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— Vamos, seu preguiçoso. Hora de acordar. — Jason chamou, lançando um travesseiro na direção de Theo. — Não é porque você chegou de madrugada que tem o direito de acordar depois do meio-dia.

O travesseiro caiu exatamente na cabeça do garoto.

— Jason… — Theo balbuciou.

— Oi?

Um travesseiro foi arremessado de volta contra ele.

— Respira, estuda um pouco. O tempo continua passando e você continua desperdiçando ele me irritando.

— Lá vem você com suas crises existenciais… Cara, acho que nunca vi ninguém tão lunático quanto você — disse Jason, jogando uma mala no colo de Theo. — A professora Beatrice agendou nossa aula prática para hoje.

— Sinto falta do meu dia de folga…

— Você está aqui há apenas uma semana, cara. E gastou o seu dia de folga lutando contra outros cavaleiros e ajudando aldeões.

— Foi melhor que o seu dia.

— Sim, com certeza. Agora se arruma logo.

— Inferno. — Theo resmungou, esfregando os olhos e reunindo coragem para se levantar.

☽✪☾

Alguns adolescentes começaram a se reunir em um ginásio. O local estava dividido em diversos setores – academia, área de luta, pista de corrida, entre outros – onde os alunos da Academia Wispells praticavam diversas atividades ao mesmo tempo. Theo e Jason caminhavam entre os espaços, observando os outros agentes treinando.

— Para onde temos que ir mesmo? — perguntou Theo.

— Até a ala de designações. Parece que hoje vamos receber nossos cartões de classe.

— Finalmente.

Eles pararam em frente a uma porta gigante, que já estava aberta. Vários alunos se reuniram na frente de um palco montado. Os dois procuraram um banco para sentar e esperar por Beatrice.

Enquanto Jason socializava com a maioria dos alunos, Theo ficou reservado, recostado em um canto. Ele contava mentalmente os segundos enquanto memórias voltavam à sua mente. Sua perna tremia de ansiedade e sua respiração se tornava mais intensa.

Uma mão pousou em seu ombro. Theo olhou para o lado e encontrou alguém familiar: uma mulher cabelos cacheados em um tom marrom-claro, olhos cor de rosa e trajando uma túnica branca coberta por outra túnica azul.

— Está tudo bem? — perguntou Beatrice.

— Sim.

— Dormiu bem?

— Não. — respondeu, desviando o olhar.

— Vou ter que chamar sua atenção de novo? Bem, preste atenção hoje.

Beatrice seguiu em direção ao palco. Enquanto ela subia, Jason a secando descaradamente. Ele acompanhava cada movimento do “monumental corpo” da professora novata. Theo lhe deu um soco no rosto.

— Pra que foi isso? — reclamou Jason.

— Respeito. — retrucou com desdém.

Jason passou a mão onde Theo o socou e perguntou:

— Por que vocês são tão próximos? Parece que ela é sua mãe.

Theo se acomodou no banco e suspirou.

— Ela foi minha professora desde o jardim de infância até o fundamental. Eu costumava ter problemas com insônia e dislexia, então chamava muita atenção.

— Costumava ter dislexia? — brincou Jason.

— Idiota.

Beatrice bateu palmas para chamar a atenção dos alunos. 

— Estão todos me ouvindo claramente? — perguntou, sua voz flutua pelos ouvidos dos alunos como uma brisa envolvendo seus corpos.

— Atributo de som e vento? — questionou Jason.

— Sim.

Como Jason não tinha muito conhecimento sobre atributos elementares, ele recorria frequentemente a Theo para obter esclarecimentos. Beatrice usou seu atributo de som para amplificar sua voz e, em seguida, o atributo de vento para fazê-la ecoar pelo ambiente, garantindo que sua voz alcançasse todos os alunos.

— Para todos os novatos que foram aceitos na Academia Wispells e se tornaram agentes da Ordem de Vagus, sabemos o quanto vocês estão ansiosos para descobrir suas ocupações e níveis. É por isso que eu e a diretora Wispells agendamos a designação para hoje. Então, por favor, olhem para o chão à frente dos bancos em que estão sentados. Vocês verão fitas com cores específicas. Peguem a fita com a cor correspondente e aguardem até chamarem a sua cor.

