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— Por que você continua falando bobagens?

Tentei ser o mais gentil possível, mas esse cara sempre respondia com sarcasmo.

“Sempre tão mal-humorado. Por que ele está tão irritado?”

Deixando de lado o descontentamento, percebi algo mais.

“Agora que penso nisso, ele foi expulso ontem e provavelmente pulou o jantar. Ele deve estar morrendo de fome.”

Senti um pouco de pena dele. Isso também explicaria seu comportamento.

“Estar com fome e sem ter para onde ir… isso faria qualquer um ficar mais sensível do que o normal.”

Com um pouco de compaixão, falei baixinho para ele:

— Vamos comer juntos o lanche mais tarde.

Ele me olhou com uma expressão dura.

— O quê?

Ao ouvir o som de um golpe, fechei a porta do armário antes de responder.

— Nosso chef é bastante habilidoso, você pode esperar por isso.


“Você quer comer juntos?”

Max se sentou obedientemente no armário, com uma expressão estranha enquanto refletia sobre as palavras de Juvelian.

“Espera, por que tenho que fazer isso?”

Uma súbita sensação de dúvida surgiu, trazendo-o de volta à realidade. Ele sentiu uma onda de raiva.

“Deveria apenas derrubar essa porta e sair daqui?”

Então, sentiu a presença de alguém se aproximando. O som de passos uniformes indicava que era a empregada de antes. Francamente, ele estava tão chateado que simplesmente queria ignorar suas ordens, mas a imagem do rosto de Juvelian pedindo para comer juntos o deteve.

“Bem. Vou esperar um pouco mais.”

Pode não ter sido um grande problema para os outros, mas para Max, foi a primeira vez que ele decidiu ser paciente. Ele era alguém que nunca antes havia se contido.

— Minha Senhorita, trouxe os remédios e sua comida.

— Marilyn, espere. Você poderia vir aqui e me ajudar a aplicar o remédio nas minhas costas?

— Claro.

Ele pensou que logo poderia sair deste armário, mas parecia que a mulher estava o prendendo. Max cerrava os dentes, sua paciência estava se esgotando.

“Ela disse que só levaria um momento, então o que está fazendo agora?”

Ele cerrava os punhos, considerando seriamente derrubar a porta.

— Vamos comer juntos o lanche mais tarde.

Ele parou. Por mais estranho que parecesse, ainda se lembrava do sorriso dela, o que o impedia de seguir adiante com sua ideia.

“Por que estou…?”

Olhando para trás em suas ações, havia mais de uma ou duas coisas que ele não conseguia entender. O fato de nem mesmo ter pensado em sair até que a mulher trouxesse o assunto à tona. O fato de ter sentido uma estranha coceira no peito quando ela sugeriu que jantassem juntos. Acima de tudo, o fato de ter se encontrado incapaz de recusar a sugestão dela.

Max franziu o cenho, refletindo sobre seu comportamento, quando ouviu um grito vindo da mesma mulher que ocupava seus pensamentos.

— Aaack!

Naquele momento, toda a sua atenção se voltou para o que estava acontecendo do outro lado da porta.

“É um ataque? Ou houve um acidente?”

Múltiplos cenários diferentes surgiram em sua mente. Ele só podia sentir a presença de Juvelian e sua empregada, mas se houvesse um assassino, poderiam passar despercebidos se fossem habilidosos o suficiente.

“Ela tem muitas aberturas, até dorme com as janelas abertas.”

Do ponto de vista de Max, Juvelian estava tão desprotegida que não seria surpreendente se ela fosse atacada a qualquer momento.

“Isso não vai funcionar. Vou sair…”

Ele hesitou depois de estender involuntariamente a mão.

“Por que deveria me importar se ela está segura ou não?”

Ele franziu o cenho, incapaz de entender por que estava agindo fora do comum.

— Uughh.

Mas logo esse pensamento foi apagado no momento em que ouviu a mulher gemer de dor novamente.

