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Conforme o general Mason avançava contra o colosso, este aumentava sua presença, fazendo questão de demonstrar que estava ali. Ao liberar sua aura, em tons lilás e cinza, tudo o que ficou para trás e tinha um pouco de vida se apodreceu. A aura de Liam tornou-se um sinalizador, a presença mais ameaçadora e chamativa de toda aquela região.

Kishin no Raio repousa a mão esquerda inferior no joelho, enquanto levanta a mão inferior direita. Com as duas mãos superiores, o demônio da luz faz um gesto de oração. Outro abalo sísmico se alastra pelo local.

Das quatro pontas de sua auréola, raios de luz saem suavemente, dando vida, mais distante, a quatro pilares de luz — somente olhar para um pilar daquele seria equivalente a encarar o núcleo do sol sem nenhuma proteção. Os pilares giram em torno do eixo — o Kishin no Raio — emitindo um enorme estrondo.

O céu nublado foi iluminado pelos pilares. Quatro feixes de luz condensada, radiação e temperatura foram atirados contra Liam. O general não temeu, afinal, seu plano havia funcionado: fazer com que o demônio atacasse somente ele, conseguindo assim tempo para o restante salvar quem estava no campo de guerra.

Criando um novo escudo de energia, Liam conseguiu resistir ao avassalador ataque do demônio, ricocheteando os raios de radiação como chicotes de couro batendo no chão.

“Com toda certeza, se eu chegar perto demais, meu campo não vai conseguir repelir a radiação…” ponderou Liam.

Os raios de luz cessaram; posteriormente, os pilares se reunindo, formando uma cruz com um buraco no centro. Uma linha de luz ligou os quatro pilares, gerando um círculo.

Liam freia o pé rapidamente ao visualizar os círculos e a cruz.
— Mas o que… É rápido demais. Só consigo ver por um instante… — comentou Liam consigo.
O que você consegue acompanhar por um único instante? — indagou, e uma esfera branca surgiu rente a Liam. A voz madura, porém sarcástica de James ecoou dessa origem.
— James? Onde você está?
A caminho. Chego em menos de vinte segundos. Mas, o que você estava analisando?
— Não vê? Os pilares se movem tão rapidamente, que deixam a ilusão de que estão parados…
É… — murmurou e, por um instante, se calou. — Não consigo processar essa imagem. Dez segundos.
— Consegue ver o núcleo da alma dele?
— Não — retrucou James, surgindo ao lado de Liam.
— Então, trabalhe para achar. Nosso objetivo agora é destruir os pilares.
James assentiu.
— Vire-o para o outro lado, tentarei criar um plano pelas costas. Deixarei um presente para ti — disse James, abrindo a palma da mão para o chão.
— Ora… Espírito heroico Sigurd, há quanto tempo.
Diferente das demais almas que James conjurou, que eram totalmente brancas, o que foi invocado agora estava próximo de um humano.
Coberto por uma armadura de metal reluzente e adornada por runas antigas, sua coroa lembrava os chifres de um cervo, enquanto seus cabelos caíam em tranças douradas. Segurando sua espada cintilante entalhada com asas e um coração de dragão, aquele convocado era ninguém menos que: Sigurd, o mortal que matou um dragão.
Uma única vez, quando Liam e James tiveram que realizar mais de cem missões num curto prazo de dez dias, Sigurd foi convocado para auxiliá-los na captura de espíritos maléficos em Egon.
Liam considerou o espírito poderoso, contudo, está infelizmente limitado por ser apenas um homem morto.
Sigurd ajoelha-se diante de James, sob um único joelho e reverência seu “mestre”.
‘Quais são vossas ordens, milorde?’
— Ajude Liam na luta contra aquele demônio. Caso ache o núcleo, informe-o.
‘Sim, senhor. General Mason, é uma honra novamente.’

— Mãos à obra, Sigurd. Veremos se dragões são mais fracos que demônios. — Alinhando-se com Sigurd, ambos se prepararam para o combate.

— Liam — chamou James. — É impressão minha ou aquilo está descendo? — referiu-se aos pilares.

— Eles estão me incomodando. Tem algo por trás disso…

Ao se inclinar para a frente, Liam parou subitamente. A terra tomou forma, criando uma caixa retangular que se elevou três metros acima do nível terrestre. Sendo fragmentada em pequenos pedregulhos, uma criatura similar ao colossal Kishin tomou vida.

“Parece uma representação… O que isso significa?”, pensou Liam.

Segurando o cabo da espada com força, Liam e Sigurd avançaram contra a “cópia” enquanto James foi para o lado oposto.

Erguendo os quatro braços para cima, o clone de Kishin levitou pedras e as transformou em lanças afiadas de matéria.

Asas etéreas surgiram das costas de Sigurd, e, com um choque, o espírito heroico voou para o céu. Usando a lâmina do céu, Liam desintegrou as lanças do demônio com cortes diretos.

A vinte metros do demônio, Liam caiu sob o efeito de uma força zero, onde não conseguia tocar o chão ou sequer mover-se.

“Força telecinética?…” ponderou Liam, lutando para voltar ao chão.

Caindo como um raio no chão, Sigurd conseguiu encontrar um ponto fraco no campo zero. Agarrando Raito pelo tronco, Sigurd o imobilizou no ar, forçando o demônio a perder a força mental.

