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A compreensão sobre aquilo tomou conta de minha mente. Eu soube o título que identificava minha existência entre a realidade.

Eu era o portador do caos. 

E o propagador da morte.

Meu corpo era mortal, pertencia a um humano de um mundo fraco, mas minha alma era dona daquele poder superior.

Senti raízes malignas envoltas em correntes crescerem de meu coração e se espalharem pela minha carne mundana. Uma escuridão horrível, pior que a do abismo, tomou conta da caverna.

Eu era o lorde daquela escuridão e me senti como um deus em meu próprio domínio. Meu corpo desmembrado se reconectou pelas raízes e me vi em pé, encarando o demônio.

Caedes voou até mim sem ajuda de telecinesia. Eu conseguia controlar e sentir tudo lá.

“… O qu-” Antes que ele pudesse falar, um corte horizontal e imenso se abriu e cortou a criatura ao meio e tudo atrás dela por centenas de metros.

O corpo de uma garota extremamente ferida e consideravelmente mastigada se revelou quando a metade superior da criatura virou pó.

Na velocidade de um suspiro, seu corpo se teleportou para meus braços. Seu pulmão não respirava e seu coração bombeava mais fracamente que o de uma formiga.

A caverna tremeu, mas não a permiti desmoronar-se sobre nós.

“Não irei deixar você morrer em meu reino.” Falei para Stella. Minha voz estava diferente, coberta por uma pressão estranha.

Meu núcleo completamente escuro parecia praticamente vazio, mas não era isso. A quantidade de energia que eu tinha no momento era quase nada comparada ao limite que eu poderia alcançar.

Esse limite parecia ser do tamanho do mundo inteiro.

Cravei meus dedos no peito de Stella, controlando as raízes acorrentadas e obscuras por dentro de seu corpo. Seus ferimentos foram cobertos por uma energia medonha que a transformou num casulo escuro envolta por correntes.

Uma outra energia se infectou em meu território e curou o demônio em poucos segundos. Seus tentáculos antes molengas e sem vida chicotearam até mim, mas apenas um estrondo pôde ser ouvido.

Até mesmo a gravidade obedecia a mim lá. Seu corpo tentacular encolheu e sangrou sobre uma pressão extremamente poderosa, antes que implodisse e sujasse meu reino com um sangue verde.

“Reis falsos não podem se comparar ao verdadeiro poder.” Declarei ao no tempo de um passo aparecer em um ponto aleatório da caverna.

Lá a forma simples de um olho me observava. “Um dia ascenderei ao abismo e matarei todos vocês.” Ameacei, antes de pulverizar a fenda de onde os deuses me olhavam.

A energia estranha do abismo que invadia meu reino sumiu naquele momento. Agora só restava eu e Stella.

Fiquei preocupado quando a energia da morte, que eu estava usando para salvar Stella, se aproximou do fim.

A energia que meu núcleo apresentava era feita pelo caos e pela morte, e eu naturalmente sabia como ganhar mais.

Para a morte, eu precisava tirar inúmeras vidas e juntar seus cadáveres em uma pilha imensa.

Para o caos, era necessário a mais brutal destruição. 

Mas não hesitei. 

Eu senti a carne de Stella sendo curada pelo meu poder, vi os órgãos dela voltando a funcionar, seu coração bombeando sangue.

Foi uma aposta. Desfiz meu domínio escuro que preenchia a caverna e fiz meu corpo voltar ao seu estado normal para economizar energia.

A força avassaladora que corria pelo meu corpo deixou de existir quando fiz isso. Eu agora estava igual antes, mas isso era inevitável.

O estado superior que entrei ao matar o demônio custava energia, eu não poderia ficar assim para sempre.

Alguns minutos se passaram e minha energia da morte acabou completamente. 

O casulo parou de pulsar e as correntes que o envolviam estilhaçaram-se, antes do mesmo se abrir e revelar uma garota nua.

Rachaduras escuras percorriam algumas partes de seu corpo, suas veias eram escuras e saltadas, e uma fumaça sombria saiu de sua boca quando a mesma respirou pela primeira vez após a batalha.

Ali eu me ajoelhei e caí em cima de Stella. 

Seu cabelo roxo-claro e olhos prateados brilharam quando ela se sentou. Meu rosto estava caído em sua cintura, mas senti uma mão acariciar meu cabelo.

“… Você… Me salvou?” Sua voz doce indagou.

Eu não falei nada, apenas descansei em seu colo. 

