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Antes de Sérgio Romanov interromper a conversa, Thalassa estava prestes a detalhar o plano que havia elaborado para Harley. Infelizmente, a intromissão do filho do líder do clã a impediu de prosseguir. Mesmo assim, o jovem Ginsu sabia que não poderia mais depender apenas dos conselhos e estratégias da garota travessa. 

Ele estava determinado a se tornar um Kamikaze, mesmo sabendo das possibilidade mínima de sucesso ao enfrentar a neblina em um desafio mortal. 

Harley acreditava que, se pudesse superá-la, teria a oportunidade de explorar novos conhecimentos e mundos que se ocultavam do outro lado, em vez de desfrutar de uma vida já meia-morta em um clã cruel. Ele entendia que na vida nada era fácil e isento de riscos; quanto maior a busca, maiores seriam os desafios e perigos enfrentados. 

Ele estava ciente de que essa nova decisão o afastaria de sua querida biblioteca e da companhia de sua amiga, e já sentia antecipadamente a falta das brincadeiras e peças. No entanto, sabia que era hora de seguir em frente. 

Ele reconhecia a necessidade de avançar em direção aos seus desejos e aspirações, compreendendo que permanecer na biblioteca não acrescentaria mais conhecimento ou ensinamentos à sua jornada. 

Gradualmente, ele percebia a biblioteca como uma prisão da qual havia se deixado envolver, quase apegando-se a ela. No entanto, um pensamento surgia: “Como poderia ele embarcar em novas aventuras? Como poderia saborear o desconhecido e explorar sua vastidão?”

As duas prisões, seja em seu clã ou essa nova no clã Dragões de Sangue, tinham lhe alienado em relação ao tamanho do mundo, outros lugares e possíveis destinos. Harley não conhecia nada e nenhuma informação pode encontrar na biblioteca. Mapas pareciam ser informações e segurança máxima sendo guardadas e restritas.

Determinado a seguir em frente e alcançar seu objetivo, o jovem Ginsu chegou a uma conclusão crucial: o sofrimento e o tratamento humilhante que havia suportado eram uma variável constante, e ele poderia escolher entre continuar escondido ou explorar novas alternativas. 

Ele percebeu que esta última opção poderia oferecer melhores chances para sua fuga, se conseguisse superar os desafios que se apresentassem. 

Com essa nova mentalidade, Harley buscou a autorização do líder do Clã Dragões de Sangue para disputar a prova que selecionaria os candidatos à Kamikaze do clã. Ele percebeu que essa oportunidade representava uma chance única, até então restrita, de explorar novos lugares e ampliar sua compreensão do ambiente além dos limites da prisão que fora sua estadia dentro do clã Dragões de Sangue. 

Esta era uma oportunidade rara de se libertar, de desafiar suas próprias limitações e descobrir um mundo que ele apenas vislumbrava em seus sonhos mais ousados.

No entanto, entre as muitas obrigações e restrições que pesavam sobre ele, Harley confrontava a dura realidade de sua insignificância perante todos. 

Esta percepção era refletida em sua escassa compreensão do lugar que agora deveria chamar de lar. Era como se ele fosse uma sombra na periferia, ignorado e distante, sem conexão nem vontade de se integrar ao todo. A sensação de estar preso em uma cela maior, mas igualmente restritiva, apertava seu peito com a mesma força da primeira cela que o confinara.

O jovem Ginsu agora estava diante da entrada do local que levava a habitação do líder do clã Dragões de Sangue e ao solicitar um audiencia recebeu uma resposta desanimadora. 

— Não! — disse um discípulo faixa preta que servia como a primeira linha de defesa e intermediário para acesso ao grande líder do clã.

O homem tinha por volta dos 30 anos e carregava uma afiada lança em suas mãos. Ele exibia uma estatura avantajada, facilmente ultrapassando 1,90 metros de altura, o que o tornava imponente diante de qualquer interlocutor.

Também usava uma túnica longa e elegante, confeccionada em seda negra, adornada com intrincados padrões dourados que reluziam sob a luz. Seu cabelo, normalmente negro e brilhante, era mantido em um coque cuidadosamente arranjado e seus olhos, por outro lado, eram penetrantes e observadores, como se sempre estivessem avaliando os que se aproximavam em busca de audiência com o grande líder.

