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Após cruzar o território de Colin, Jane e Valagorn, acompanhados de Heilee, haviam chegado a grandiosa capital de Runyra. Passaram por uma enorme torre de vigia com a bandeira dos carniceiros hasteada no topo. Passaram por vilas menores que começavam a ser erguidas agora que os territórios estavam unidos.

Trabalhadores labutavam com ímpeto para construir estradas ligando as duas grandes cidades daquele território. O comércio aos poucos estava começando a ser fomentado, e a prosperidade estava em uma vertiginosa crescente.

Era a primeira vez que muitos deles experimentavam a paz, segurança e fartura. O cenário das casas de madeira que viram anteriormente, começavam a ser trocadas por casas de pedras.

As casas próximas a grande capital eram feitas de pedras irregulares cortadas e ajustadas à mão para encaixar perfeitamente umas nas outras. As paredes eram grossas e resistentes, com pequenas janelas de vidro emolduradas em madeira e talvez um ou dois vitrais decorativos. 

Enfim, haviam adentrado os portões da grande capital de Runyra.

A cidade de Runyra era uma bela cidade com arquitetura gótica em todos os seus edifícios e torres altas. A cidade era banhada por um rio que corria pelo meio dela, que era atravessado por pontes de pedra elegantes.

O rio era algo recente, algo que Runyra construiu artificialmente.

Nas ruas de Runyra era possível ver uma variedade de pessoas, desde comerciantes até artistas de rua e estudiosos de magia. A cidade passou a ser conhecida por ser um refúgio seguro para aqueles desejando uma vida melhor e segurança, com muitas lojas e até mesmo escolas estavam começando a ser abertas oferecendo treinamento e suprimentos mágicos.

As casas de pedra eram construídas com um olhar de resistência, algumas com muros grossos e pesados portões de madeira, embora muitas tinham janelas adornadas com vitrais coloridos. Algumas das casas também apresentavam torres altas e intrincados trabalhos em pedra, demonstrando a habilidade e a riqueza de seus proprietários.

No centro da capital ficava a grande catedral gótica de St. Cuthberta que também havia sido construída recentemente, com suas altas agulhas afiadas que perdiam somente para o palácio localizado mais ao norte. Mesmo para uma obra recente, a igreja passou a ser conhecida por abrigar relíquias sagradas e por ter uma comunidade nova de clérigos e padres muito influentes na cidade, mas não era nada comparada a Noron.

À noite, as ruas eram iluminadas por orbes, enquanto os sons de música e risos ecoavam em toda a cidade. Runyra nuca esteve tão viva e vibrante, onde a magia e a arquitetura gótica se combinavam para criar uma atmosfera única e misteriosa.

Os olhos de Heilee saltavam a vista. Quando fugiu do território de Alexander, não teve tempo de admirar a arquitetura como estava fazendo no momento.

Aqueles sons, as cores, as pessoas, tudo era tão novo que ela acabou se perdendo em pensamento.

— Ei! — Chamou Jane. — Vamos logo, ou você acabará congelando.

Heilee balançou as rédeas de seu cavalo e seguiu Jane e Valagorn que estavam alguns metros na frente.

— Que lugar incrível! — exclamou como uma criança fazendo uma nova descoberta. — Isso é tudo do mestre de vocês?

— Precisamente, vamos procurá-lo, assim você explica a ele toda situação.

Foram até o palácio que parecia ainda mais incrível.

Foi lá que ficaram sabendo que o Rei não estava na cidade. Colin havia partido há alguns dias em uma missão secreta. A rainha estava na cidade, mas ela estava em uma reunião importante, então aproveitaram o tempo e vagaram pelo palácio.

O palácio de arquitetura gótica era um edifício majestoso e imponente, com uma estética que enfatizava a verticalidade e a ornamentação. Suas características incluíam arcos pontiagudos, janelas ogivais, vitrais coloridos, torres altas, pináculos e muitos detalhes esculpidos na pedra.

