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— Vamos, vou conduzi-lo pessoalmente! — Pavel Vaselinna disse com convicção.

Harley seguiu de perto o denominado rei, que liderava o caminho com seus quatro ministros-estátuas, pelos corredores luxuosos que mais pareciam um labirinto. Antes de adentrarem na sala, uma sensação invadiu o jovem, fazendo-o acreditar que uma suntuosa festa já estava em pleno andamento. O som da música e o murmúrio de muitas pessoas contribuíam para essa impressão.

— Será que esta é a minha festa de comemoração por aceitar proteger a sua filha? — Harley perguntou, surpreso com a possibilidade.

No entanto, Pavel, com uma expressão séria, explicou:

— Na verdade, esta é uma festa que já deve estar chegando ao fim. Começou ontem para celebrar o término do planejamento financeiro de contenção de gastos do clã. Trata-se de uma tradição antiga que realça nosso compromisso inabalável com a contenção de gastos e a aplicação inteligente do dinheiro do contribuinte cidadão.

— Contenção de gastos? — Harley arqueou uma sobrancelha, intrigado — Parece uma razão incomum para uma festa.

— Bem, você sabe como é a política. Estamos sempre empenhados em fazer o melhor para o povo.

Antes que o rei pudesse continuar, a estátua da verdade, que estava próxima, interveio com sua voz grave: 

— Errado! Eles estão empolgados porque sabem que é mais uma oportunidade de fazer resoluções que nunca serão cumpridas.

Harley olhou surpreso para a estátua da verdade e depois para o velho de oito dedos, que encolheu os ombros com um sorriso. 

Pavel Vaselinna continuou conduzindo o jovem Ginsu até chegarem a uma porta imponente, ricamente decorada com detalhes dourados. Os murmúrios da festa continuavam a ecoar ao longe, mas o clima naquele corredor estava calmo e sereno. Pavel bateu à porta e, sem esperar por uma resposta, entrou.

Harley seguiu-o e ficou surpreso ao ver uma sala ampla e igualmente luxuosa. O aposento estava decorado com obras de arte e móveis sofisticados. Uma jovem mulher estava sentada em uma poltrona estofada, examinando casualmente um livro.

A filha de Pavel, a herdeira do Clã Lâmina Oculta, olhou para cima e sorriu quando os dois entraram. Ela era uma mulher de beleza insondável que só poderia ser fruto de uma imaginação fértil, alimentada pelas afirmações fervorosas do rei. Seus cabelos ruivos brilhavam, enquanto seus olhos penetrantes exalavam confiança, como se estivessem convencendo a todos de sua grandiosidade.

Ela tinha uma presença impressionante que não podia ser ignorada. Apesar de aparentar estar um pouco acima do peso, suas roupas habilmente projetadas faziam um excelente trabalho em despistar essa característica. Além disso, ela usava um lenço que cobria todo o seu rosto, deixando apenas seus penetrantes olhos à mostra.

— Pai, você está de volta — ela disse, seus olhos fixos em Harley — Espero que não tenha tido problemas em persuadi-lo a aceitar minha oferta.

— Minha filha — Pavel se aproximou dela e beijou-lhe a testa — este é Harley, o jovem que aceitou a nobre missão de ser seu guarda-costas. Harley, esta é minha preciosa filha, Anastasia.

Anastasia olhou para o jovem de cima a baixo, seus olhos percorrendo seu corpo como se estivesse o avaliando minuciosamente.

— Guarda-costas, é? — ela perguntou, com um sorriso divertido. — Você não disse que estaria avaliando meu futuro marido?

A sinceridade da princesa pegou tanto Harley quanto as estátuas de surpresa, e até mesmo Pavel tossiu um pouco desconfortável antes de responder.

— Anastasia, nunca conversamos sobre isso.

A estátua da verdade não pôde deixar de intervir mais uma vez:

— Errado. Depois do centésimo declínio em aceitar ser marido da princesa, você pensou em um plano em que seria impossível alguém rejeitar sua filha novamente.

O rosto de Harley corou instantaneamente, e ele ficou sem palavras. Não esperava que a estátua da verdade fosse tão perspicaz. Anastasia, por outro lado, apenas riu da situação.

— Oh, papai, você não precisa ficar constrangido. Eu só quis fazer uma brincadeira. — Ela piscou para o jovem, deixando-o mais relaxado.

Pavel suspirou aliviado por sua filha ter quebrado o gelo. Ele não queria que a situação ficasse desconfortável naquele momento.

— Mas antes de irmos para o cinema, permita-me perguntar algo. Em um lugar tão seguro e onde todos são respeitosos, por que diabos eu preciso andar com cinco guarda-costas? 