A negativa inicial pegou Harley de surpresa, deixando-o momentaneamente paralisado. Ele não esperava ser descartado tão rapidamente por um intermediário que parecia tão distante do líder.

Diante da recusa, uma onda de frustração e desânimo invadiu o jovem. No entanto, em vez de permitir que essas emoções negativas o dominassem, ele fechou os olhos e concentrou-se em controlar sua fera interna. 

Sentiu o calor pulsante de sua raiva e violência tentando emergir, mas, com uma determinação feroz, trancou esses sentimentos no fundo de sua alma. Cada respiração tornou-se um exercício de domínio próprio, uma batalha contra os impulsos selvagens que lutavam para se libertar. 

Harley sabia que ceder à violência só o afastaria de seus objetivos. Então, com a mandíbula cerrada e os punhos cerrados, ele jurou a si mesmo que não permitiria que sua fera interior o controlasse. 

No entanto, essa primeira rejeição não o deteria. Ele havia desenvolvido uma persistência inabalável ao longo dos anos de desafios e provações. Agora, mais do que nunca, o jovem Ginsu estava muito mais controlado do que antes, conseguindo dominar a fera dentro de si. 

Em meio a esse período de 8 ou 10 anos, ele perdera a noção clara do tempo que passara submetido ao clã Dragões de Sangue. Durante esse tempo, aprendeu novas formas de solucionar problemas e agora encarava esse desafio como mais um teste. Harley queria provar para si mesmo que poderia empregar estratégias e recursos além do uso característico da força e da violência.

Embora fosse um desafio árduo, ele tinha um objetivo claro: encontrar uma brecha ou uma oportunidade para conseguir a autorização necessária para participar da competição. No entanto, o guarda encarregado de barrar seu caminho parecia ter um talento especial para a dramaticidade.

Com uma firmeza desmotivadora, o guarda bloqueava Harley a cada tentativa, suas ações coreografadas como uma performance teatral. 

Ele erguia um dedo acusador, como se estivesse encenando uma peça, adicionando um toque de exagero que tornava a situação ainda mais frustrante. Cada gesto do guarda parecia carregado de uma pompa desnecessária, uma encenação destinada a sublinhar a inutilidade dos esforços do jovem.

Apesar disso, Harley não se deixava abater. Ele sabia que a persistência era sua melhor aliada e que, em algum momento, uma brecha se abriria. A cada encontro com o guarda, ele analisava cuidadosamente as reações e os padrões de comportamento do homem, procurando por qualquer sinal de fraqueza ou hesitação que pudesse explorar. 

O guarda, com seu dedo sempre em riste e a expressão teatral de desdém, não percebia que, a cada encontro, o jovem Ginsu estava aprendendo. Aprendendo a se controlar, a refinar sua abordagem, a buscar soluções além do mero confronto. Para Harley, essa era mais uma prova de sua evolução, de sua capacidade de adaptar-se e superar obstáculos de maneira mais sutil.

Ele estava determinado a provar que podia transcender o passado violento que o definira por tanto tempo. Essa nova abordagem não era apenas um meio para alcançar seu objetivo imediato, mas também uma afirmação de seu crescimento pessoal. Ele precisava mostrar, principalmente para si mesmo, que era capaz de usar mais do que apenas a força para vencer seus desafios.

E os dias foram passando e o jovem persistia em controlar a sua frustração, assim como em sua busca para obter uma audiência com o líder do Clã Dragões de Sangue, mas a primeira linha de defesa continuava a barrá-lo rotineiramente. Sua determinação, no entanto, só crescia a cada tentativa frustrada.

Mesmo após todos esses anos no Clã Dragões de Sangue, observando e aprendendo sobre a interação humana, era extremamente difícil para ele, conceber ou implementar estratégias diferentes do habitual e certeiro uso da força para alcançar seus objetivos. 

No entanto, determinado a conseguir a autorização, ele resolveu adotar uma abordagem mais sutil e estratégica. Harley começou uma campanha de atrito constante. Dia após dia, ele se aproximava do jovem discípulo encarregado de bloquear seu acesso ao líder do clã.

