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Ana encontrou em Gabriel no décimo quinto ano após o Grande Vazio, e com isso redescobriu uma força há muito esquecida, um impulso para enfrentar a vastidão de seus dias com renovada determinação.

Neste ano, ela começou a correr ao amanhecer, quando o mundo ainda jazia sob o manto da penumbra e o orvalho beijava a terra. O ar fresco da manhã acariciava seu rosto, enchendo seus pulmões com uma sensação revigorante de vida. Cada passo que ela dava ecoava na tranquilidade matinal, como batidas de tambor em uma sinfonia da natureza despertando. 

— Gabriel, o que aconteceu com minha família? — ela já sabia que não teria resposta, mas seus pés a haviam levado à antiga praça da cidade, trazendo lembranças adormecidas. Sentada nos degraus de uma fonte seca, Ana fechou os olhos e se lembrou de um dia ensolarado de verão, quando ela e sua irmã brincavam naquela mesma praça, correndo entre os jatos de água. 

A lembrança, intensa e colorida, contrasta dolorosamente com o vazio cinzento atual, trazendo lágrimas aos seus olhos, mas também um sorriso ao lembrar da felicidade simples daqueles dias. Às vezes Ana se perguntava se ele compreendia suas palavras, se era capaz de sentir a profundidade de suas emoções.

— Estranho, passei por aqui tantas vezes e nunca notei este lugar. Vamos ver o que você esconde — murmurou ela, limpando suas lágrimas ao avistar um cinema do outro lado da rua. — Sabe, Gabriel, há algo reconfortante em falar comigo mesma, eu sempre falo o que quero ouvir.


Ao se aproximar do trigésimo ano, Ana sentiu um chamado silencioso, uma necessidade de se reconectar com as raízes da vida. Foi então que ela voltou-se para a terra, buscando entender seus segredos mais profundos, mergulhando na rica tapeçaria da natureza que a cercava. Seus dedos, antes acostumados com o toque frio do concreto, agora encontravam conforto na textura macia da terra, enquanto ela começava sua jornada de descoberta e aprendizado.

— Não deve ser tão difícil, certo? — Apesar da falta de prática, ela decidiu tentar. Afinal, tempo não lhe faltava.

Com o passar dos anos, Ana transformou pedaços de terra abandonados em jardins exuberantes, onde as sementes encontravam um lar fértil para brotar e crescer. Cada flor e folha era cuidadosamente plantada, cada broto recebia amor e atenção como um presente precioso, emergindo da terra era uma promessa de renovação, uma pequena luz de esperança em um mundo marcado pela desolação. Sob seu olhar atento, os jardins floresciam em uma profusão de cores e aromas, testemunhas verdes da sua resiliência e determinação.

Oho, sou uma fazendeira lendária!”, ela orgulhosamente observava o ciclo da vida se desdobrar diante de seus olhos, cada colheita sendo um testemunho do milagre da existência. 

Ana sentiu-se cada vez mais conectada com o mundo natural. Ela aprendeu a linguagem silenciosa das plantas e do solo, compreendendo os ritmos sutis da vida que pulsa sob a superfície. Cada momento passado entre as flores e árvores era um momento de comunhão, uma troca silenciosa de energia e amor que nutria sua alma cansada.

E assim, em meio a este mundo abandonado, Ana encontrou um oásis de vida e beleza em seus jardins. Em seguida, com as mesmas mãos que aprenderam fizeram algo tão belo, ela o destruiu.

— Posso saber o motivo? Para quê gastar tanto tempo em algo que será descartado? — inesperadamente o anjo perguntou, movido pela perplexidade com as ações sem sentido de sua companheira.

— As flores murchando me deixaram com raiva… ou talvez inveja — disse em um resmungo. — Todo esse maldito jardim me deixa com raiva. Nascendo, crescendo, morrendo, e o ciclo se repete. Eu me sinto estagnada quando lembro que meu tempo não passa, até mais do que em minha vida antes do Grande Vazio!

— Eu entendo — Gabriel voltou a seu sereno semblante original, demonstrando abertamente o desinteresse após suprir sua curiosidade.

Ana, por outro lado, começou a arrumar suas coisas para se mudar. Ela não aguentava mais tanta “vida”.


Com o passar dos anos, Ana mergulhou cada vez mais profundamente na correnteza do tempo, permitindo-se ser levada por suas águas sem resistência. Por volta do septuagésimo terceiro ano de sua jornada solitária, ela fez uma escolha radical: abandonou os calendários e rejeitou a tirania do relógio. Em vez disso, optou por viver no eterno presente, onde cada momento era uma oportunidade para a descoberta e a criação.

Para ela, o tempo deixou de ser uma linha reta a ser seguida obedientemente e transformou-se em um vasto oceano de possibilidades, onde passado, presente e futuro se misturavam em uma dança sem fim. 

