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O tempo congelou quando meus instintos não encontraram maneiras de fugir da morte iminente. Parecia que um pedaço do sol se desprendeu da estrela e caiu em direção ao mundo.

Seu tamanho era um terço da montanha que vivi. Ele provavelmente destruiria a maior parte da cidade e mataria todos por perto, sem exceção.

Simplesmente não havia o que eu fazer. Eu até poderia correr para longe se me transformasse com minha energia irregular, mas não havia um pingo de morte ou caos dentro do meu núcleo escuro.

Meus cristais ainda estavam na caverna que lutei contra o demônio, afinal não tive tempo para pegá-los do chão. 

“Nier, o que a gente faz?” Julian gritou atrás de mim, olhei para trás e vi que seu desespero era tão grande que suprimiu o descontrole de seu frenesi.

O jovem de alabarda, Nier, olhou para o céu embasbacado, e não julguei sua reação. Morreríamos juntos, como inimigos, mas sem ser pela mão um do outro.

Entretanto, não aceitei minha morte tão facilmente. Lembrei sobre as palavras de Roger um ano e poucos meses atrás.

Logo quando aprendi sobre a magia de vento, uma pergunta óbvia surgiu em minha mente quando observei os pássaros voarem pelo céu.

“O voo é algo estranho.” Meu mentor falou enquanto virava uma garrafa. “Você pode tentar agora, mas duvido que conseguirá. É como se a mana nos proibisse de alcançar os céus.”

Minhas sobrancelhas se arquearam com uma resposta tão vaga. “Isso não faz sentido. Se posso mover objetos mais pesados que eu, por que eu não conseguiria usar telecinesia para mover meu corpo pelo céu?” Indaguei, sentado no sofá.

“Ninguém sabe. A mana frequentemente quebra suas próprias regras, você se acostumará com o tempo. Também não conseguimos fazer outra pessoa flutuar, é como se realmente nosso lugar fosse no chão.”

Eu com certeza não engoli essa explicação na época, então tentei por mim mesmo. Na floresta, envolvi meu corpo com fios verdes e os controlei para o céu, mas uma pressão interna surgiu em meu peito e multiplicou a força necessária para mover meu próprio corpo.

Era como se meu peso aumentasse exponencialmente quando tentava quebrar as regras do mundo e ousasse sair do meu lugar como um humano.

No entanto, eu presenciei alguém voando imponentemente no céu. Aquele campeão flutuou acima da caverna como sempre questionei ser possível.

O poder recebido pelos deuses se mostrou superior à energia prismática em um aspecto, o que me deixou incomodado.

Afinal era meu dever e vontade destruir e superar todo verme controlado pelos fios do abismo como marionetes. 

Retomando no presente, o meteoro nos mataria em aproximadamente sete segundos. Ele estava algumas dezenas de metros acima de nós.

Planos se formularam em minha mente, mas apenas um restou, junto da hesitação. Tive que aceitar que meus amigos morreriam.

Matar os cavaleiros postulados de uma maneira violenta me daria energia da morte o suficiente para ativar uma transformação parcial.

Aquele meu estado superior que entrei quando enfrentei o demônio ainda era misterioso para mim. Minha força, raciocínio lógico, velocidade, reflexos, e todo o resto ultrapassaram quaisquer limites humanos e me tornaram extremamente poderoso.

Entretanto, o poder era meu e graças aos meus instintos eu conseguia ter uma ideia de sua extensão. Eu sabia que conseguiria ativar apenas um aspecto, e nesse caso eu precisaria usar a energia para melhorar minha velocidade.

A energia que eu provavelmente conseguiria seria suficiente para levar minha rapidez ao auge por milésimos de instantes, afinal três mortes não eram absolutamente nada.

Era uma aposta, mas não havia opções.

Lutei para aceitar que não havia como salvar meus companheiros quando corri repentinamente até Nier. Ele ainda estava concentrado no meteoro, então não teve um tempo de reação.

Minhas garras compostas por três camadas de magia cortaram sua garganta, mas não parei por aí. Caedes me ajudou a fazer inúmeros cortes em uma janela de dois segundos.

Sua armadura guardou uma polpa sangrenta sem qualquer feição humana. A violência hedionda que aquela morte exalou me forneceu um pouco de energia da morte.

Julian não conseguiu ajudar seu parceiro, mas sua raiva apenas conseguiu refletir em seus olhos quando corri até ele e perfurei Caedes em sua garganta.