Ao entrar no palácio, era possível ver grandes salões com tetos altos sustentados por colunas esbeltas e arcos pontiagudos. As paredes eram adornadas com tapeçarias luxuosas e pinturas vívidas que retratavam lendas e histórias do antigo rei e dos novos. Uma grande escadaria em espiral levava aos andares superiores, onde estavam os aposentos reais e a sala do trono.

A sala do trono era o ponto focal do palácio, com um trono feito de madeira esculpida e dourada, cercado por cortinas pesadas e tapeçarias com imagens da linhagem real que ainda era curta. Grandes candelabros pendurados no teto iluminam a sala com uma luz suave e mágica, enquanto um enorme vitral colorido acima do trono iluminava um enorme quadro do rei e da rainha sentados ao lado do outro.

O palácio também possuía extensos jardins com labirintos, fontes e estátuas de pedra. Foi construída uma grande torre de observação com vista panorâmica da cidade, e um pátio onde seriam realizados torneios de justa e outros eventos importantes.

O uso de magia passou a ser evidente em todos os cantos do palácio, desde as velas flutuantes até as portas mágicas que se abriam por conta própria. Ayla transformou um palácio que já era belo em algo imponente que inspirava admiração e respeito.

Heilee ficou surpresa que todos os guardas se curvavam quando passavam por eles. Crescendo em cativeiro, coisas como a demonstração de respeito a causavam um sentimento estranho.

Na sala de reuniões de Ayla, um homem estava sentado frente a ela. A rainha estava atrás da mesa onde havia um conjunto de tinteiro e penas de escrita, bem como rolos de pergaminho e alguns livros antigos empilhados.

— Ainda estou indecisa se devo te aceitar ou não.

Usando um Haori azul — uma jaqueta tradicional japonesa com mangas largas e gola estreita. — um Hakama — uma espécie de saia ou calça ampla e plissada. — Um obi escuro — uma faixa larga de tecido que era amarrada em volta da cintura. — e sandálias de palha, o rapaz de cabelos escuros que ia até os ombros, orelhas pontudas e olhos azuis, encarava a rainha com um sorriso no rosto. O mesmo sorriso que não se desfazia um segundo sequer.

— Você anunciou que está formando uma guarda de elite. Não tem por que eu não participar.

Ayla cruzou os braços e se ajeitou na cadeira.

— O seu pai não está em guerra? Devia estar o ajudando.

— Meu pai tem mais seis filhos, eles podem resolver isso, e o motivo pelo qual estou aqui é outro. Você disse estar oferecendo terras, e para isso, precisa de pessoal competente. — O sorriso de canto dele não se desfazia, mesmo quando ele falava. — Eu soube da invasão. — ele olhou ao redor da sala, vendo paredes de pedra, teto abobadado e janelas altas com vidros coloridos. O chão era coberto com tapeçarias, e abaixo dele havia tábuas de madeira polidas. — É uma proteção para a senhora?

— Para mim? Não. Meu objetivo é fazer vocês concluírem missões que os outros não podem.

— Assassinato? — O sorriso dele alargou-se.

— Talvez. Normalmente eu o testaria, mas ouvi sobre sua habilidade. Meu marido também tem um artefato que transmuta, mas ao contrário de você, a árvore dele é outra.

— Claro, o rei. É um homem com grande reputação, e a propósito, a senhorita estava linda no casamento.

— Obrigada. — ela levantou-se e estendeu a mão o cumprimentando — Meus homens entrarão em contato com você. Mantenha o que conversamos em sigilo. Se isso vazar, saberei, e seus restos serão enviados ao seu pai, entendido?

— Entendido, senhora.

— Ótimo, até breve, Yuno Yuki.

Ele curvou o corpo e foi até a porta. Girou a maçaneta e deu de cara com três pessoas. Durou menos de um segundo, mas foi o suficiente para ele sentir uma pressão esmagadora vinda daqueles três. Até mesmo a garota com olhar mais inocente era assustadora.

Seu coração começou a palpitar, suas mãos ficaram suadas e um suor frio escorreu por sua têmpora.

