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A luta começou com um tenso jogo de observação. Ana estudava cuidadosamente cada movimento de seu oponente. A direção dos olhos, a tensão de seus músculos, o movimento sutil de suas mãos, preparando-se para antecipar tanto os tiros quanto os golpes de seu sabre.

“Ela está me lendo”, percebeu o homem barbudo, com um sorriso insano passando em seus lábios.

Ana ajustou a faca negra em sua mão direita e o escudo na esquerda. Ela preparou-se para saltar para frente, quando foi surpreendida por palavras inesperadas.

— O que acha de se juntar a meus tripulantes? — perguntou o capitão, sua postura irradiando uma confiança que atraía os observadores.

— Parece interessante, mas por hoje, vou recusar.

— Quando eu tomar posse dessa maldita baleia, terei dinheiro suficiente para sair pelo mundo em liberdade, tem certeza que não quer reconsiderar?

— Se sobrevivermos, me procure em alguns anos. Me chamo Ana, líder da Ironia Divina.

— Seu olhar me diz que não foi uma resposta irônica, você realmente parece interessada! — exclamou o homem, surpreso pela frase inesperada — Eu sou Rody, capitão dos Sobreviventes Bárbaros. É um prazer te conhecer, senhorita, mas uma pena ter que matar alguém tão… diferente.

Decepcionado, ele tentou surpreender a estranha garota com um disparo rápido, mas um escudo bloqueou a trajetória da bala. O som metálico do impacto ressoou pelo ar, um testemunho da precisão da defesa de Ana.

— Isso não foi legal — murmurou ela, aproveitando o breve momento de recarga da pistola para fechar a distância com uma série de movimentos fluidos. Seu primeiro ataque com a adaga, uma estocada rápida em direção ao pescoço do homem, foi destinado a sondar a defesa do capitão. 

Ele bloqueou ágilmente com seu sabre, mas o impacto da faca negra foi forte o suficiente para fazê-lo recuar.

“Realmente uma mulher interessante!”, pensou para si mesmo, encantado pela pessoa intrigante que encontrou. 


Na ampla praça central de Leviathan, um confronto colossal se desenrolava, capturando a atenção de todos ao redor. Comandante Markus, um guerreiro imponente conhecido por sua força e habilidade com a espada longa, enfrentava um adversário igualmente formidável: um pirata gigante, não apenas alto mas também notavelmente corpulento, armado com um grande canhão.

Markus avaliou cautelosamente seu oponente, quando repentinamente o pirata começou a disparar uma série de projéteis pesados. Cada tiro retumbava pelo ar, criando pequenas explosões ao rasgar o chão de pedra da cidade, enviando estilhaços pelo ar. Markus, ágil apesar de seu porte, correu por entre a poeira que foi levantada com uma destreza surpreendente, esquivando-se dos disparos enquanto avançava lentamente em direção ao seu adversário.

Conforme a distância diminuía, a tensão aumentava. O comandante esperou o momento ideal para atacar, desviando de um projétil particularmente próximo antes de entrar no alcance de sua espada. Com um grito de batalha, ele desferiu um golpe poderoso, que foi bloqueado pelo pirata com a própria arma de ferro maciço.

Com um chute que lançou Markus para trás, o pirata balançou o canhão como se fosse um martelo, com uma força brutal na tentativa de esmagar o espadachim a sua frente.

— Então essa coisa não serve só pra atirar? — murmurou Markus, enquanto bloqueava o golpe com a espada, sentindo o impacto vibrar até seus ossos. O metal rangia sobre a força do gigante, e por um momento, o ar se enchia apenas com o som de metal contra metal.

Enquanto ele recuperava o fôlego, o pirata tentou finalizar a luta, apontando o canhão diretamente para ele a curta distância. Rapidamente, Markus rolou para o lado, evitando por pouco o disparo que destruiu parte da fachada de uma construção próxima.

Se levantando, ele correu em direção ao pirata, iniciando uma troca feroz de golpes. Num movimento audacioso, Markus avançou diretamente na linha de fogo, girando de lado no último instante para evitar um tiro à queima-roupa. Antes que o pirata pudesse recarregar, ele deslizou por baixo do canhão e, com um rugido e um golpe ascendente, cortou através da junção da armadura.