Entretanto, sua mão entrou no caminho e impediu minha lâmina de cortar sua pele. Aquele homem conseguiu segurar a ponta de Caedes com a mão nua.

Suspirei quando percebi que meu plano falhou. Qualquer truque que eu tentasse não adiantaria em nada, afinal minha última ação me custou três segundos.

Até meu inimigo sabia disso, afinal ele nem olhou para mim. Vi o reflexo temível da pedra flamejante em seus olhos que encaravam o céu.

Mas algo aconteceu. Uma figura estranha surgiu no reflexo e virei para trás para estudar a situação.

Uma criatura gigante feita de fogo completamente vermelho voou quando seus dois pares de asas bateram no ar freneticamente.

Ela possuía sete pescoços e cabeças dracônicas quando todas abriram suas bocas imensas. Um grito majestoso ecoou quando um brilho azul dominou o céu.

Sete pilares azuis brilhantes saíram de suas cabeças e juntaram-se em um único pilar azul imenso. O poder magnífico engolfou o meteoro inteiro em um segundo, dominando suas chamas laranjas e substituindo-as com um azul-claro.

Entretanto, o meteoro não mudou sua rota e persistiu, mas passou completamente pela figura de várias cabeças.

Quando se aproximou do chão, se desintegrou completamente e nada mais restou. Nem cinzas, nem fogo, nem nada.

O ataque capaz de provavelmente destruir a cidade inteira foi retornado ao pó pelo poder daquela figura estranhamente familiar.

‘… Hark?’ Indaguei mentalmente quando meus instintos me deram a vaga ideia do dono daquele poder.

Infelizmente, inúmeras lanças brancas feitas de ossos gigantes apareceram ao seu redor de repente e o atacaram.

Elas rasgaram o ar em instantes, mas um mar de fogo se expandiu da hidra flamejante e incinerou a área do céu.

As lanças tiveram o mesmo destino do meteoro quando as sete cabeças gritaram em direções diferentes e cuspiram mares de fogo azul.

Seu poder foi além do que sempre tentei imaginar. Aquele homem realmente era abençoado pelo fogo, eu não conseguia entender como um mago poderia alcançar tal ápice.

“Não se esqueça de mim!” Uma voz gritou atrás, mas apenas desviei minha cabeça para o lado quando um punho atravessou o local que antes estava.

“Não me atrapalhe. Eu quero observar essa luta primeiro, cuido de você depois.” Declarei indiferentemente ao estudar cada centímetro da luta.

Não entendia como aquelas lanças apareciam repentinamente. O poder dos campeões era realmente diferente da mana, eu precisava aprender sobre eles, mas não sabia como.

Uma ideia surgiu em minha mente quando lembrei do oponente atrás de mim. “Qual é o truque por trás?” Questionei quando apontei para as lanças surgindo e sumindo sem parar.

“Truque?!” Julian gritou ao tentar socar minha cabeça com as duas mãos fechadas de cima para baixo. Apenas dei dois passos para a esquerda.

“Mestre Sebastian é um dos campeões mais condecorados do reino, seu poder é originado da Grande Virtude de Casmael!”

‘Grande Virtude de o quê?’ Indaguei ao olhar para trás. Essas palavras não me eram estranhas, por mais que fossem no sentido literal.

“Não ouse chamar seu poder divino de truque!” Gritou ao tentar chutar meu estômago. Seu frenesi claramente se intensificou com minhas últimas palavras.

“Vejo que seu poder divino não consegue vencer o líder de um grupo que mora numa cidade abaixo da poeira.” Provoquei ao recuar para trás. Cada oportunidade disponível eu olhava para trás para estudar a luta.

“É questão de tempo, moleque. Mestre Sebastian está apenas ganhando tempo para nosso exército subir as montanhas e cercar todos vocês!” Falou ao chutar uma pedra em minha direção.

Sua velocidade foi tão absurda que não consegui desviar, então ela acertou o centro de minha testa, mas não me afetou.

“Então quer dizer que seu poder divino precisa do suporte de pessoas como você, que não conseguem nem vencer uma criança? A piada é mais engraçada do que pensei!” Continuei zombando do poder daquele idoso de armadura dourada.

Suas veias saltaram mais ainda, algumas até mesmo estouraram. Sua pele virou um vermelho profundo e seus olhos brilharam intensamente.