Jane e Valagorn sequer olharam para o rapaz, enquanto Heilee cruzou olhares com ele.

Yuno nunca havia sentido algo como aquilo antes.

Por um átimo, foi como se o peso de uma constelação estivesse sob seus ombros, uma sensação agonizante que o fez se sentir minúsculo. Sentiu que era um grão de areia solto no espaço, há milhares de quilômetros longe de qualquer estrela.

A sensação se desfez, e quando se deu conta, Yuno estava suando demasiadamente.

Até seu sorriso se desfez.

Heilee passou por ele, e Yuki olhou para trás, vendo a garota de costas uma última vez antes de a porta ser fechada.

“O que diabos foi isso?”

Na sala de Ayla, Jane se jogou na cadeira e espreguiçou.

— Gostei do cabelo. — Elogiou a súcubos colocando um dos pés na mesa. — Aonde o meu Colinzinho foi?

— Tire os seus pés da minha mesa! — disse furiosa. — E não é da sua conta aonde ele foi, é uma missão secreta!

Tirando os pés da mesa, Jane fez beicinho.

— Às vezes esqueço que você é a rainha do mau-humor. Enfim, essa é Heilee — apontou para ela sem encará-la. Ayla ergueu uma das sobrancelhas — Sabe aqueles bichinhos que atacaram o ducado do Colinzinho? Foram feitos com o sangue dela.

Ayla encarou a garota que estava toda tímida no canto e se perguntou se ela estava falando a verdade.

— Essa garota era a arma secreta de Alexander?

Uhum! Não devia subestimá-la pela aparência, além de Drez’gan, a garota é o mais próximo de divindade que já encontrei, e olha que tenho quase trezentas vezes a sua idade.

— Ela não está mentindo — disse Valagorn de braços cruzados no canto, próximo à porta. — O sangue dela é especial, ela é especial, e há o diário de Ibras.

— Ibras? — indagou Ayla.

— Entregue a ele o caderno — ordenou Valagorn. — Está tudo bem, ela é a esposa do senhor Colin, é confiável.

Após assentir, Heilee enfiou as mãos nos bolsos e entregou as anotações de Ibras nas mãos de Ayla. A rainha começou a ler aquelas anotações em forma de diário.

Com as informações entregues por Ethel, e agora as informações de Ibras, Ayla vários passos à frente de Alexander. Após alguns minutos, Ayla apoiou o diário na mesa e suspirou.

— Experimento 33… uau… — encarou a garota nos olhos. — Não posso nem imaginar pelo que passou, sinto muito. Você está segura aqui, arrumemos um quarto para você no palácio, roupas limpas e refeições saudáveis. — Ayla saiu de trás de sua mesa e foi até a garota, pegando nas mãos dela. — Sou a rainha Ayla, prazer em conhecê-la.

Sem jeito, Heilee desviou o olhar.

— Obrigada…

— Tuly! — A porta abriu. — Leve a garota para comer e dê a ela um quarto descente.

— Sim, senhora — Ele encarou Heilee. — Me siga por gentileza.

Heilee encarou Jane, que assentiu com um sorriso. O ex experimento deixou a sala, acompanhando Tuly até a cozinha.

— Como a encontraram?

— Foi simples — respondeu Jane. — Somos seres de outro plano, temos os nossos métodos de busca — ela abriu um sorriso provocante. — E você, finalmente deflorou. Como foi?

Franzindo o cenho, ela olhou para Jane e depois para Valagorn.

— Este é um assunto particular.

— Ah, claro que é. Sabia que Colin tem atributos meus? Se você gostou, pode ter certeza que tem dedo meu ali, háhá.

— Você é mesmo uma mulher desagradável.

Jane continuou com seu olhar sedutor.

— Você não tem mesmo senso de humor, enfim, a garota será bem útil. A principal razão de ela estar aqui, é fazer um contrato com Colin. Isso deve reconstruir a parte da alma dele que Coen destruiu, então o nosso garoto poderá usar mana novamente — Ela levantou o indicador — E o melhor, a mana dele pode ser refinada, uma mana completamente pura.