O gigante do canhão soltou um urro de dor e surpresa, tropeçando para trás. O sangue escorria pela lacuna na armadura, e por um momento, a batalha pareceu congelar.

Apesar de exausto e ferido, com respiração pesada e hematomas que começavam a se arroxear, o comandante não deixou que a compaixão tomasse conta de si. Ele sabia que a luta não tinha acabado. Com um último esforço, correu para frente e, usando toda sua força restante, dirigiu sua espada diretamente para o coração do seu inimigo.

O golpe foi certeiro e fatal, mas o corpo em queda do pirata, em uma última reação antes de virar uma poça de sangue, puxou o gatilho da grande arma.

“Fui descuidado… Mas foi uma boa luta”, pensou Markus, vendo uma grande mancha preta destruir sua espada e acertar seu estômago, fazendo-o cuspir uma quantidade alarmante de sangue.

Caído e espremendo o que estava de sua consciência, ele levantou o punho lentamente, desmaiando no instante seguinte.

Aplausos, assobios e gritos de animação preencheram as ruas da cidade.


Conforme o combate prosseguia, o capitão, percebendo que não poderia subestimar Ana, aumentou a agressividade de seus ataques. Ele alternava entre golpes rápidos de sabre e tiros direcionados, tentando manter a mercenária à distância. 

Ana utilizava o escudo não apenas para se defender, mas também como uma arma de impacto. Cada vez que bloqueava um golpe de sabre, ela usava o impulso para desferir contra-ataques brutais com a borda metálica do escudo.

Aos poucos, Ana começou a reconhecer padrões nos ataques do capitão. Seu olho mecânico brilhava a cada tiro, como se calculasse a melhor rota do disparo, tornando-o previsível. Claro, era previsível apenas para alguém com um tempo de reação absurdo o suficiente para utilizar bem esse conhecimento.

— Click — disse Ana em um tom zombeteiro, no exato instante em que o dedo do pirada apertou o gatilho, desviando do tiro de forma quase sobrenatural.

Em um movimento decisivo, ela desviou do golpe subsequente, um corte lateral de sabre, deslizando sob o braço do capitão e contra-atacando com uma estocada precisa de sua faca.

— Achei sua fraqueza. Meio óbvia, devo dizer — disse Ana, sua voz baixa e controlada, enquanto sua adaga rasgava a bochecha do capitão, uma ferida pouco fatal, mas dolorosa.

O capitão cambaleou para trás, lutando para manter o equilíbrio. A garota não perdeu tempo; ela avançou com uma série de golpes rápidos e precisos, forçando-o a se defender cada vez mais desesperadamente. Finalmente, com um golpe bem colocado do escudo, Ana desarmou o capitão, deixando-o à sua mercê.

— Eu não entendo… Não é obvio que a ideia de atacar esse lugar é algo estúpido? 

— Parece que meu ego estava alto demais — respondeu o barbudo, um tom de desgosto preenchia sua voz. — E agora?

— Bem, agora você morre — respondeu Ana, ofegante, mas composta. Seus olhos encaravam Rody quando, com um movimento final, ela avançou, sua adaga negra perfurando lentamente o pescoço do capitão. O sangue começou a escorrer, enquanto o pirata caía de joelhos, sua vida se esvaindo rapidamente.


Enquanto as lutas principais ocorriam nas muralhas e nas praças, uma batalha crucial, embora menos visível, se desdobrava nas ruas onde os soldados de Ana trabalhavam incansavelmente para proteger os cidadãos mais fracos dos ataques dos piratas. Eles mostraram a verdadeira essência de seu treinamento, não apenas combatendo os invasores, mas assegurando a segurança dos habitantes da cidade.

Com a agitada música ainda ressoando pelos alto-falantes, os soldados rapidamente se organizaram em formação defensiva ao redor das áreas mais densamente povoadas. Entre animadas conversas, eles formavam uma barreira viva entre os piratas e os civis, com escudos erguidos e lanças prontas.