— O tempo, —  ponderou ela. — é apenas uma convenção humana, uma tentativa vã de impor ordem ao caos do universo. Mas a vida, ah, a vida transcende essas limitações, dançando livremente nos espaços entre os segundos e os minutos, entende?

Enquanto falava, ela lentamente se aproximou de Gabriel. Seu corpo parecia frágil e era um palmo mais baixo do que Ana, a obrigando a abaixar levemente para soltar seu sussurro.

— É um segredo só nosso, mas eu só não quero mais contar meus aniversários. Já sou uma senhora! — o que começou em um sussurro foi finalizado com uma alta exclamação. Seus lábios não suportaram a situação e se libertaram em uma contagiante gargalhada.

Gabriel encarou essa estranha cena com um olhar raro de preocupação. 

“Talvez ela tenha perdido a sanidade?” refletiu ele, afastando-se rapidamente da agitada garota.

— Gabriel, eu quero contar nossa história! O mundo será obrigado a apreciar minhas obras! 

A liberdade recém-descoberta ao descartar o conceito de tempo abriu as portas para uma explosão de expressão artística como nunca antes vista:

A pintura tornou-se o meio pelo qual ela podia dar voz às suas emoções mais profundas, cada pincelada um grito de liberdade, cidades imponentes transformaram-se aos poucos em deslumbrantes explosões cromáticas, com cores e formas que capturavam sua essência.

A música, por sua vez, tornou-se sua alma, cada nota ressoando em harmonia com os batimentos de seu coração, cada melodia uma expressão do seu ser mais íntimo.

— É uma pena que não tenha ninguém para ouvir — disse, descartando o violino após uma última serenata com uma carranca. Ela gostou do aprendizado, mas queria algo que perdurasse por toda parte.. 

Ana achou sua nova paixão da época na escultura, com suas formas tangíveis e suas texturas táteis, tornando-se a manifestação física de suas mais profundas emoções, cada obra uma jornada de autodescoberta e transformação.

— Agora você está eternizada neste mundo, Gabriel — Ana observava o anjo e a estátua recém completada entre dedos de cineasta, concluindo que a escultura refletia a figura perfeita do ser divino — Apesar que não acho que algum dia conseguirei reproduzir seus olhos, a estátua tem mais vida do que você! 

Em poucos anos a cidade de Ana, antes vazia, ia se enchendo de uma vivacidade mórbida. As ruas eram preenchidas com estátuas de todo tipo de pessoa. Vendedores colocando suas mercadorias em exposição, pedestres conversando e sorrindo ao atravessar a rua, crianças brincando alegremente ao redor da fonte. 

Hmmm, se você fechar levemente os olhos, parecem pessoas reais, né? — No instante em que disse isso, um arrepio passou por todo o seu corpo. — Meu deus, isso é extremamente bizarro! Você viu eu montando essa monstruosidade e não disse nada? 

Ana encarou o anjo. A todo momento dos últimos anos ela sentiu os olhos silenciosos de Gabriel observando-a. “Será que ele percebe a verdadeira profundidade do meu ser?”, às vezes, em momentos de introspecção, ela se perguntava o que ele via quando a contemplava mergulhada em sua criatividade. 

— Você é um ser estranho, trata seu esforço como um mero capricho. Mas não vou mentir, esse lugar também não me agrada — seus olhos encarando as estátuas quase reais ao seu redor .tremiam levemente

— Seu medroso! — retrucou Ana sem nem mesmo reparar no fato de que foi inesperadamente respondida. Ela tentava negar para si mesma os arrepios que sentia, mas, antes mesmo de terminar a frase, já se dirigia para seu quarto para começar a arrumar as malas.

Neste dia, se ainda existissem observadores na Terra, se veria ao longe duas garotas saindo dos portões com uma pressa incomum. Uma enigmática e perturbadoramente animada cidade de estátuas foi deixada para trás.


À medida que Ana avançava pelo terceiro século de sua existência singular, ela se metamorfoseava em algo mais do que uma simples sobrevivente. Tornou-se uma criadora, uma força da natureza por si só, moldando o mundo à sua volta com a mesma destreza com que moldava suas próprias emoções e pensamentos. Não se contentava mais em apenas existir; agora, buscava compreender os segredos mais profundos do universo, mergulhando não apenas nas paisagens físicas, mas também nos recônditos de sua própria alma.

Ela se tornou uma exploradora incansável, atravessando terras desoladas e desertas, onde as ruínas do passado ecoavam a fragilidade da vida humana e a eternidade do tempo. Cada ruína era mais do que simplesmente uma estrutura desmoronada; era um testemunho silencioso de uma era passada, uma cápsula do tempo que continha em si as memórias e os sonhos de um povo há muito desaparecido. 