— Uma mana completamente pura… — Ayla desviou ou olhar e apoiou a mão no queixo pensativa. — Isso é mesmo possível?

— A gente vai descobrir, fofinha — Jane ergueu-se. — Preciso de um banho e uma boa noite de sono. A propósito, parabéns.

Ayla ergueu uma das sobrancelhas.

— Pelo quê?

— Pela criança em seu ventre.

Ouvir aquilo a deixou congelada.

Ela não sentia os sintomas de uma mulher grávida, e ela havia dormido com Colin somente uma vez, apesar de que quando fizeram, ambos chegaram ao ápice várias vezes.

Por um momento, ela não soube o que dizer. Na época, ela estava em período fértil, mas com a cabeça tão ocupada, ela nunca parou para pensar nas consequências daquela noite.

— Como você…

— Fofinha, sou uma súcubos, sinto o cheiro de mulher prenha de longe — ela caminhou até a porta. — Vocês costumam ter um cheiro mais doce que mulheres comuns, mesmo em estágios iniciais. Seus sintomas devem começar a aparecer em uma semana.

Jane se retirou do quarto e Valagorn saiu em seguida, fechando a porta. Ayla permaneceu boquiaberta. Sentou-se na cadeira para digerir o que havia acabado de ouvir.

Colocou suas mechas de cabelo para trás da orelha e suspirou enquanto olhava para o nada. Aos poucos, sua ficha caiu e seus olhos encheram d’água enquanto um sorriso desabrochava em seu rosto.

Ter um filho era importante para o império que queria construir. Esse seria o primeiro de uma linhagem poderosa que ela pretendia formar. Tentou imaginar a reação de Colin, mas não conseguiu. Ela não sabia como ele reagiria e isso a assustou.

Queria que ele ficasse tão feliz quanto ela.

Vários cenários começaram a ser montados em sua mente. Ela se viu com a barriga enorme, sendo cuidada por Colin e viu seu filho pequeno sendo criado por pais amorosos e uma família feliz, algo que ela não teve.

Respirando fundo, ela se acalmou.

Deixaria para imaginar tudo isso quando chegasse a hora. Guardou o diário de Heilee na gaveta e pegou outra caderneta. Pegou também uma pena e a molhou no tinteiro, escrevendo o nome de Yuno Yuki abaixo de outros nomes na caderneta. Haviam nomes riscados, apenas o nome de Yuki e mais dois estavam sem rasuras.

Ela fechou o caderno e o devolveu a gaveta.

— Mais alguma informação do Anoitecer Florido?

— Infelizmente não — respondeu o pandoriano onírico se escondendo na sombra de sua mestra. — Temos que ir para o Norte seguir a pista do bordel.

— Sim, eu sei. E sobre os Agoureiros, checou se a informação de Ethel é verídica?

— Sim, o líder deles está no território de Alexander. Está em uma cidade pequena na fronteira com Rontes do Sul, bem ao sudeste. A cidade é bem protegida, acredito que uma invasão até lá seria complicado.

Ayla abriu um sorriso de canto.

— Não falei em invasão.

— Senhora… vai mesmo mandar aqueles três assassinarem o líder dos Agoureiros? É uma missão suicida.

— Eles terão que provar seu valor se quiserem ser a minha guarda de elite. Falarei com os três e passarei para eles tudo que devem saber sobre a missão. O líder dos agoureiros é o cabeça por trás de vários grupos mercenários não só do centro-leste, mas do Norte e também sul. Se ele cair, tanto Alexander quanto os desgraçados que dependem dele ficarão desorientados.

— Entendo.

— Bom, preciso treinar um pouco, esticar as pernas. Amanhã à noite partiremos para o norte, quanto mais antes solucionarmos o caso com o Anoitecer Florido, mais à frente de Alexander ficamos.

— Como quiser, senhora.

Olá, eu sou o Stuart Graciano!

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