A linha de frente dos soldados manteve-se firme, suas faces marcadas pela determinação e pelo foco inquebrantável. À medida que os piratas avançavam, esperando uma fácil pilhagem, foram meticulosamente repelidos pelos guerreiros que trabalhavam em unidade coesa, movendo-se como um único organismo vivo e adaptativo.

À medida que a luta continuava, os soldados começaram a usar não apenas força, mas também astúcia, atraindo os piratas para armadilhas e emboscadas preparadas nas ruas estreitas. Isto foi crucial para mitigar o número superior do inimigo e demonstrou o valor do treinamento tático que Ana havia incutido em suas tropas.

No final, apesar de alguns ferimentos e exaustão evidente, os soldados conseguiram manter a linha até que reforços pudessem chegar. Sua disciplina e coragem não apenas asseguraram a segurança dos civis, mas também inspiraram os habitantes da cidade, que viram em seus defensores um exemplo de determinação e bravura.

A luta deles tornou-se uma das pequenas lendas da cidade, uma história de coragem e heroísmo que as crianças adoravam ouvir antes de dormir.


Ana se afastou do corpo caído, seu olhar varrendo a praça e encontrando os rostos animados dos espectadores, deixando-a levemente desconfortável.

“Já fiz o suficiente”, pensou a mercenária. Ela sabia que a batalha não estava completamente terminada, mas havia mais gente capaz no resto da cidade.

Vendo no holograma que Pedro também parecia ter terminado sua batalha, com os piratas rendidos ou mortos ao seu redor, Ana seguiu em sua direção. No entanto, ao guardar a faca em sua bainha, um suave som de corte foi ouvido, com um pedaço de couro meio despedaçado caindo ao lado de seu corpo.

“Tão estranha…”, pensou ela, observando a lâmina ensanguentada da “faca” que agora media 60 centímetros, semelhante a um gládio romano. Seu dedo deslizou lentamente pela superfície fria e marcada da lâmina, lembranças mórbidas das mais de noventa vezes que a arma havia sido usada para trazer o fim a uma vida. 

Ela girou a faca no ar algumas vezes, sentindo o peso e o equilíbrio da lâmina aumentada. 

— Parece que vou ter que me acostumar com uma espada curta — murmurou com um sorriso, apreciando a sensação da arma em sua mão enquanto se preparava para o que viesse a seguir.


Três piratas esguios, cada um deles adornado com uma miríade de adagas presas ao corpo, estavam dando passos relaxados em frente a uma densa floresta de bambus. Laura, com seu grande escudo, foi em direção a um grupo de civis com dificuldades, deixando os estranhos inimigos nas mãos da Ironia Divina

Júlia avançou primeiro, a lâmina longa e curva de sua nodachi zumbia com uma carga elétrica que iluminava seus olhos com um brilho azul intenso. Em um movimento conjunto, os três homens magros lançaram descontraidamente finas adagas em sua direção, mas a garota ruiva desviou facilmente.

— Isso foi um ataque? — murmurou ela, intrigada. Com um giro de sua espada, um pequeno campo elétrico surgiu, impedindo facilmente a nova leva de adagas que vinha em sua direção, deixando-a ainda mais desconfiada.

Como se ouvindo a intuição da garota, uma das adagas do chão começou a emanar uma luz branca. Seus detalhes intrincados faziam-na parecer uma peça divina, quando repentinamente uma explosão gélida aconteceu, lançando Júlia para trás com um forte baque na parede de uma casa próxima.

Alex, vendo a cena, bateu com força suas manoplas no chão, erguendo uma pequena barreira que bloqueou novas adagas que estavam prestes a acertar o corpo caído da garota. 

— Você está bem? — perguntou o caçador, suas roupas leves de monge contrastando com sua expressão preocupada ao ver as marcas vermelhas que surgiam sob as roupas de Júlia.

— Sim, algumas feridas de mais cedo reabriram, mas consigo continuar.

