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Harley estava cercado, sua respiração ofegante preenchendo o ar enquanto os últimos seis inimigos fechavam o círculo ao seu redor. Ele estava em seu estado mais primitivo, uma fera acuada, pronta para lutar até a morte.

As espadas dos adversários estavam alinhadas, prontas para desferir golpes fatais a qualquer momento. Harley sabia que não podia baixar a guarda nem por um segundo.

A tensão foi cortada por inúmeras adagas que foram arremessadas na direção de todos os participantes. Era como se o ambiente fosse preenchido por uma chuva horizontal de lâminas mortais.

O jovem viu a oportunidade naquele caos repentino. Enquanto as adagas encontravam seus alvos, causando mortes e ferimentos, ele aproveitou a confusão para agir. 

O ambiente ao redor de Harley parecia convergir com as lâminas, à medida que elas se chocavam com o chão, a vegetação e as pessoas. A cena era um frenesi de aço e sangue, e ele sabia que, mesmo em meio ao caos, sua luta pela sobrevivência estava longe de terminar.

Com um salto ágil seguido de um rolamento, ele se posicionou atrás de uma árvore localizada na direção oposta ao ponto de onde as adagas tinham partido inicialmente. No entanto, não escapou ileso desse ataque inesperado, sofrendo um ferimento doloroso em seu braço quando uma das adagas o atingiu.

— Bom! Vejo que não é um completo inútil. Você aguentou bem até agora — disse uma voz feminina.

Harley nunca esqueceria aquele timbre e tom arrogante por toda a sua vida. 

— Sai! Sai logo daí! — disse ela com uma voz que carregava a seriedade da situação. — Ainda não decidi te matar. Se fosse minha intenção, teria usado adagas envenenadas desde o início.

O jovem, consciente da inutilidade de se manter escondido atrás da árvore, e da impossibilidade de escapar diante da mobilidade da jovem, optou por sair e encará-la.

— Isabella! O que você quer agora? Acho que de nosso último encontro ficou claro a sua posição e de todo o seu clã sobre mim. 

Isabella soltou uma risada irônica. — Não gosto que as pessoas digam ou mandem no que tenho que fazer, mesmo que seja meu pai.

— Então não me diga que veio reatar o noivado? — Harley respondeu, levantando uma sobrancelha.

— Oh, que piada brilhante — Isabella ironizou, sua expressão cheia de desprezo. — Além de inútil, você se superestima. Como alguém como eu poderia ter interesse em alguém como você? Você quase foi morto por um grupo fraco como esse. Você atualmente não tem nem para onde ir. Continua o mesmo inútil, sem clã, sem força e sem possibilidades de escolher o seu destino. Como poderia me submeter a alguém tão inferior como você?

O jovem a encarou com um olhar determinado, mantendo sua adaga firmemente em mãos.

— Por sua ajuda agora a pouco, vou esquecer o que disse e vou te dar uma chance de viver — ele declarou com firmeza.

Isabella arqueou uma sobrancelha, surpresa com a audácia de Harley.

— Uma chance de viver? — ela repetiu, observando-o com desdém — Você não pode nem se mexer direito!

Harley sorriu de forma leve, apesar de sua condição física debilitada. A conversa com Isabella era intrigante, reabrindo antigas feridas e trazendo à tona memórias que ele preferiria esquecer.

—Talvez! Mas me diga, o que você realmente está fazendo aqui? — ele perguntou, buscando compreender o que realmente interessava dela.

Isabella respirou fundo, antes de responder, revelando uma confusão de sentimentos em seu olhar.

— Você tem razão em se espantar com minha presença para alguém tão irrelevante como você, mas em honra aos nossos ancestrais e principalmente em consideração a todo esse tempo que ilusoriamente acreditávamos que o destino era certo e que éramos predestinados, vim lhe dar uma chance de viver.

O jovem inclinou a cabeça, absorvendo suas palavras e a complexidade da situação.

— Em todo esse tempo, só nos encontramos três vezes em visitas oficiais que minha família fez ao seu clã. Nem meu pai entende como pode existir um destino definido apenas por uma ordem ancestral que determinou a nossa união no nascimento.

Isabella, com um olhar pensativo e uma voz profunda, continuou:

— No início, éramos clãs iguais, com forças semelhantes, mas ao longo do tempo, seu clã declinou enquanto o meu prosperou — sua insatisfação era evidente. — Os sinais, cálculos ou mesmo o destino estão errados. Hoje, nem mesmo o seu clã existe. Como isso pode ser aceitável?

— Enquanto eu existir, mesmo que sozinho neste mundo, ainda existirá o Clã da Adaga Arcana — respondeu Harley com determinação.

Isabella suspirou profundamente e entregou uma pequena caixa ao jovem.

— Pegue isso, irá te ajudar na recuperação. O Clã Lâmina Oculta é um bom destino para você. E não volte mais. Sua existência é um mal que pode ser usado por nossos inimigos para nos enfraquecer ou questionar nossa honra — Isabella aconselhou Harley enquanto entregava uma pequena caixa para ele.

— Entendo o que você está dizendo. E agradeço a ajuda. Sei que nossos clãs estão em lados opostos agora. E na próxima vez que nos encontramos, tanto você como seu clã vão se arrepender por ter me subestimado. 

Isabella assentiu com a cabeça, seus olhos revelando uma mistura de sentimentos. Ela então se afastou lentamente, pronta para voltar ao seu próprio clã, deixando ele decidir o seu destino incerto na floresta.

Harley reconheceu que a sugestão de Isabella representava a opção mais segura para ele, especialmente agora que não possuía mais um clã e o Clã Dragão de Sangue estava tão hostil. 

Com a adaga em mãos, ele deu os primeiros passos em direção ao Clã Lâmina Oculta, consciente de que essa jornada simbolizava uma nova chance de vida, contanto que ele conseguisse desvendar todo o potencial de seu poder. A adaga era mais do que uma simples arma; era uma promessa de descobertas profundas.

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Olá, eu sou o Val Ferri Sant. Ana!

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