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Na manhã seguinte, Theo não hesitou. Ao acordar, ele procurou pelo mentor de sua classe, Paul Ilamarada, dado que o outro mentor, Amiah, estava indisponível no dia. A torre de ensino de Paul fica ao norte, dentro do complexo acadêmico de Wispells.

Uma estrutura circular, sustentada por pilares greco-romanos que se elevam ao longo das paredes até formar uma cúpula no topo. A sala principal segue o formato de cúpula, tendo algumas elevações interiores e o palco do professor. 

Assim que entrou na sala de aula, Theo encontrou quatro alunos e o professor Paul presentes.

Paul Ilamarada, com seus cabelos loiros divididos ao meio, olhos castanhos escuros ocultos por óculos de grau redondos, pele pálida e um nariz com uma leve deformidade à esquerda, acendeu um cigarro ao perceber a chegada de Theo e se sentou em sua cadeira.

Theo não pôde deixar de pensar: “Ótimo, um fumante…” enquanto observava Paul acender o cigarro.

O garoto olhou melhor pela sala, onde os alunos estavam sentados longe um do outro. Com exceção das duas meninas. Theo não pôde deixar de notar; o garoto e a menina de ontem, que estavam com ele na designação, estavam na turma dele.

— Muito bem! — anunciou Paul com voz firme. — Aqueles que estão dormindo, acordem. E vocês que ainda estão sonolentos, despertem. Para começar, quero que esqueçam esses livros medíocres e empobrecidos de conteúdo; eles não servirão para nada aqui. Estou aqui para ensiná-los a serem pessoas de honra, conduta e, acima de tudo, fortes. Não vou sobrecarregá-los com um milhão de tópicos e esperar que saibam de tudo e mais um pouco.

Paul se voltou para o quadro-negro e escreveu “Ειδικός”. Após terminar, ele atirou o giz de volta ao suporte e, com um olhar atento, procurou alguém na sala para começar uma conversa.

— Ei, você, loirinho! — Paul chamou Theo. — Você sabe por que está na classe especial?

— Não. — Respondeu de maneira genuína.

Paul expirou a fumaça do cigarro e o apagou em um cinzeiro.

— Cada um de vocês tem uma condição, seja física ou mental. Como o loirinho aqui, o Theo. Nós identificamos em você uma condição mental rara chamada “genium”, que lhe permite aprender e compreender tudo no primeiro contato. Já o garoto da mecha azul-clara ali, Ivan, possui uma condição física que o torna resistente a baixas e altas temperaturas, além de não sentir sede devido ao calor.

Ivan resmungou: 

— Já entendemos, você é um fã e tem uma biografia nossa.

— Que bom que já perceberam. Isso poupará tempo para não precisar de resumir a vida de vocês. Agora, venham todos os cinco até aqui e tentem me atacar.

— O quê? Não! — protestou uma garota no canto da sala. — Nós não…

Ela aparentava ser a mais frágil entre todos os alunos.

Sua voz ficou cada vez mais baixa ao notar os outros três garotos se levantando das cadeiras e indo até Paul.

— Não adianta. — A menina de cabelos pretos retrucou, se levantando da cadeira.

— Eu disse todos — reforçou Paul, olhando as duas.

Elas caminharam até o professor, no palco da sala. Os cinco formaram uma espécie de pentagrama, encurralando Paul e tentando deixá-lo sem saída.

— Theo de Lawrence, atributo de vento. Antony Windsor, atributo de metais. Ivan, atributo de gelo. Rebecca Lans, barreiras. E por último, Aryna Sabbac, atributo de água. Sabem o que mutualmente podem fazer, então comecem.

Paul apontou para cada aluno conforme ditava seus nomes. 

Antony tinha cabelos castanhos, com um toque leve de ruivo, talvez pela luminosidade do local. O rosto do garoto era um pouco largo, mas seu corpo era algo além de atlético; seus músculos eram perfeitamente definidos. O que fez Ivan e Theo se sentirem fracos, já que seus corpos não são nada tão exagerado.