Foi neste momento em que Ana aprendeu a ouvir a música da quietude, a encontrar beleza na simplicidade do vazio. Descobriu que o silêncio não era apenas a ausência de som, mas sim uma sinfonia de sutis murmúrios, uma melodia que ecoava através dos séculos. E na escuridão das noites solitárias, ela encontrou a luz da própria alma, uma chama que queimava tão brilhantemente quanto as estrelas no céu.

— Eu encontrei meu caminho — um sorriso radiante se espalhou pelo seu rosto ao perceber todo o conhecimento que ainda poderia roubar deste mundo esquecido.


No limiar do quarto século de sua jornada solitária, Ana se viu diante de uma revelação: séculos de treinamento físico dedicado haviam esculpido seu corpo em uma obra-prima de perfeição atlética. Cada músculo uma testemunha silenciosa de sua dedicação incansável ao aprimoramento pessoal. 

— Se você continuar sem me responder, vou te deitar a porrada! — disse, zombeteiramente, fazendo poses de musculação em frente ao espelho.

Gabriel, com um olhar claro de desprezo, sentou-se na cama ao lado de Ana, atordoado pela ridícula cena. “Apesar de seu comportamento, é inegável que está no auge de sua raça”, pensou enquanto pressionava suas têmporas.

— Força não vale muito quando não se tem a habilidade necessária para aproveitá-la 

— Ah, Eu sabia que você não era uma inútil! Preciso aprender a lutar! — impulsionada pelas palavras de Gabriel e pelo orgulho de sua conquista, Ana ansiava por um novo desafio, uma nova maneira de explorar os limites de seu potencial.

Assim, ela se lançou de cabeça na tarefa de dominar as artes marciais. Com uma determinação férrea, se dedicou a aprender cada forma conhecida, mergulhando profundamente em uma variedade de estilos que abrangiam desde o tradicional karatê até a expressiva capoeira, do elegante kung fu ao pragmático krav magá. Para Ana, cada estilo era mais do que uma simples técnica de combate; era uma linguagem única, uma expressão de poder, disciplina e arte, uma maneira de transcender os limites do corpo e da mente.

Em seu treinamento, embarcou em uma jornada sem destino pelo mundo. Sua imortalidade lhe concedera uma perspectiva única sobre a vida, e ela ansiava por explorar os recantos mais remotos e selvagens do planeta, aprender sobre seus companheiros que compartilham de sua imortalidade. Seu objetivo não era apenas documentar a variedade de criaturas que habitavam a Terra, mas sim compreender profundamente sua natureza e seu papel no vasto ecossistema do mundo.

Armada com um simples caderno e lápis, Ana mergulhou nas florestas densas, atravessou desertos áridos e escalou montanhas majestosas, registrando meticulosamente cada encontro com a vida selvagem. Cada página de seu caderno era uma obra de arte em si mesma, repleta de anotações detalhadas, esboços cuidadosamente desenhados e observações perspicazes sobre o comportamento e hábitos dos animais que encontrava. Cada criatura era uma maravilha da natureza, uma manifestação da incrível diversidade e complexidade do mundo vivo.

— Acredito que está na hora de voltar — mencionou, verificando em seus mapas que não havia muitos outros lugares para ir. — Na volta, pretendo estudá-los por dentro.

Com um olhar alegre, desalinhado com sua última frase mórbida, Ana pegou uma faca militar em sua cintura e abriu um novo caderno em branco, colocando-o no chão ao lado de sua mochila. Em seguida, caminhou lentamente em direção aos pinguins que havia estudado recentemente, o último animal de seu registro anterior.

“Sua loucura está se manifestando cada vez mais…”, refletiu Gabriel, enquanto a observava. Seus lábios com um sorriso gentil ao pensar na sangrenta viagem de volta ao Brasil.

Assim, enquanto dominava as artes marciais e explorava os cantos mais remotos da Terra, Ana descobriu uma nova profundidade em sua conexão com o mundo ao seu redor. Cada passo de sua jornada era uma expressão de sua busca incessante pelo conhecimento e compreensão, uma busca que a levava cada vez mais perto do verdadeiro significado de sua existência imortal.


Foi no ano 521 em que Ana descobriu o prazer da leitura. Diante das portas empoeiradas de uma biblioteca abandonada, um tesouro oculto pelo tempo, ela sentiu-se como uma criança diante de brinquedos recém-descobertos. Movida pela curiosidade, mergulhou nas páginas amareladas, absorvendo cada palavra do mundo antigo. O que começou como um passatempo inocente logo se transformou em uma paixão avassaladora pelo conhecimento.

Décadas se desenrolaram como as páginas de um livro, e Ana mergulhou cada vez mais fundo nesse oceano de sabedoria. Seu talento natural para a leitura, combinado com uma mente afiada por séculos de aprendizado, a transformou em uma exploradora voraz de livros. Seus olhos varriam as linhas das obras, absorvendo cada palavra como uma esponja insaciável.