“Bem, tem muitos usos. É isso aí.”

Racionalizando seu comportamento incompreensível, Max alcançou a maçaneta da porta quando ouviu a suave voz de Juvelian.

— Marilyn, um pouco mais abaixo.

— Aqui?

— Sim.

Ao ouvir a conversa entre as duas mulheres, Max finalmente percebeu o que estava acontecendo.

“O que diabos eu estou fazendo? Deixar-me levar por uma mulher como ela…”

Enquanto Max estava mergulhado em uma sensação de vergonha, a voz da empregada podia ser ouvida através da porta fina.

— Minha Senhorita, receio que eu deva ir buscar alguns analgésicos na farmácia afinal.

— Estou bem. Deve estar tudo bem agora que você me ajudou a aplicar o bálsamo.

Max bufou ao ouvir Juvelian soar tão indiferente.

“Você não está machucada de forma alguma, mas não é ruim atuando.”

No entanto, a resposta da empregada que se seguiu logo o fez franzir o cenho.

— Parece bastante doloroso. Há um leve hematoma no omoplata.

“Um hematoma? Que tipo de…”

Em um estado de incredulidade, ele ouviu a voz serena de Juvelian.

— Oh, pensei que estaria tudo bem já que há um tapete… não pensei que ficaria com um hematoma.

Foi apenas então que Max lembrou que a havia empurrado esta manhã.

“Merda.”

Era natural que as coisas fracas ficassem para trás, então Max normalmente nunca se importava se alguém estava ferido ou não, no entanto, quando percebeu que havia causado um ferimento a esta mulher, sentiu que seu estômago se contorcia.

— Me sinto melhor agora em comparação com antes. Obrigado por sua ajuda, Marilyn.

— De nada.

— Ah, poderia trazer o jantar para o meu quarto mais tarde também?

— Certamente. Por favor, descanse agora, minha Senhorita.

Embora sentisse que a presença da empregada estava desaparecendo, Max não conseguia sair do armário. Em vez disso, ele continuou observando intensamente a porta, ouvindo o som de passos cuidadosos se aproximando cada vez mais.

“Ela está vindo.”

Como esperado, a porta logo se abriu, revelando uma beleza fascinante.

— Você pode sair agora.

Pode ser porque era uma sala bem iluminada, mas havia um leve brilho ao redor da figura da mulher.

— Ah…

Max inconscientemente abriu a boca antes de fechá-la rapidamente. Ele tinha a intenção de perguntar se ela estava bem, mas descobriu que as palavras “você está bem?” estavam presas em sua garganta.

Então, Juvelian sorriu alegremente para ele.

— Como prometi antes, vamos comer!

Normalmente, Max teria recusado. Ele não era do tipo que ficava com fome facilmente, e também desconfiava da possibilidade de que a comida pudesse estar envenenada.

No entanto, estranhamente, sentiu uma fome intensa naquele momento.

— Venha logo.

Vendo Juvelian fazendo um gesto para segui-la, ele sentiu uma leve sensação de formigamento no peito.

“Certo. Isso é apenas porque estou com fome.”

Mais uma vez, tentou racionalizar seu comportamento anormal.

Seguindo-a até a mesa de chá, ele franzia os olhos ao notar a bandeja de sanduíches.

“Por que tinha que ser esse ingrediente…”

Era um ingrediente que sempre detestou. Deveria ter ficado irritado como de costume, mas quando olhou para Juvelian, percebeu que não conseguia.

— Aqui está.

Ele pegou o sanduíche que ela lhe entregou.

— Vamos lá, experimente. Nosso chef é realmente bom!

Sem outra opção, Max se obrigou a dar uma mordida. Pouco depois de provar o que esperava por dentro, seu rosto se contorceu.

“Isso realmente tem ‘isso’.”

Um sanduíche cheio de pepinos, de todas as coisas, era o pior café da manhã que poderia ter.

— Como está? É bom, não é?