Rebecca, assim como Aryna, era baixa se comparada com os garotos. Além de se manter sempre encolhida e escondida por trás de seus longos e lisos cabelos castanho-escuro. Seus olhos marrons eram recuados e trêmulos.

Sem perder muito tempo, eles iniciaram aquele pequeno teste de Paul.

Antony avançou, forjando uma espada de aço afiada e lançando-a em direção a Paul. A lâmina cortou o ar, passando rente ao professor, que desviou com facilidade. A espada quase atingiu o rosto de Rebecca, mas uma barreira invisível, habilmente criada por ela, bloqueou o golpe. 

Em um movimento rápido e quase planejado, Aryna saltou atrás de Rebecca, imitando um gesto de disparo com os dedos. Um projetil de água foi lançada, atingindo em cheio o cigarro nos lábios de Paul.

— Atrevida…

Paul se virou contra a menina, mas Antony impediu.

Com um soco-inglês, Antony tentou atacar novamente, mas Paul desviou agilmente, fazendo com que o outro acertasse o chão e quebrasse o piso de madeira. O mentor então juntou as mãos, realizando gestos sincronizados, e pressionou-as para baixo. 

Instantaneamente, os três alunos foram jogados contra o chão por um vapor denso.

— Vocês estão afobados — comentou Paul, acendendo outro cigarro. — Há muito o que aprender.

Ivan começou a criar granizo no ar, concentrando-o na palma de sua mão. Quando estava prestes a lançar seu ataque, os granizos foram repelidos por uma súbita rajada de vento. Uma das pedrinhas de gelo acertou de raspão os lábios de Paul. 

Ivan paralisou, preocupado com o possível dano causado ao mentor. Enquanto isso, Paul percebeu a surpresa de Ivan e ambos procuraram pelo último membro da sala: Theo.

Theo, que até poucos segundos estava ao lado de Ivan, desapareceu do seu campo de visão. Uma suave brisa tocou a nuca de Paul, fazendo-o virar-se rapidamente. Nesse momento, Theo emergiu da sombra de Paul, segurando a lâmina de aço que Antony havia criado.

Parecia que ele estava prestes a atacar seu mentor, mas, desviou a lâmina para baixo e usou seu próprio corpo como alavanca.

Theo cravou sua perna esquerda no trapézio de Paul e, apoiando-se com a perna direita no chão, pressionou o calcanhar contra o pescoço do mentor, forçando-o a desequilibrar-se. Paul enfraqueceu suas pernas, permitindo que Theo o derrubasse, mas agarrou a perna do aprendiz no processo.

Ambos caíram no chão, com Theo agarrando o pescoço de Paul com os braços enquanto lutavam para se libertar. Enquanto ocupado com Theo, Ivan lançou uma rajada de gelo que congelou o braço esquerdo de Paul. Com apenas um braço livre, o mentor conseguiu se soltar de Theo e prendê-lo no chão com as pernas.

Expirando profundamente, Paul transformou o ar que saía de seus pulmões em fogo, derretendo o gelo que prendia seu braço. 

Com a mão agora livre, ele a estendeu em direção a Ivan e disparou uma rajada de fogo fraco, arremessando o garoto contra a parede.

— Já entendi. — Paul comentou, ofegante e suando.

O mentor soltou Theo e se levantou.

— Você — disse, estendendo a mão para Theo e puxando-o bruscamente para cima. — pensa demais durante a luta. Inventa muitos movimentos desnecessários quando podia apenas finalizar o adversário.

Theo reclamou de uma dor no ombro, sem recitar nenhuma palavra.

— Vocês duas dependem demais uma da outra. Você só ataca sem pensar. — Olhou para Antony e, em seguida, para Ivan. — E você, é lerdo. O loirinho teve que praticamente sacrificar-se para que você atacasse. A partir de hoje, vocês vão começar a se conhecer, pois serão um esquadrão no futuro. Portanto, hajam como tal.