Ali entendi como ser um humano é difícil. Por mais que eu tenha me decidido em abandonar aqueles sentimentos bons que me atrapalharam, ainda fiquei feliz quando virei para cima e encontrei o olhar da garota.

Sentimentos são confusos, isso que aprendi naquele momento.

Nem mesmo um homem que carrega o ódio de deuses poderia fugir deles.

‘Acho que a culpa disso tudo ter acontecido não foi por causa do amor, e sim pela minha fraqueza. Acho que se eu ficar forte, eu vou ter o direito de amar, né?’ Pensei ao ver as lágrimas da garota caírem.

“Não… Um monstro como eu… Não tem o direito de amar.” Acabei falando em voz alta sem querer.

Seu rosto ficou vermelho, mas logo sorriu.

“Nenhum monstro salvaria uma garota em perigo.” Stella disse ao me puxar e me abraçar quando caímos um em cima do outro.

Ficamos lá por alguns minutos. Aquela situação por um todo era confusa e me fez refletir sobre quem era.

Eu pensei que para concluir minha vingança era necessário abandonar tudo que poderia me atrapalhar. Mas isso não era verdade, afinal foi por causa desse “erro” que eu descobri minha energia irregular e o verdadeiro potencial da minha força.

Entretanto, eu não era fraco o suficiente para perder para uma emoção. Eu me levantei e tirei Stella de cima de mim.

“Não foi a primeira vez e nem será a última que um demônio desses aparece pra me matar. Se você ficar perto de mim só será perigoso. Partirei das montanhas amanhã.” De repente falei ao tirar meu manto e dá-lo para a garota nua.

Acho que só naquele momento ela percebeu o quanto estava revelando para mim, afinal se vestiu rapidamente e desviou o olhar. 

“Mas você prometeu que ia me treinar…!” Stella disse, mas isso não me convenceu.

“Me desculpe, peça isso para Hark ou Trevor. Eles são bem musculosos.” Respondi ao me preparar para ir embora. “Não vou arriscar a sua vida nem minha vingança por um sentimento humano que eu nem entendo direito.”

“Sentimento?” A garota indagou, mas seu rosto ficou completamente vermelho quando entendeu o que eu quis dizer.

“Eu sou amaldiçoado, Stella. Minha mentalidade, meus pecados, meu poder, tudo sobre mim aponta para um final de dor e miséria. Mas eu já aceitei isso, está tudo bem. Vagarei pelo reino e ficarei forte. Forte o suficiente para proteger quem eu decidi amar.”

“Você não pode decidir quem ama ou não.” Ela refutou, levantando-se. “Está falando isso porque aquele monstro me usou de isca?”

Ela estava certa, mas não iria botar esse peso em seus ombros. “Não. Essa era minha intenção desde o começo, o que senti por você que foi a variável.”

Um silêncio se seguiu por alguns segundos. “Se eu ficar forte… Forte o suficiente para matar um monstro desses… Você vai me amar de novo?” Indagou vergonhosamente ao desviar o olhar.

“… Claro.” Respondi ao ajudar ela a levantar. “Vai precisar se esforçar bastante. Eles são bem fortes.”

Aproximei meu rosto do dela, consequentemente tocando meus lábios nos seus. Ela ficou surpresa, mas aceitou meu último gesto de carinho.

No entanto, uma explosão ecoou fora da caverna e fez tudo tremer.

De repente, uma parte do teto desmoronou e revelou o céu, junto com duas figuras.

Hark Levit, O General Ígneo, estava deitado no chão da caverna sob escombros de pedras.

No céu, um homem de armadura dourada voava ao apontar uma lança de ossos para Hark. Uma capa branca voou atrás dele, e ouvi a marcha de milhares de passos se aproximar.

Hark estava sangrando, mas uma armadura de fogo logo se formou quando a bênção que ele me deu saiu pelos meus olhos e retornou para ele.

“Um exército de postulados e um campeão apareceram! Vão para o quartel!” Gritou, e uma imensa pedra de gelo vinda da lateral acertou o campeão.

Ele foi arremessado para onde eu não podia ver, até que Roger apareceu.

‘Agora? Por quê?’ Indaguei mentalmente, mas Vivian apareceu pelas nossas costas e segurou eu e Stella por baixo de seus braços.

Uma palma gigante feita de fogo dourado e aparentemente energia do abismo acertou Roger, mas o mesmo protegeu-se do ataque ao criar um escudo gigante de gelo. 

“Magos imundos, me digam onde está o garoto da profecia!” Uma voz irritada ecoou por tudo.

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Olá, eu sou o Kalel K. Dessuy!

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