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No corredor, quase nenhum som constante se faz presente, apenas o silêncio que antecede o encontro derradeiro com o desconhecido. 

Evangeline, com um semblante que mistura determinação e apreensão, avança com passos calculados em direção à porta da sala. 

Thump-thump-thump…!

Seu coração bate forte e acelerado, e seus olhos fixos na entrada que se aproxima.

As mãos da jovem estão firmemente segurando as adagas, os cabos frios e sólidos contra suas palmas suadas. Elas irradiam uma luz azulada peculiar, um contraste vívido com as chamas carmesim que dançam ao seu redor. 

A intensidade das chamas não apenas acrescenta beleza às armas, mas também amplifica sua letalidade.

— Huh… — Enquanto se aproxima, sua respiração se torna audível, um sussurro tenso que ecoa no corredor deserto. Seus músculos se contraem, prontos para reagir ao menor sinal de ameaça que possa surgir do desconhecido. 

‘’Falta pouco… espero não chamar a atenção de ninguém la dentro…’’ Um turbilhão de emoções a envolve — medo, coragem, ansiedade. Seu corpo permanece em estado de alerta, seus sentidos aguçados e preparados para o iminente confronto.

— Ah…huh… — Sua respiração acompanha a furtividade, cada inspiração e expiração se tornando mais suave, como um franco-atirador que se concentra antes de realizar seu disparo mortal. 

A meio-elfa, imersa em sua concentração, permanece vigilante, pronta para responder a qualquer ameaça que possa emergir daquela sala envolta em mistério.

Finalmente, chegando o mais perto possível da entrada, a jovem se posiciona junto à parede ao lado da porta. 

Seus olhos estão fixos na luz tremulante que emana do interior. 

A tensão no ambiente é palpável, e ela sabe que está prestes a testemunhar algo perturbador novamente.

Com cautela, ela espreita para dentro da sala, impressionando-se rapidamente com o que vê.

— I-Isso é…

Diferentemente da primeira sala adentrada, esta específica se distingue, embora compartilhe características com o corredor que a conecta. Trata-se de uma antecâmara escura, onde o aroma de terra molhada e mofo permeia o ar, impregnando a sensação de um ambiente úmido e carcomido. 

As paredes, construídas de pedras gastas, estão cobertas de vinhas, musgo, alguns retidos por raízes, outros pendurados precariamente, tremulando sob a influência de uma brisa que parece flutuar pelo recinto.

O teto, apoiado por antigas colunas adornadas com ornamentos semelhantes aos encontrados no corredor, atrai a atenção da meio-elfa. 

Runas estranhas, como vestígios de uma cultura há muito extinta ou esquecida pela história, decoram essas colunas majestosas. 

— Esses desenhos de novo, o que são essas coisas…? Elas estavam presentes no corredor vindo até aqui, mas o que são? — Ela observa esses símbolos, curiosa e intrigada, tentando desvendar seus significados ocultos.

A sala em si é iluminada por uma única tocha, que crepita no centro como uma labareda imponente, lembrando as tochas enormes usadas em cerimônias olímpicas. 

A luz tremeluzente projeta sombras dançantes pelas paredes e pelo chão de pedra, criando a ilusão de que algo se move ou se agita no interior da sala.

Uma sensação peculiar a invade nesse momento, um pouco antes de se aproximar da entrada e notar o que há dentro. 

— Pensei que houvesse mais mortos-vivos aqui dentro como na última sala, mas parece que só foi algum tipo de ilusão feito por essa tocha central…. Hah….! — Evangeline havia suposto que podia ver silhuetas andando de um lado para o outro, mas não imaginava que as sombras projetadas por tais silhuetas não passavam de ilusões criadas pela tocha no centro da sala. 

Apesar da confirmação de que nada pode estar se movendo no interior da sala, algo no âmago dela impede que abaixe sua guarda.

— Bom… se não tem nada hostil perambulando aí dentro, é melhor eu continuar meu percurso… — Com habilidade, ela empurra a porta da sala, pesada por ser feita de pedras. 

Ao tocar a superfície da porta, os entalhes e runas reagem ao seu contato, emitindo um brilho azul característico. No entanto, Evangeline mal percebe tal acontecimento, focada em finalizar seu esforço ao abrir completamente a porta.

Scrrrrrrrrape…! À medida que a porta se desloca ao longo do seu percurso até alcançar a completa abertura, o som distintivo de pedras raspando umas contra as outras ecoa pelo silente recinto.

‘’Certo, vamos dá uma olhada no que há dentro desse lugar…’’ Cautelosa, com as mãos segurando firmemente os cabos de suas lâminas, Evangeline adentra lentamente no lugar, observando a sala agora com maior visibilidade. 

A sala em si é quadrada, com tetos altos e côncavos, construídos de uma pedra negra que parece brilhar sob a luz crepitante da tocha central. 

O chão, também feito do mesmo tipo de pedra, mostra sinais de desgaste, com rachaduras aqui e ali, testemunhas silenciosas de tempos imemoriáveis e eventos que a história não pode conceber.

Nesse momento, um sentimento estranho a invade ao observar a sala. 

— Espera, de novo esse tipo de lugar…? — Desde o momento em que adentrou na masmorra, deparou-se com um cenário que destoa das masmorras convencionais. 