A habilidade de ler rapidamente tornou-se uma ferramenta poderosa, permitindo-lhe explorar os vastos corredores de conhecimento em bibliotecas de todo o mundo. Ela devorava tratados científicos, romances clássicos, tratados filosóficos e histórias épicas com igual voracidade, navegando entre os mundos imaginários dos autores e os conceitos profundos dos pensadores antigos.

Cada livro era mais do que uma simples fonte de entretenimento; era uma janela para novos horizontes, uma oportunidade de expandir sua compreensão do mundo e de si mesma. As artes marciais que praticava eram enriquecidas por séculos de tradição e sabedoria, enquanto sua compreensão do mundo natural era aprimorada por tratados de biologia e ecologia.

Com o passar dos séculos, Ana emergiu como uma estranha fusão única de atleta, erudita e filósofa. Navegando com graça entre os reinos da mente e do corpo, ela encontrou um propósito que transcendia o tempo: ser a eterna aprendiz, sempre buscando, sempre crescendo, sempre se transformando. E assim, entre as páginas dos livros e os caminhos sinuosos da existência, ela traçou seu próprio destino, uma história eterna de descoberta e autoconhecimento. No entanto, mesmo em sua imortalidade, ela não estava isenta das fraquezas do corpo humano. 

— Droga, eu daria tudo por um ibuprofeno 

A fome insaciável por conhecimento, que por tanto tempo alimentou sua alma imortal, começou a cobrar seu preço. Ana, outrora invencível em sua determinação e vitalidade, viu-se agora assombrada por uma sombra que crescia dentro dela: dores de cabeça lancinantes, como punhais afiados que perfuravam sua mente sempre sedenta.

No início, Ana tentou ignorar essas dores, atribuindo-as ao mero cansaço. Mas, à medida que o tempo avançava implacavelmente, o incômodo se intensificava, evoluindo para tormentos constantes que a atormentavam tanto de dia quanto de noite. Cada página virada e cada palavra absorvida pareciam adicionar peso ao seu sofrimento, como se o vasto oceano de conhecimento que ela se esforçava para abraçar estivesse, paradoxalmente, tentando afogá-la.

— Parece que nosso tempo juntos está se esgotando, Gabriel — mencionou enquanto uma nova dor agonizante assolava seu corpo. Gabriel, seu companheiro silencioso e enigmático por tantos anos, observava-a com uma expressão de preocupação não característica. O rosto de Ana, que uma vez irradiava com a luz da descoberta e alegria, agora estava marcado pela sombra do sofrimento e pelo brilho opaco da exaustão. 

Em sua angústia crescente, Ana se voltou para os livros, uma tentativa desesperada de encontrar alguma cura, algum alívio para a agonia que se tornara sua constante companheira. Ela devorou tratados médicos e filosóficos, buscando nas palavras de outros uma solução para sua própria condição dilacerante. Mas, quanto mais lia, mais o desespero se aprofundava; as letras impressas no papel pareciam zombar dela, reiterando uma verdade cruel que já começava a aceitar em seu coração: seu tempo, apesar de toda a imortalidade, poderia realmente estar se esgotando.

“Ainda há tanto por aprender, tanto há descobrir…” um sorriso amargo tocava seus lábios enquanto ela se permitia um momento de descanso, seus olhos fechando-se lentamente, talvez pela última vez.

Ao fundo, de forma quase imperceptível, uma voz celestial ecoava.

— Sua grande filha da puta, eu não fiquei tanto tempo neste lugar para tudo acabar assim.

Ana não entendia de onde a voz estava vindo e estava fraca demais para entender seu significado. Sua visão escurecia lentamente. “Adeus, mundo”, pensou, pois seus lábios já não tinham força para um sussurro. Tudo ficou escuro.

Nesse instante crítico, reminiscente de uma reviravolta típica de dramas antigos, um súbito ataque de dor lancinante, mais feroz do que qualquer coisa que já havia sentido antes, a arrancou das garras sedutoras do desespero final. A realidade tornou-se turva e ela lutava para compreender o que estava acontecendo, enquanto a dor se tornava cada vez mais  insuportável. Seus gritos já não tinham som e seu corpo se contorcia em agonia, cada segundo parecia um mês, cada minuto uma era. Ana sentiu que a morte da qual tanto fugiu parecia um doce destino em relação ao que estava suportando.

Mas então, tão repentinamente quanto começara, a tempestade de dor começou a se dissipar, deixando-a exausta, mas inexplicavelmente intacta. Quando seus olhos finalmente se abriram, encontraram os de Gabriel, que a observava com uma severidade incomum. Tal olhar durou apenas um momento, pois já sobrecarregada pelo momento, Ana sucumbiu ao cansaço e desmaiou.


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