Theo estendeu a mão para ajudar Ivan a se levantar.

— Você usou o vento para impulsionar meu feitiço? — indagou Ivan, aceitando a ajuda de Theo.

— Sim, e depois utilizei uma especialização minha, um feitiço que me permite camuflar no ar para atacar.

— Um bom ritmo de conjuração. Você é um conjurador ou…

— Fui treinado como um híbrido.

— Entendo…

— Ótimo, os dois já estão conversando — disse Paul, caminhando até eles. — Agora vão para a enfermaria, estão liberados até amanhã.

— Espera, isso é tudo? Viemos aqui para aprender, então você nos dá uma surra e depois vai embora? — Aryna protestou.

— Sim, isso é tudo — retrucou abrindo a porta da sala. — Estou aqui para ensinar vocês a como serem um esquadrão e agentes de Vagus, não posso ensinar nada se vocês não entenderem o que estão fazendo de errado. Agora, para a enfermaria — reforçou dando ênfase.

Paul saiu da sala, e Antony e Rebecca caminharam até os outros dois, enquanto Aryna ainda criava coragem para se levantar do chão.

— Cara, a sua conjuração  é de outro nível! — Antony comentou.

— E a sua é bem afiada. A espada de aço que você criou era resistente, forte e muito leve. Por isso era um pouco difícil de manusear, mas creio que você já deve ter se acostumado.

— Valeu, cara. Sabem onde fica a enfermaria?

Os três balançaram a cabeça em negação.

— Eu sei. — Aryna respondeu, vindo do fundo da sala. — Me sigam.

☽✪☾

Todos os professores de Wispells se reúnem numa mesa retangular de madeira. Paul esfrega o dedo cuidadosamente nos lábios enquanto olha para a lista dos alunos.

— O que foi isso nos lábios? — Beatrice não se conteve.

— Aula na classe especial.

— Eles fizeram isso? — indagou a diretora Wispells, com uma entonação de curiosidade.

— Eles? Não. Foi o loirinho. Ele sequer pensou antes de atacar para matar. Minha sorte é ser mais forte que ele e conseguir desviar.

Um homem de cabelos longos e pretos, de olhos vermelhos e pupilas de serpente, observava atentamente o que Paul estava dizendo de canto.

— Você é um vacilão, Amiah — disse Paul, notando que Amiah estava observando. — Por que não apareceu? Poderíamos ter tido um dia mais produtivo.

— Se precisa de mim para ensinar, está falhando como um professor. O moleque dos Lawrence fez isso? Ele vale o grau que está?

— Não. Todos eles devem permanecer no grau um. O loirinho só permanece no grau dois por ser indicação da família imperial, e também por aparentar ter mais experiência.

— Bom — disse outro professor. — Desde que chegou na academia ele está desafiando amistosamente os agentes. Não me impressiona ele saber lutar.

— E também é filho de um tenente. Ethan com certeza ensinou ele a lutar, igual ao Edward — disse Amiah.

— Queria ter trago Edward Lawrence para nossa academia, mas a ordem Lotus conseguiu ele antes… — queixou a diretora.

— Tenho permissão para levá-los a qualquer lugar, certo? — indagou Amiah.

— Sim. Desde que assine o papel de responsabilidade.

— Certo.

— O que vai fazer? — Paul perguntou.

— Elevar eles até no mínimo grau três em cinco meses. O interescolar vai acontecer, não podemos apresentar alunos de classe especial como fracos. Vamos explorar as capacidades deles ao máximo.

— Vai fazer isso levando eles até a floresta das ninfas?

— Sim. Onde estão agora?

— Enfermaria. Já dispensei eles por hoje.

— Então deixe para amanhã. — Amiah olhou para Paul e seu lábio roxo, não conseguindo conter a risada ele continuou. — Vá cuidar desse machucado.

Olá, eu sou o Mirius!

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