Se ele fosse honesto, nem conseguia julgar o sabor porque o mastigava brutalmente, mas continuou comendo e se obrigou a engolir o sanduíche.

“O que estou fazendo?”

Com mais uma ação que não conseguia entender, uma expressão de confusão tomou conta de seu rosto.

Perdendo seu sorriso, Juvelian perguntou.

— Você não gosta?

Era mais do que uma simples aversão. Ele absolutamente odiava, no entanto, por alguma razão, encontrou-se incapaz de responder. Em vez disso, assentiu lentamente com a cabeça. Quando a viu sorrir, o canto de seus olhos se enrugou, sentiu novamente aquela estranha coceira em seu peito.

— Eu estava preocupada porque foi feito para satisfazer meu gosto, mas estou feliz que você tenha gostado.

Logo depois, ela viu Juvelian mordendo seu sanduíche e comendo com entusiasmo. Max olhou para baixo, olhando para o sanduíche de pepino em suas mãos.

“Isso é realmente tão delicioso?”

Max, inconscientemente, deu outra mordida no sanduíche. Ainda era um sabor que odiava. Era áspero, simples e até tinha um cheiro distintivo, no entanto, enquanto continuava comendo, talvez fosse porque havia começado a se acostumar, pensou que estava melhor do que inicialmente pensava que seria.


Agora que o lanche havia terminado, começava a sentir um pouco de sono, mas não podia adormecer na frente de um convidado.

“Bem, só porque não tiro uma soneca não significa que vou desmoronar.”

Portanto, decidiu ler um livro, na tentativa de se manter acordada, mas sentiu que seus olhos se fechavam lentamente por si mesmos, as pálpebras caindo continuamente.

“Ah, o que devo fazer? Estou tão cansada.”

Embora sua visão estivesse ficando embaçada, ela fez o possível para se concentrar e permanecer acordada.

— Ei, você.

A voz repentina a surpreendeu. Naquele momento, sentiu um bocejo prestes a escapar, refletindo seu estado de cansaço.

“Oh, não. Pelo menos devo tentar segurar isso agora.”

Sentiu-se realmente envergonhada quando bocejou na frente dele da última vez. Se isso acontecesse de novo, teria que se esconder em algum buraco de rato em algum lugar. Cobriu a boca com as mãos e conseguiu conter o bocejo, mas não pôde impedir as lágrimas de se formarem.

“Pelo menos não abri a boca desta vez.”

Quando piscou, sentiu uma pequena trilha enquanto uma lágrima corria por sua bochecha.

“Por que sempre acontece isso quando bocejo?”

Estava prestes a enxugar as lágrimas com a manga, mas parou quando percebeu que o aprendiz de seu pai apareceu subitamente diante dela.

“Hein? Quando ele chegou aqui?”

Enquanto o observava distraída, sentiu algo macio tocar o canto de seus olhos.

— Por que você está chorando?

Seus olhos se abriram com surpresa quando viu sua manga molhada secando suas lágrimas. Pensou que sentiria áspero, mas sua camisa na verdade era bastante suave. Era mais suave do que os lenços de alta qualidade feitos de algodão premium.

“Essa camisa deve ser feita de um material de alta qualidade… mas ele não foi demitido por falta de dinheiro?”

Por um momento, ela se perguntou se havia julgado mal sua identidade.

“Mas, novamente, você pode ter roupas bonitas mesmo sem ter uma casa.”

Afinal, havia pessoas que compravam roupas e produtos caros mesmo sem ter dinheiro. Pensou que talvez ele pudesse ser uma dessas pessoas.

Então, viu ele franzir a testa.

— Te perguntei por que está chorando.

— Ah… não é nada. Não se preocupe com isso.

— Me diga logo.

Para ser sincera, ela estava um pouco envergonhada. Não estava certa se deveria dizer que eram apenas lágrimas de bocejar. Seria um problema tão pequeno que valeria a pena explicar?

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