Antes que a conversa pudesse continuar, um dos piratas lançou uma adaga com um sutil brilho marrom. A magia de terra imbuída na arma se chocou contra as barreiras de Alex, criando uma explosão de detritos que obscureceu sua visão. Aproveitando a distração, outro pirata lançou uma rápida adaga com encantamento de vento, que atingiu o jovem no ombro, fazendo-o cambalear com um grito abafado.

Vendo a dificuldade da dupla, Felipe avançou rapidamente. As adagas eram desviadas com sua prótese, mas a escopeta era utilizada sempre que algo parecia estranho, evitando encantamentos imprevistos. Com um deslize, ele chegou ao lado de um dos homens, mas o disparo que saiu da arma foi desviado quando uma das adagas acertou seu pulso. Com sua antiga espada leve empunhada na mão livre, o caçador de um só braço deu uma estocada rápida em meio ao recuo de seu inimigo, perfurando sua coxa de forma certeira, mas não o impedindo de fugir.

A intensidade do combate atingiu seu pico. Os piratas, percebendo que estavam em vantagem, começaram a lançar adagas com feitiços mais devastadores. Uma delas, imbuída com um encantamento explosivo, foi lançada novamente em direção a Júlia. Ela, antecipando o ataque, desviou para o lado, mas assim como anteriormente, a explosão a jogou no chão, sua Nodachi caindo a alguns metros de distância.

— Temos que acabar com isso logo — gritou Júlia, tentando se levantar enquanto uma dor aguda percorria sua perna.

Alex, apesar da dor em seu ombro, voltou a dar socos no solo, criando um terremoto localizado na tentativa de desestabilizar os piratas, mas eles se moveram agilmente, evitando a fissura que se abriu no chão.

— Essa é a sua chance, Felipe! — gritou Alex, sua voz cheia de urgência ao ver os atacantes se separarem.

Felipe avançou com tudo que tinha, chegando à frente de um dos homens com um salto. Ele disparou sua escopeta, abrindo um grande buraco no peito do pirata que havia sido machucado na perna anteriormente, mas sua espada, a qual ia em direção a outro dos oponentes, foi desviada pelo último pirata que, em um movimento rápido, lançou uma adaga com encantamento de relâmpago que brilhou intensamente ao acertar o braço metálico, fazendo-o gritar de dor.

Com os três membros da Ironia Divina feridos e exaustos, parecia que os dois inimigos restantes teriam a vantagem final. No entanto, em um último esforço desesperado, Júlia se lançou para sua Nodachi caída, canalizando toda a energia restante em um golpe final.

— Não vou deixar tudo acabar aqui. Pro chão, rápido! — gritou Júlia, sua voz cheia de determinação. Ela jogou a espada incandescente na direção dos dois homens restantes, liberando uma intensa explosão elétrica.

Os piratas, incapazes de sair da área da explosão a tempo, foram queimados vivos de forma quase instantânea, deixando um cheiro acre de carne queimada no ar. Surpreendentemente, um deles ainda respirava, com o ar saindo em um tom aterrorizante da garganta destruída.

Felipe se aproximou, cambaleando um pouco, e usou a bala restante de sua escopeta para garantir que o último pirata não se levantasse.

Exaustos, mas vitoriosos, os membros da Ironia Divina se reuniram no centro da praça, avaliando os danos e assegurando que todos estivessem bem.

— Nós conseguimos — disse Alex, tentando sorrir apesar da dor no ombro.

— Foi por pouco — concordou Felipe, meio encolhido pelos espasmos que seu corpo ainda estava tendo, mas com um olhar de alívio.

Alex e Felipe foram recolher as adagas rúnicas que estavam espalhadas enquanto Júlia apenas se deitou de costas no chão frio, seus olhos vagando entre sua espada destruída e os corpos carbonizados no chão. Com um suspiro, a garota ruiva esvaziou a mente e focou apenas em sentir as partículas de mana dos piratas mortos, as quais vagavam pelo ar, permeando lentamente nos corpos dos aventureiros.

As lutas continuaram até o dia seguinte, quando os raios de sol começaram a surgir no exuberante céu azul, iluminando o animado povo viajante dos céus e dando um toque estranhamente belo para as ruas manchadas de sangue.


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