Theo olhou para o chão e encontrou uma fita verde. Jason tinha uma fita laranja, o que significava que eles estariam em salas diferentes. Uma sensação de apreensão se instalou em seus estômagos.

— Não sei por que, mas estou nervoso… — Jason resmungou.

— Aqueles com a fita verde, dirijam-se para o leste — anunciou Beatrice.

Theo se despediu de Jason e dirigiu-se para a ala leste, onde apenas duas outras pessoas estavam esperando. Uma menina de cabelos pretos e curtos estava acompanhada por um garoto de cabelo preto, porém, com uma única mecha azul-clara. Os três trocaram olhares por um momento. Logo, Theo desviou o olhar, abrindo a porta de ferro ao lado deles.

Do outro lado, estava uma cientista usando um jaleco branco, com as mãos enfiadas nos bolsos e expressando ansiedade.

— Olá, sou Ster. Sou responsável pela designação de vocês três. Quem quer ser o primeiro?

— Eu. — Theo levantou a mão antes dos outros dois reagirem.

— Ótimo. Qual é o seu nome?

— Theo Augustus de Lawrence.

— Certo. Sente-se e coloque suas mãos neste cristal.

Ster fingiu não se importar com o sobrenome de Theo, acima de tudo tentou manter profissionalismo. No continente em que vivem, apenas pelo fato de terem um sobrenome já indica peso. Mas o nome “Augustus” carrega o peso da família imperial.

Theo obedeceu, enquanto Ster examinava alguns papéis.

— Theo Augustus de Lawrence. — Ela fez uma pausa, absorvendo uma abundância de ar. — Notas máximas em física todos os anos, primeiro lugar em química no estado de Nethuns. O mesmo acontece com história e geografia. Você gosta de ciências?

— Sim. Eu amo suas leis e as teorias.

— Então por que você não se tornou um agente de Fulmenbour? Ou Myrddin?

— Vagus é mais emocionante.

— Entendo… Bom, pressione o cristal.

Theo colocou uma leve pressão no cristal, que brilhou intensamente. As cores variaram entre azul, lilás, roxo, vermelho, amarelo, laranja e verde.

— Faça como se estivesse transferindo energia para ele.

— Ok.

Uma pequena aura incolor começou a irradiar das mãos de Theo. A cor do cristal começou a solidificar em verde, mas continuou alternando entre um verde neutro e uma cor branca. Uma pequena explosão de energia em formato de névoa se espalhou pela sala.

Ster ficou momentaneamente surpresa, observando Theo atentamente para garantir sua segurança. Ao perceber que ele estava bem, ela fez algumas anotações em um documento e entregou-o a Theo.

— Leve isso para a sua instrutora.

☽✪☾

— Sou de grau um, classe oito! — Jason se exibiu para os outros, mostrando um cartão em sua mão.

— Qual é o seu tipo de energia? — um dos alunos perguntou.

— Mana.

— Legal, a minha é ki.

Uma garota ruiva bateu a cabeça bruscamente em uma mesa de madeira, desapontada.

— Chloe? O que houve? — Jason perguntou.

— Estou presa nos ciclos de chakra. Vou acabar sendo apenas uma alquimista. O Theo vai zoar comigo…

— Por que eu faria isso? — Theo questionou, se aproximando de uma mesa ao ar livre.

— Porque você sempre disse que eu acabaria como alquimista.

— E foi o que aconteceu. Não fique triste, os alquimistas têm um papel importante na sociedade.

— Vai começar a rinha entre primos… — Jason cochichou para outros estudantes.

— Me dá isso aqui. — Chloe pegou o cartão da mão direita de Theo. Ela começou a ler as informações. — Grau dois, isso nós já sabemos. Energia: Ether? — sua voz ficou fina ao pronunciar a última palavra. — Classe especial… Droga, privilegiado.

— Então nós não estamos na mesma classe? — Jason resmungou.

— Não. Mas não somos obrigados a ficar limitados aos nossos setores de classe, então ainda vamos nos encontrar bastante.

— Pega. — Chloe jogou o cartão de volta para Theo. — Pelo menos Agnes está lá. Isso é um ponto positivo.

“Mentor da classe especial: Paul Llamarada e Amiah Neidr…” Theo leu no cartão. O segundo nome era familiar. “Energia Ether… Isso vai ser uma dor de cabeça.”

Olá, eu sou o Mirius!

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