— Isso, Sigurd! — exclamou Liam.

Empunhando a lâmina do céu, Liam saltou para cima do demônio. Atacando a testa, o general rasgou a carne do monstro até o tronco, que tentou reagir, mas foi impedido por Sigurd.

Dilacerando os quatro braços, Liam finalizou realizando três estocadas no coração e partindo o demônio ao meio.

— Droga. Não consegui achar o núcleo — disse Liam.

— Porque a cópia não tem — retrucou a mesma esfera cintilante retornando, transmitindo a voz de James. — O núcleo é a auréola. Porém, isso é algo que não consigo quebrar…

— Sigurd, preciso que vá até lá em cima. James, teste aquela habilidade nova.

— Sério? Agora? Pode deixar!

Uma imensa cortina amarela e translúcida caiu sobre o Kishin no Raito e logo se apagou. O demônio logo caiu de sua levitação, retornando à cratera que formou quando chegou ao campo de batalha. Realizando esforço para retornar, ele foi surpreendido por Sigurd, que voava contra a cabeça. Com um enorme impacto, Sigurd jogou o rosto do demônio para trás, obrigando-o a desviar o olhar para cima.

Deslizando a mão pela lâmina da espada, Liam despejou um pouco de seu poder mais puro. Os pilares desceram até o chão, destruindo o chão que tocavam. Posicionando a espada em direção ao demônio, ele cogitou por um momento.

“Esses pilares atrás de mim… Não saberei do que são capazes. Nem se vão sumir quando eu matá-lo. Qual será a consequência de deixar isso para trás? Não. Deixar esse monstro vivo é pior. James não aguentará por mais tempo, então, não posso deixar que ele gaste sua força assim…”

— É só imitar o Li Minghua… — suspirou. — Estilo do terceiro céu: Corte metafísico!

Um ataque invisível ignorou todo o mundo físico, chegando até o demônio. O corpo do Kishin no Raito não sofreu nenhum dano, nenhuma gota de sangue foi derramada.

Contudo, sua auréola foi partida ao meio. Não sobrou nada além de uma poeira branca que se espalhou pelo espaço e desapareceu junto do brilho que os olhos do demônio emanavam.

Mas o dia não acabaria assim. Os quatro pilares, como Liam suspeitava, empurraram-se contra os vales de Zhuang, desintegrando toda a matéria no caminho, incluindo, obviamente, seres vivos.

Lutando contra a mão de Liam que o sufocava, Theo conseguiu livrar-se do seu alter-ego e escapar das águas turbulentas. Ainda ofegante, Theo tentou ajustar a própria visão. Somente ao recordar do desastre causado pelo último ataque do Kishin no Raito, o estômago de Theo se revirou.

— Você se lembra, não é? — indagou Liam. — O que aquelas torres fizeram.

— Destruíram metade do império Xin… matando duas mil pessoas no processo e ferindo centenas pelas consequências… — retrucou, lacrimejando e soluçando.

— Eu podia ter evitado? Não sei. Jamais saberei. Mas, de uma coisa eu sei. Quando o Kishin no Raito foi morto, afastando até mesmo as nuvens, permitindo ao sol me tocar… Sendo banhado pela luz do sol, minha mente clareou.

O céu turquesa e mar limpo retornaram, mais rasos do que da última vez.

— Você forjou essas memórias — apontou Theo.

— Não. Eu queria, mas não. Você estava ocupado demais punindo o lado da moeda em que agimos em nome das ordens. Porém, naquele dia, quando vi a destruição causada… Nós mudamos para o outro lado da moeda. Consegue enxergar qual?

— A vida é um vidro, e por isso os fortes lutam por ela?

— Talvez, é um ponto interessante também. Mas, nós não somos culpados pela morte. Nem nós e nem o divino. — Vislumbrando o céu limpo, continuou. — É o bendito do destino. Ciclos começam e se fecham. Pessoas vão e vêm, até você. Você já não é o mesmo que cinco anos atrás. A vida é feita de portas, nós as abrimos e as fechamos o tempo inteiro…

— Cada porta é um novo futuro — interrompeu Theo. — Um novo pensamento, um novo eu. Aceitação é a maior das virtudes.

— As palavras do velho imundo ainda estão na sua cabeça. Que bom, porque elas carregam minha essência… Se quer aceitar ou não, é um problema unicamente seu enquanto finge ser Theo Lawrence.

Relaxando a mão em seu próprio pescoço, Liam finalizou:

— Cabe somente a você. Caso queira continuar com seus problemas e ignorá-los, deixe a porta na sua frente fechada. Porém, caso deseje evoluir como um indivíduo neste reino, abra.

— Neste reino? — destacou Theo.

— Shhhh… É um segredo por enquanto.

A voz de Liam ecoou pelo mundo infinito espiritual de Theo. As ondas violentas engoliram novamente o garoto, e, em vez de continuar afogando-se, ele despertou.

Ofegante e confuso, Theo encarou a parede branca do hospital. Os raios de luz do nascer do sol invadiram o quarto pela janela, despertando-o ainda mais.

— Reino… Reino… Que desgraçado! — reclamou, estalando a língua. — Não consegue se conter?

Olhando para os lados, percebeu que não havia o que procurava ali.

— Preciso de um giz.

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Olá, eu sou o Mirius!

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