Em seu mundo anterior, passando horas imersa em seu jogo favorito, Sephyra, Shirogane sempre encontrava masmorras com uma aparência única, portais enormes que conectavam a reinos mágicos e esquecidos, cenários exóticos que pareciam pertencer a outro mundo, repletos de desafios e monstros peculiares, cada um destinado a uma masmorra específica.

Entretanto, quando penetrou nesta masmorra, após a liberação do selo realizado por Teldra, Evangeline imaginou que encontraria algo semelhante. 

No entanto, esta masmorra não se assemelha em nada às masmorras que desbravou em seu jogo. Em vez disso, parece mais com uma tumba, um local destinado a um povo desconhecido e esquecido pela história deste mundo.

— Pensei que fosse só minha imaginação, de algo que poderia mudar quando eu chegasse na outra fase da masmorra. Porém, não mudou nenhum um pouco. A medida que eu adentro mais e mais, e passo para cada sala, percebo que essa masmorra difere das que vi no Sephyra… 

— Não posso dizer ao certo se é por causa de não ser um jogo, mas tem coisas que realmente me intrigam nesse lugar… — A confusão e perplexidade a envolvem enquanto ela contempla as paredes e os tetos esculpidos com ornamentos intrincados. Sentimentos de admiração e estranheza se misturam dentro dela.

Caminhando pelo local, Evangeline cruza pelas colunas que sustentam o teto e observa de perto as runas que adornam a construção. 

‘’E esses símbolos estranhos… o que eles significam?’’ Cada símbolo parece responder a ela, como se portassem uma magia única.

‘’Esse sentimento familiar… é similar ao que senti na sala da mestre Áurea…’’ Consciente dessa peculiar interação, Evangeline posiciona sua mão sobre a superfície da coluna, deslizando seus dedos sobre ela, sua pele percebendo cada saliência e entalhe que as runas criam na pedra. 

Assim como acontecera ao tocar a porta de pedra, os símbolos reagem ao seu contato, emitindo um brilho característico em tons de azul, chamando a atenção da meio-elfa.

Concentrando-se nessa energia mágica estranha, Evangeline percebe traços de mana não apenas na coluna, mas em toda a sala. 

‘’Como eu havia imaginado, é realmente similar a energia que comporta na sala da mestra Áurea. Para falar a real… essa em específico parece ser mais forte em alguns aspectos… como por aqui’’ Deslizando seu dedo ao longo da superfície da coluna, Evangeline para sua exploração no exato ponto onde um símbolo retangular com um traço horizontal no centro se destaca. 

O brilho emitido por esse objeto, ao contrário dos outros, parece carregar uma quantidade ainda maior de mana.

‘’Consigo sentir a mana pulsando nesse simbolo. Em todos os símbolos parecidos com esse carregam a mesma sensação. É como se um pequeno choque estivesse correndo sobre a superfície aérea dessa coisa.’’

Graças ao treinamento ministrado por sua mentora Áurea, o espírito de fogo de Ivan, e os exercícios de controle de mana espiritual, Evangeline adquiriu a capacidade de detectar e sentir essa energia em objetos e no ambiente.

— Parece que… está sugando parte da minha mana quando toco… então se eu colocar uma concentração maior… — Despachando uma diminuta porção de mana através de seus dedos, Evangeline os dirige em direção ao ponto crucial do símbolo destacado, alimentando sua curiosidade sobre as possíveis consequências desse ato.

”Agora… o que será qu…” 

Rrrrrrrr!

De repente, um ruído grotesco irrompe das profundezas da sala, perturbando o ambiente e fazendo com que a tocha central tremule com mais intensidade do que antes.

A atmosfera na antecâmara se torna progressivamente mais opressiva, criando um contraste assustador. 

— Merda! — Evangeline se afasta rapidamente da coluna, preparando-se com firmeza para enfrentar qualquer ameaça que possa surgir de forma súbita e traiçoeira.

— Algum monstro? Algo se aproximando…?! — Seus sentidos varrem o ambiente, examinando cada ponto cardeal, enquanto ela tenta identificar a fonte do som que ecoou em seus ouvidos. 

Contudo, apesar de sua busca diligente, ela não encontra nada que indique a presença de uma entidade visível, mas o som persiste no ambiente, um eco inquietante.

Simultaneamente, a coluna que ela tocou anteriormente começa a tremer violentamente. 

Tchaaack! 

Craaac!

Rachaduras se formam em sua superfície, sugerindo que algo está à beira de emergir da estrutura fundamental da sala. 

Tum! Tum! Tum!

O som de impactos e golpes ressoa na sala antes silenciosa, aumentando a tensão no ar. 

Na mente de Evangeline, uma terrível suspeita se forma: um monstro deve estar oculto na coluna que ela tocou, e seu contato parece ter despertado a criatura de alguma maneira.

Contudo, o horror da situação se intensifica quando, diferente do que ela imaginava, outras três colunas no ambiente começam a produzir sons distintos de rosnados e batidas altas. 

Grrrrrowl!

Bam! Bam! Boom!

Isso indica que não apenas um monstro, mas quatro deles estão lutando para se libertar de dentro das colunas, desencadeando um pesadelo que ameaça consumir a antecâmara com uma presença aterradora.

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Olá, eu sou o HOWL!

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