Aquele homem não parecia mais humano. O poder que sua pressão exalava aumentou exponencialmente e me senti obrigado a levá-lo a sério.

“Vai pagar por dizer essas palavras e por matar Nicka e Nier!” Me ameaçou quando enfiou as mãos no chão.

Um pedaço do chão foi arrancado e arremessado até mim. Ele ocupou toda a largura do beco, mas um escudo cônico de gelo tomou forma em minha frente, cavando um buraco redondo no pedaço de terra e me protegendo.

Chutei o cone gélido, arremessando-o em Julian e correndo logo atrás do ataque. Um punho destruiu meu ataque em um único gesto ofensivo, mas minha figura foi revelada quando os pedaços de gelo voaram.

Balancei Caedes horizontalmente, ignorando sua armadura e criando um corte longo em seu peito. Ele fez uma expressão de dor, mas tentou agarrar minha lâmina.

No entanto, eu esperava isso. Espinhos de terra cobertos por gelo e raio cobriram minha espada e espalharam-se por todas as direções.

O homem tentou ignorar isso, mas foi um erro. Os espinhos atravessaram sua palma e derramaram sangue no corpo de Caedes.

Minha arma não hesitou em sugar a vitalidade de meu oponente. Seu sangue se tornou desfocado e claro enquanto caía.

Sua pele se tornou menos vermelha e ele caiu sobre seu próprio joelho, mas tentou se levantar. Infelizmente para ele, esses instantes me permitiram trucidar seu corpo como uma besta.

Seus músculos estavam mais fortes e resistentes, mas consegui estraçalhar sua carne com a ajuda de Caedes. 

Seu corpo lembrou o de seu companheiro. Restos de órgãos dilacerados, carne rasgada e pele completamente submersa em sangue tentavam se esconder sob a armadura. Uma repulsividade criminosa fez a energia da morte surgir de seu cadáver em uma quantidade pateticamente minúscula até meu núcleo escuro.

Suspirei e limpei o suor do meu rosto. Aquela foi uma boa luta, onde aprendi coisas importantes sobre meus inimigos.

Mas não esqueci do motivo daquela batalha ter ocorrido. Corri até meus companheiros com a ajuda de magia de vento e raio.

Fiquei aliviado quando descobri que as garotas conseguiram estabilizar a condição de Roger. Ele não mais sangrava, mas as queimaduras roxas ainda cobriam seu torso.

Ele estava consciente, ainda sob os destroços da construção. Me aproximei e notei um misto de sentimentos em seus olhos.

Vergonha, admiração, miséria. Não me importei com isso e me abaixei ao seu lado.

Essas minhas ações não eram nobres ou altruístas. Eu estava fazendo aquilo como um capricho, por mim mesmo, para o Sirius que eles influenciaram e se tornaram importantes.

Mas esse Sirius morreu quando aquela energia irregular despertou em mim na caverna. Os sentimentos felizes que me atrapalharam já haviam sido arrastados para o fundo da minha mente.

Com exceção do potencial amoroso que sentia por Stella, eu era um poço frio e indiferente.

Salvar meus antigos companheiros era a última ação antes de me afogar na minha jornada egoísta por vingança.

O pouco de energia da morte que consegui saiu de meu núcleo e desceu pelo meu corpo até chegar na palma da minha mão.

Uma camada inteiramente preta que pulsava com uma energia medonha cobriu a ponta do meu dedo. Então encostei em suas queimaduras.

Um rastro sombrio se alastrou em sua pele e fez Roger grunhir de dor. Veias negras surgiram ao redor da energia e o homem pareceu fraco.

No entanto, vórtices estranhos tomaram forma e começaram a absorver uma outra energia estranha. Notei rastros de energia do abismo em sua composição, mas era diferente.

Eu queria guardar essa energia para estudá-la, mas não consegui. Ela sumiu quando a expurguei do corpo de meu amigo.

A camada sombria também sumiu após alguns minutos. Fiquei com esperanças de poder guardá-la em meu núcleo novamente e reusá-la, mas não consegui.

Cicatrizes em forma de espirais cobriram parcialmente o torso de Roger, mas ele estava completamente curado. Percebi o rosto surpreso de Stella, Vivian e o homem que acabara de salvar.

Olá, eu sou o Kalel K. Dessuy!

Olá, eu sou o Kalel K. Dessuy!

Capítulo de 2k palavras como desculpas pelo atraso!

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