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O ataque anterior de Roger não pareceu fazer efeito, afinal o campeão retornou para seu lugar em um instante.

Não fazia sentido. Foi tudo tão repentino, não havia nem me recuperado da luta, mas tudo que eu apreciava estava prestes a ser extinguido ao pó quando o apocalipse em forma humana pairou no ar.

Nossos olhos se encontraram por um milésimo de segundo, nesse momento meus instintos perceberam a certeza resoluta que refletiu na íris do homem velho em armadura dourada.

“Você…” Falou com uma voz ameaçadora para mim ao apontar sua lança em minha direção. No entanto, um pilar de chamas gigantesco tomou forma acima e abaixo dele, juntando-se em um ataque.

O fogo contendo um poder absurdo encheu a caverna e o céu, mas Vivian nos tirou de lá há tempo. Ela nos arremessou no chão da casa que guardava a entrada após subir o túnel rapidamente.

Ela caiu no chão, com o manto rasgado, revelando uma armadura simples de couro chamuscada.

“O que está acontecendo?!” Indaguei, ajudando-a. Stella pensou rápido e curou os pedaços de pele carbonizados na parte de trás do pescoço de Vivian.

“Você ouviu Hark. Acharam a gente, de algum jeito.” A mulher declarou ao se levantar e acariciar o cabelo de Stella.

“E agora?” A garota de olhar prateado indagou, com medo. Ela instintivamente olhou para mim, por algum motivo.

“Todos estão lutando pelo Exército Prismático e os ajudarei depois de cuidar de vocês.” Vivian disse ao nos segurar pela mão.

“Eu não sou uma criança.” Falei ao recuar para trás e desfazer o aperto. “Posso ajudar.” Revelei ao pensar sobre meu poder.

Se eu me infiltrasse nas fileiras do exército durante a luta e matasse o máximo de pessoas possível, iria acumular mais energia da morte e me tornar imparável.

O problema era conseguir a iniciativa e sair do alcance daquele campeão. Ele claramente estava atrás de mim.

‘Garoto da profecia? O que ele quis dizer com isso?’ Indaguei mentalmente. Caedes permaneceu flutuando ao meu lado, usar telecinesia para isso já havia se tornado automático.

“Você não entende, Sirius. Você pode matar quantos postulados conseguir, não vai mudar nada. O Reino Salazar sempre terá mais à disposição.” Ela falou ao se esgueirar na parede e colocar a cabeça para fora da casa.

“Vamos para o porão do quartel. Lá é a única esperança de salvar vocês dois.” Vivian disse ao andar em nossa direção.

“Por favor, Sirius. Vocês são os melhores potenciais do mundo, tenho certeza. É um desperdício vocês morrerem aqui.” Declarou ao andar até nós e colocar uma mão em nossos ombros. “Fiquem fortes, evoluam sua magia, cuidem um do outro, e um dia, se quiserem, honrem nosso legado e expurguem o mal desse reino.” Vivian falou ao nos abraçar. 

“Como tem tanta certeza que conseguiremos fugir?” Indaguei ao olhá-la nos olhos.

“Existe um mecanismo de transporte no subterrâneo do quartel. Vou destruí-lo depois que você fugirem.” Vivian falou ao pegar em nossa mão. Dessa vez não a impedi.

“Do que está falando?! Por que se sacrificar por nós? Vocês precisam fugir também!” Tentei argumentar, mas falhei.

“Eu nunca fugi desses postulados e nunca irei. O problema é que dessa vez é o desafio final para nós, eu acho. A não ser que um milagre aconteça.” Vivian zombou ao correr.

Explosões ecoavam no centro da cidade, milhares de passos metálicos se aproximavam a cada segundo e o desespero crescia.

Era uma visão comum o fogo dominar o céu e expulsar todas as nuvens em toda a área. Corremos pelas casas abandonadas que tremiam a cada impacto da luta atrás de nós.

No entanto, algo infeliz aconteceu.

Um corpo foi arremessado ao nosso lado, atravessando várias casas e deixando escombros e sangue para trás.

Durante os poucos instantes que tive para identificar quem era, reconheci meu amigo bêbado com os olhos fechados ao atravessar várias paredes na casa ao lado.

Nessa hora meus instintos dominaram meu corpo e me fizeram experimentar um súbito aumento de velocidade.

Raio e vento entraram em uma sinergia mágica em meus pés e eu corri em direção ao meu companheiro e mestre.

“Roger!” Exclamei ao me aproximar de seu corpo. Ele ainda respirava, mas queimaduras roxas carbonizaram sua cintura e costelas.

Um buraco de perfuração criou uma fonte de sangue em seu ombro direito, e seu pé esquerdo não podia ser visto.

Stella e Vivian logo se aproximaram e a garota não hesitou em tentar curar Roger. Infelizmente, ela engoliu seco e começou a chorar quando os ferimentos carbonizados não regeneraram.

“Isso não faz sentido!” Exclamou entre lágrimas. “A carne simplesmente não cura! A magia de luz parece nem querer chegar perto dele…” Murmurou ao olhar até mim.

Para piorar a situação, ouvi vozes se aproximarem.

“Julian! Mestre Sebastian nos colocou na retaguarda por causa da nossa inexperiência, devemos obedecê-lo!” Uma voz feminina e irritada falou.

Pelo visto, apenas eu escutei, mas um sorriso surgiu em meu rosto.

“Não enche o saco, Nicka. Vamos matar esses magos sujos e provar nosso valor, então seremos promovidos e iremos orgulhar o papai.” A voz de um homem jovem refutou a companheira.

“Nem sei porque estou seguindo vocês. Eu devia ter denunciado pro líder do esquadrão quando vi vocês saírem de fininho na floresta.” Outro jovem falou.

Eles pareciam estar alguns metros próximos de nós. “Fiquem aqui.” Pedi para Vivian e Stella.


“O que você vai-” Antes mesmo que a mulher pudesse me impedir, eu corri para a origem das vozes.

Me espreitei furtivamente no telhado de uma casa ao usar novamente o truque que descobri sem querer graças aos meus instintos quando tentei salvar Roger.

Em um beco aleatório, três jovens andavam ao analisar seus arredores com cuidado.

Uma mulher de cabelos loiros e um rosto pálido amedrontado segurou um tipo de arco estranho, uma besta. Uma aljava com várias flechas estava em suas costas, e a mesma vestia uma armadura de placas simples sem capacete.

Em sua frente, dois jovens com a mesma armadura tomavam a liderança. Um deles era alto e robusto, um cabelo ruivo curto e uma pele levemente vermelha. Ele segurava uma espada em cada mão, e um escudo se manteve a postos em suas costas.

Ao seu lado, outro jovem com cabelos escuros médios, pele parda e olhos azuis segurava uma alabarda com as duas mãos.

“Como que nunca relataram uma cidade dessas?” O jovem ruivo indagou. “Isso aqui é muito foda, dá pra morarmos aqui se pá!”

“Nem sonha com isso.” A loira discordou, no entanto, sua atenção foi para outro lugar.

Um som suspeito ecoou em um beco à direita deles quando estavam prestes a se aproximar de uma encruzilhada.

Eles imediatamente entraram em uma posição defensiva e cuidadosa antes de se aproximarem do som. Quando viraram, não havia nada lá.

“Essas casas estão caindo aos pedaços.” Reclamou o jovem de alabarda ao olhar para trás, provavelmente procurando o olhar da companheira loira.

Infelizmente para eles, sua amiga não podia ser vista, e quando olharam para baixo notaram uma poça de sangue e um coração ainda pulsando no chão.

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Olá, eu sou o Kalel K. Dessuy!

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