Os outros quatro guarda-costas, que até então permaneciam em silêncio, se aproximaram. Eles eram homens mais velhos, de aparência austera, e se alinharam ao lado do novo guarda-costa. O contraste entre eles e o jovem faixa-preta era notável.

Harley percebeu que a garota estava esperando uma resposta e falou com uma expressão confiante: 

— Princesa, a segurança é uma prioridade em qualquer circunstância. Seu pai está preocupado com sua proteção, e eu estou aqui para garantir que você permaneça segura em todos os momentos.

Anastasia Vaselinna arqueou uma sobrancelha, como se estivesse avaliando a resposta. Então, ela sorriu e balançou a cabeça. 

— Você é bem articulado, Charley.

— Filha, é Harley!

— Que seja. Mas vamos pôr as cartas na mesa. Eu detesto ter guarda-costas. Eles são sempre tão sérios e chatos. — Ela olhou para os outros quatro homens ao redor — Nada pessoal, cavalheiros. Mas, por favor, não me estraguem a diversão.

Os guarda-costas mais velhos pareciam não se importar com a observação de Anastasia. Eles estavam acostumados a lidar com suas idiossincrasias.

Harley, por outro lado, não tinha tanta experiência em lidar com uma princesa, muito menos uma como Anastasia. Ele não estava acostumado a receber ordens de uma jovem da sua idade. No entanto, ele sabia que estava ali para cumprir uma missão e que precisava se adaptar à situação.

— Princesa, você tem a minha palavra de que vou fazer o meu melhor para garantir a sua segurança e não interferir na sua diversão — disse ele com sinceridade.

A garota pareceu satisfeita com a resposta. Ela se levantou e fechou o livro que estava lendo, jogando-o casualmente em uma mesa próxima.

— Ótimo. Vamos sair daqui. Vamos ao cinema. Estou entediada de ficar trancada aqui o tempo todo. — Ela se aproximou do jovem e sorriu, mostrando que ele deveria segui-la.

O rei assentiu com aprovação. — Filha, ele está aqui para garantir a sua segurança. Por favor, seja gentil.

Anastasia fez um gesto despreocupado. — Claro, pai. Vamos logo antes que eu mude de ideia.

Harley se encontrou em um cenário que desafiava sua compreensão. O que diabos era cinema? Essa palavra ecoou em sua mente, trazendo apenas confusão. Ele olhou para a princesa, tentando esconder sua ignorância.

— Cinema? — ele perguntou, com a voz um tanto incerta.

Anastasia riu suavemente de sua confusão. — Você não sabe o que é cinema, não é? Bem, vou te explicar. É uma atração com bonecos que representam histórias reais. Imagine algo parecido com teatro de bonecos, mas em uma tela grande. As pessoas vêm aqui para se divertir e ver esses bonecos interpretarem suas histórias.

O jovem balançou a cabeça, começando a entender. A ideia de bonecos representando histórias reais em uma tela grande o intrigou, mas ele ainda estava curioso sobre por que isso era tão popular.

— E por que as pessoas gostam disto? — ele perguntou.

A garota deu de ombros, seus olhos brilhando com um toque de nostalgia. — Meu avô costumava dizer que o cinema era a única criação aceitável de meu pai.

Pavel, que ainda estava no local, sentiu a necessidade de corrigir essa afirmação. — Isso não é verdade, filha. Seu avô confiava muito em mim.

A estátua da verdade, porém, não pôde deixar essa correção passar em branco. — Errado! — respondeu a estátua da verdade com firmeza. — Ele nunca confiou em você, tanto que nos colocou ao seu lado como condição para que pudesse assumir o clã.

Harley, intrigado, olhou para a estátua da verdade em busca de mais informações sobre essa história complexa.

— Mas por que esse cinema é considerado tão importante? — perguntou o jovem, mantendo o olhar na estátua da verdade.

Outra estátua, que era também conhecido como Ministro da Força, tomou a palavra no lugar da estátua da verdade:

— O cinema é valorizado porque pode entreter a população, desviar sua atenção de assuntos críticos ou servir como uma ferramenta de propaganda e desinformação. É uma das formas de manter o povo satisfeito, distraído e alheio a questões mais profundas. Meu avô percebeu o potencial dessa criação para moldar a opinião pública e usá-la em benefício do clã.

Antes que a estátua da verdade ou qualquer outra pessoa pudesse interromper novamente, a princesa soltou um suspiro exasperado e disse: 

— Chega desse assunto chato que não é nada divertido. Está acabando com nosso encontro. Vamos ao cinema e aproveitemos o momento.

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Olá, eu sou o Val Ferri Sant. Ana!

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