cada pessoa que se movia na pista de dança, cada risada que ecoava pelo ar, parecia ser um ato de resistência. 

Era como se, através da dança e da alegria efervescente, as pessoas estivessem declarando ao caos lá fora que se recusavam a ser subjugadas pelo medo. 

Naquela noite, pareciam capazes de desligar-se das preocupações do mundo real, criando um breve oásis de despreocupação em meio à turbulência.

Raven entendia que essa era a forma da humanidade enfrentar a incerteza que pairava sobre eles, uma maneira de buscar força e união no meio do tumulto. 

Embora sua mente preferisse a lógica e os fatos concretos, ela não podia negar a atração quase magnética que as festas exerciam sobre as pessoas. 

Mesmo ela, uma observadora distante e cética por natureza, sentia uma pontada de inveja pela habilidade deles de encontrar momentos de felicidade mesmo nas situações mais adversas.

Enquanto as pessoas dançavam e celebravam naquela noite, Raven permanecia como uma testemunha silenciosa, sentindo uma mistura de admiração e perplexidade preenchendo seus pensamentos. 

Em meio ao caos e à incerteza, eles encontravam uma maneira de se unir e permanecer forte, mesmo que fosse apenas por um breve momento. 

Era um fenômeno que, apesar de todas as suas tentativas de análise, continuava a intrigá-la, lembrando-a de que, no cerne da natureza humana, havia sempre uma busca por alegria e uma resistência inquebrantável frente às adversidades.

— Também não é muito difícil de perceber. Enfim… — Seus olhos vagaram até o teto. — Nada disso, não é? Acho que vou aproveitar para ouvir as músicas da segunda banda.

Até que o momento da chegada deles se desse, ela teria que suportar o tédio, suportar a sensação de estar rodeada por pessoas desinteressantes. 

Essa era a realidade, e infelizmente ela não tinha escapatória.

— Boa noite, senhorita.

O homem que se aproximou dela foi hábil em dissimular qualquer sinal de surpresa ou desconforto, mas o ligeiro estreitamento de seus olhos castanhos denunciou sua reação interna. 

A voz dele, embora mantida num tom casual, carregava um eco de cautela.

O sorriso que Raven lhe lançou continha um toque sutil de malícia, como se ela estivesse escondendo o incômodo que sua presença havia causado.

— Olá. Alguma novidade?

Sua pergunta tinha um duplo sentido, e ele estava consciente disso. 

Ela estava se referindo tanto ao que ele tinha a dizer quanto à sua verdadeira intenção ao se aproximar dela. 

O recém-chegado optou por abordar apenas a primeira parte da pergunta, mantendo-se em território seguro.

— Nada muito emocionante acontecendo. Apenas uma noite comum, parece.

Raven inclinou a cabeça levemente, suas íris frias fixadas nos olhos dele. 

Ela estava ciente de que ele estava escolhendo as palavras com cuidado, e isso só aumentou sua suspeita de suas intenções. 

No entanto, em vez de confrontá-lo diretamente, ela decidiu por responder com um tom de voz que oscilava entre o sarcasmo e o desinteresse calculado:

Embora o homem tentasse disfarçar, ele não conseguia esconder completamente a inquietação que se escondia por trás de seu sorriso. Os olhos de Raven, afiados e perspicazes, penetraram em sua fachada aparentemente calma, procurando por respostas que ele hesitava em oferecer.

— Ah, entendi. Apenas uma noite comum, então. Deve ser reconfortante ter uma rotina tão previsível.  

Ela respondeu com uma leve inclinação da cabeça, mantendo o tom neutro, mas os detalhes não escaparam de sua observação meticulosa.

O sorriso do homem permaneceu, mas era como se ele estivesse travando uma batalha interna para manter as aparências. 

— E quanto a você? — perguntou ele, tentando mudar o foco. — O que o traz a esta festa?

Raven não se deixou enganar por sua tentativa de desviar o assunto. Seus olhos penetrantes permaneceram fixos nele, determinados a descobrir a verdade oculta.

— Apenas uma noite para me divertir e relaxar um pouco. Parece que você também está aqui por motivos semelhantes. 

A resposta dela, embora mantivesse uma fachada de casualidade, continha um tom sutil de desafio. 

Ela não estava disposta a se contentar com respostas superficiais, e seu interesse nas intenções do homem aumentou à medida que a conversa se desenrolava.

Raven fixou seus olhos nos dele, mantendo um momento de silêncio calculado, como se estivesse esperando por uma revelação mais franca. 

— Assuntos pendentes, você diz. Isso soa bastante genérico. — respondeu, mantendo um tom calmo, mas seu olhar penetrante sugeria que ela não se contentaria com explicações vagas.