Ele utilizava cada interação como uma oportunidade para ganhar a confiança do discípulo, iniciando conversas casuais, oferecendo ajuda em tarefas cotidianas e mostrando interesse genuíno nas preocupações e aspirações do jovem. 

Cada gesto, cada palavra, era cuidadosamente calculado para minar a resistência do discípulo e criar uma abertura. Ele sabia que essa era uma tática que exigia paciência e controle, algo que ele havia aprendido a cultivar, mesmo que de maneira dolorosa, ao longo de sua vida no clã que o tinha aprisionado.

O esforço constante começava a mostrar resultados. O jovem discípulo, inicialmente desconfiado e resistente, começava a baixar a guarda, respondendo com menos hostilidade e mais abertura. Harley percebia as pequenas vitórias e as utilizava para reforçar sua posição, construindo lentamente uma relação de confiança. 

Cada passo nesse processo era uma prova de sua capacidade de controlar sua fera interna e utilizar a inteligência estratégica que vinha desenvolvendo.

A frustração que sentia ao não conseguir a audiência direta com o líder do clã ainda fervia sob a superfície, mas ele transformava essa frustração em determinação, mantendo sua fera interna trancafiada. A violência e o ódio, que antes eram suas respostas automáticas, agora eram ferramentas guardadas, prontas para serem usadas apenas em última instância. 

O jovem Ginsu estava descobrindo que a paciência e a estratégia poderiam ser tão eficazes quanto a força bruta, e que seu verdadeiro poder residia na capacidade de controlar seu próprio impulso destrutivo.

Apesar de todas as dificuldades e da tentação de pedir ajuda a Thalassa, Harley permanecia firme em sua decisão de conquistar essa vitória por seus próprios meios. 

Inesperadamente em um determinado dia, antes que ele tentasse uma nova abordagem, o discípulo antecipou-se dizendo:

— Aprescesse. Basta estar no centro da praça hoje para obter o direito de disputar uma vaga para Kamikaze.

Atordoado, o jovem Ginsu pareceu perder um pouco da compostura, pois nunca esperava que seria tão fácil obter um lugar na disputa para Kamikazes. Harley já tinha desistido de prever a quantidade de tempo que levaria para passar pelas inúmeras linhas de defesa intermediárias até chegar ao líder do clã.

— Mas… Por que não disse isso antes? — perguntou o jovem Ginsu, perplexo.

— E perder a diversão e a criatividade de cada tentativa frustrada, sem falar em suas expressões de desânimo na saída — respondeu o sorridente discípulo, que finalmente estava se expressando mais do que nunca.

Harley, por sua vez, com a expressão carregada, percebeu mais uma vez ter caído em uma armadilha ardilosa, lamentando o tempo desperdiçado em esforços vãos. As lembranças dos jogos de Thalassa e suas artimanhas assaltaram sua mente. 

Para o guarda e, talvez, até para sua amiga, esses encontros eram demonstrações da suposta superioridade, uma maneira de rebaixar Harley e mostrar sua fragilidade e facilidade de manipulação. 

No entanto, para o jovem, esses momentos representavam o ápice de uma forma peculiar de contato humano, algo que ele nunca experimentara antes. Talvez por isso fosse tão fácil enganá-lo. 

Em toda a sua vida até aquele momento, ninguém jamais cuidara dele, acalentara seu sono ou demonstrara compaixão por suas dores. Sua jornada no clã Dragões de Sangue era permeada por descaso, dor e tortura. 

A vida sempre tinha lhe sido dura e cobrado mais do que ele podia dar. Ser treinado para herdar um clã não era algo fácil e ninguém parecia saber o caminho. E por tentativa e erro, o caminho para o sucesso era traiçoeiro e obscuro, onde cada passo podia ser uma armadilha mortal, e apenas os mais fortes e astutos sobreviviam, enquanto outros se quebravam como galhos secos.

Com um gosto amargo de frustração, ele saiu correndo em direção ao centro da praça, tentando esquecer suas últimas ações sem sentido e tentando alegar-se por finalmente ter uma chance de provar seu valor e disputar uma vaga como Kamikaze. 

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Olá, eu sou o Val Ferri Sant. Ana!

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