O homem coçou a nuca nervosamente, como se estivesse procurando as palavras certas para continuar. 

— Digamos apenas que há certos problemas familiares não resolvidos, e essa festa oferece um momento de alívio temporário. — admitiu, evitando contato visual.

As questões familiares eram, por natureza, complexas e muitas vezes repletas de emoções intensas. Ela se perguntou se ele estava sendo completamente honesto ou se havia mais nuances na história.

— Eu entendo. A família pode ser complicada. — retrucou com empatia, embora ainda não estava satisfeita com a superficialidade da resposta.

O homem pareceu aliviado por compartilhar uma parte de sua história, mas a expressão de Raven permaneceu inabalável. 

Ela sabia que as festas muitas vezes serviam como máscaras para aqueles que desejavam esconder suas verdadeiras intenções e emoções.

— E quanto a você? O que o traz a essa festa, além de diversão e relaxamento? 

Ele tentou mudar o foco novamente, tentando descobrir mais sobre a enigmática mulher à sua frente.

Raven, no entanto, estava acostumada a manter suas próprias camadas de mistério. Seu sorriso sutil revelava que ela tinha seus motivos, mas não estava disposta a compartilhá-los tão facilmente.

— Às vezes é bom fugir da rotina, não é? Mas todo mundo tem seus próprios motivos. 

Ela soltou uma risada suave, mas havia uma nota de desafio em sua voz, uma sugestão de que ela não era alguém que se deixaria envolver facilmente.

O homem a estudou por um momento, sua expressão indecifrável.

— Você é boa nisso. Mantendo as coisas interessantes, mas ainda assim evasivas. — comentou ele, com um sorriso de reconhecimento.

Raven retribuiu o elogio com um aceno de cabeça.

— As respostas mais interessantes estão nas entrelinhas. 

O homem pareceu ponderar essa observação.

— Talvez. Mas eu ainda acredito que certas verdades devem ser encaradas de frente, sem rodeios. 

Raven acenou com a cabeça, reconhecendo a perspectiva dele. 

— Sempre há mais do que se vê na superfície, não é? — perguntou ele.

O clima de festa persistia ao redor deles, com música, conversas e risadas criando uma sinfonia vibrante. 

O homem se inclinou levemente em direção a Raven, cujos olhos penetrantes refletiam uma intensidade ameaçadora. 

Um sorriso sinistro dançava em seus lábios enquanto ele dizia palavras carregadas de prestígio.

— A vida das pessoas é frágil. Um único suspiro e tudo pode desmoronar. É fascinante como algumas escolhas podem levar a destinos inesperados. 

Raven ergueu as sobrancelhas, mantendo a expressão imperturbável, mas seu instinto a alertou para a gravidade por trás das palavras dele.

— E quanto a você, minha querida? Uma tragédia notável moldou sua vida, não foi? O acidente de avião, um evento tão devastador. Estou curioso para saber como uma experiência tão traumática pode transformar alguém. 

A atmosfera ao redor dele se tornou densa, carregada com a tensão de segredos não contados. 

O homem falava como se estivesse familiarizado com os cantos mais sombrios da vida de Raven, revelando conhecimentos que deveriam permanecer ocultos.

— As tragédias nos definem. Elas nos moldam de maneiras que não podemos prever. 

Ele continuou, sua voz mergulhando nas profundezas desconhecidas de suas próprias palavras.

Raven manteve a compostura, mas sua mente estava em alerta. 

“Como ele sabe disso?”, perguntou-se.

As palavras dele eram como sombras dançantes, deixando-a imaginando o que mais poderia ser revelado naquela sutil dança de palavras.

— Mas será que foi por acaso mesmo?

Raven não vacilou, mas suas palavras causaram um turbilhão de emoções em seu interior. 

Ela havia cuidadosamente encoberto o ferimento do acidente de avião, mas agora esse estranho, que parecia saber tudo sobre ela, estava a par disso.

— Saber como lidar com a tragédia é uma dádiva ou uma maldição, dependendo de sua perspectiva. Você carrega o fardo de sua tragédia como uma sombra que se estende por onde quer que vá.

— Suponho que todos nós temos nossos demônios internos, não é mesmo?

Ele sorriu sutilmente, como se estivesse compartilhando o segredo de um cúmplice. 

— E o seu, minha querida, parece ser tão fascinante quanto misterioso.

Raven resistiu à tentação de revelar qualquer fraqueza. No entanto, a presença desse homem lançou sombras sobre partes de sua vida que ela preferia manter às escuras.

“Uma isca, talvez?”, conjecturou internamente, suas percepções afiadas como lâminas. “Julgando pelo nível de perigo, deve ser isso.”

Mesmo assim, ela disse:

— Você fala por adivinhações, como se conhecesse minha vida melhor do que eu. Quem é você? Por que está tão interessado em meu passado?

Em vez de responder diretamente, o homem deu uma risada baixa, como se estivesse gostando do jogo de perguntas e respostas.

— Não estou aqui para revelar quem sou, mas para destacar as conexões que muitas vezes não percebemos.

Raven, intrigada e um pouco irritada com a evasiva deste, não desistiu.

— Conexões? Você fala como se tivesse informações privilegiadas sobre mim e minha vida. Essas supostas conexões são apenas jogos mentais?

Ele assentiu com a cabeça, com um olhar astuto nos olhos de Raven.

— Jogos mentais, talvez. Ou apenas a revelação gradual de verdades que muitas vezes preferimos esquecer. 

Raven sentiu um calafrio percorrer sua espinha. 

A sensação de que estava sendo observada e instrumentalizada, como se fosse apenas um pedaço de um jogo muito maior, a deixou inquieta. 

A necessidade de descobrir a identidade desse indivíduo se tornou uma prioridade, pois ele tocou em áreas de sua vida que ela nunca imaginou que seriam acessíveis a estranhos.

— Não brinque comigo. Quem é você? Por que decidiu se envolver em minha vida?

— Detesto dar resposta. Procure por si mesma.

Ele se afastou, satisfeito com sua provocação, desaparecendo na multidão como uma sombra que se funde à noite.

— Ei!

Dirigiu-se a ele em meio à multidão agitada, com o olhar fixo na figura enigmática que se movia habilmente entre os outros presentes.

No entanto, ela descobriu que o público tinha vontade própria e se tornou uma massa risonha que se movia e desafiava suas tentativas de controle. 

Raven, que normalmente era ágil e alerta, sentiu-se perdida em um emaranhado de corpos que se moviam, uma estranha entre estranhos.

Em razão da atmosfera frenética da festa, Raven começou a perder os sentidos. 

Perdida no caos colorido da festividade, Raven começou a se sentir inquieta. 

Antes apenas explosões de cores, as luzes pulsantes começaram a fornecer breves visões de rostos que eram reconhecidos, mas que pertenciam a pessoas falecidas. 

Era como se as pessoas dançantes que a cercavam estivessem se transformando em sombras do passado.

Ela viu vislumbres de rostos familiares, sorrisos que outrora iluminaram seu caminho e olhares que transmitiam sentimentos que agora estavam apenas em sua memória a cada cintilação de luz. 

Eles poderiam ser conhecidos, familiares ou amigos ressuscitados do passado, aparecendo na multidão como espectros.

Por uma fração de segundo, em meio aos dançarinos, estava o rosto de um velho conhecido, cuja risada ressoava em sua cabeça como um eco distante. 

“Como…?”

Ela sentiu um calafrio percorrer sua espinha quando os olhos dele se fixaram nos de Raven. Ela desapareceu na escuridão da multidão quando outra luz se acendeu.

Entre as luzes, surgiu a sombra familiar de um ente querido, cuja ausência ainda pesava em seu coração. 

“Você não deveria estar aqui…”

Raven sentiu um aperto no peito quando as lembranças da dor a invadiram. 

A visão se desvaneceu como fumaça e o brilho mudou antes que ela pudesse reagir.

Ela parecia estar cercada por um labirinto em constante mudança de luzes vibrantes, pessoas em movimento e música pulsante. 

“Isso são só coisas da minha cabeça. Só coisas da minha cabeça…”

Ela mal conseguia se concentrar, mas toda vez que tentava segui-lo, outro grupo de dançarinos aparecia ou havia uma explosão de risadas alegres.

Raven logo descobriu que havia perdido completamente de vista o homem enfático. 

A multidão havia se transformado em uma barreira intransponível do que antes era um mar de possibilidades. 

Fazendo uma breve pausa, ela se esforçou para se orientar em meio à confusão de luzes e rostos.

A agitação e o barulho da comemoração confundiram Raven, e ela começou a se sentir cada vez mais frustrada. 

Suas emoções se refletiam nas luzes pulsantes, que alternavam entre cores brilhantes e sombras profundas. Seus olhos brilhantes, antes determinados, agora revelavam um vazio mudo.

Sempre um passo à frente… mas ainda tão longe. — ela murmurou para si mesma, o eco de sua própria voz se misturando ao ritmo ensurdecedor da música.

Olá, eu sou o Nyck!

Olá, eu sou o Nyck!

Comentem e Avaliem o Capítulo! Se quiser me apoiar de alguma forma, entre em nosso Discord para conversarmos!

Clique aqui para entrar em nosso Discord ➥