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Harley, segurando a nova adaga branca, não conseguiu conter sua curiosidade e indagou para Cedir Marcatto:

— Você tem conhecimento sobre os poderes desse arte… quer dizer, desse “Sopro de Dragão”?

— Ah, você? Parece que a deferência que você deve a mim, seja por antiguidade, experiência ou por conta da aposta, está escorrendo por entre os seus dedos.

Harley não gostava de ser corrigido, contudo internamente, mesmo discordando da autodenominação do velho mago, uma derrota em uma aposta devia ser cumprida.

Sem esperar por desculpas, uma nova formulação da pergunta, ou mesmo pela doce denominação de Ser Supremo, Cedir encarou a adaga como se a estivesse vendo pela primeira vez e respondeu com sinceridade:

— Sabe, meu discípulo, eu realmente não faço a mínima ideia. Essa adaga nunca reagiu a mim de forma alguma. Talvez seja um item defeituoso ou, quem sabe, ela apenas não possui utilidade alguma.

A surpresa nos olhos de Harley era evidente. Como um artefato destinado ao “predestinado”, como Cedir o chamara, poderia ser inútil? Era um mistério que, por enquanto, permanecia sem solução.

— Agora, você pode jogar fora aquela sua inútil adaga negra. Pelo material, pelo menos um corte essa sua arma nova pode fazer em um dragão — disse o mago rindo.

Harley, intrigado, examinou a adaga mais de perto. Suas lâminas brancas brilhavam com uma luz sutil e misteriosa, mas nenhum sinal de poder mágico era visível. Era como se o artefato estivesse adormecido, aguardando algo ou alguém para despertá-lo. O jovem sentiu uma mistura de fascínio e incerteza diante do potencial inexplorado da adaga branca.

— Parece que temos um mistério em nossas mãos. Talvez você seja a chave para desvendar o poder deste “Sopro de Dragão” — Cedir Marcatto sugeriu, mantendo seu olhar perspicaz na adaga enquanto continuavam a explorar o estranho novo ambiente.

O jovem segurando a adaga branca, concentrou-se intensamente no objeto reluzente diante dele. Era como se uma força invisível o puxasse para dentro do artefato. A sensação, diferente de suas experiências anteriores com a adaga negra, era incrivelmente fluida e surpreendentemente fácil.

Enquanto Harley se entregava a essa conexão direta, uma torrente de conhecimento inundou sua mente. Era como se as próprias memórias do artefato brilhassem em sua consciência, revelando não apenas o uso básico da arma, mas uma arte de luta especializada. 

O jovem se viu envolto em uma dança de lâminas, executando movimentos precisos e graciosos com duas adagas. Cada golpe parecia coreografado pela própria essência da adaga branca, uma habilidade que estava intrinsecamente ligada ao poder contido naquelas lâminas misteriosas. 

Cada movimento fluía naturalmente, como se ele tivesse os registros precisos dos limites e potencialidades de cada movimento. Era uma revelação surpreendente que transcendia a mera habilidade física, mergulhando no domínio quase sobrenatural da arte de lutar com as adagas.

No entanto, Harley sabia que ter conhecimento não era o mesmo que ter habilidade. Ele compreendia os movimentos, as técnicas e as estratégias, mas a verdadeira maestria viria com a prática constante. Mesmo assim, a facilidade com que a adaga branca compartilhou esse conhecimento o deixou perplexo.

Enquanto se desligava dessa conexão, uma ideia intrigante pairava em sua mente. Ele tinha a impressão de que, ao dominar essa nova arte de luta, poderia desvendar mais segredos que a adaga branca guardava. Talvez, à medida que sua proficiência aumentasse, novas camadas de conhecimento e habilidade fossem reveladas.

Harley, agora empolgado com a perspectiva de explorar mais a fundo os mistérios dessa adaga, olhou para Cedir com um brilho nos olhos. O velho mago observava atentamente, curioso para saber se a conexão entre o jovem e o artefato resultaria em algo significativo.

— Parece que você desvendou parte do mistério, meu jovem. Como se sente? — indagou Cedir, sua expressão revelando tanto fascínio quanto expectativa.

— É incrível! Nunca experimentei algo assim antes. A adaga branca parece ter uma relação mais… cooperativa comigo. Eu entendi uma técnica de luta, mas sei que só com a prática conseguirei realmente dominá-la.

— Devolva! — disse Cedir Marcatto com um olhar intrigado. Percebendo que a cobiça tinha dominado seus atos, respirou fundo e acrescentou mais pausadamente: — quero dizer, deixe-me ver se só funciona com você.

Harley, notando a súbita mudança de tom na voz do velho homem, não viu razão para recusar seu pedido, uma vez que a adaga branca fora entregue por ele. Com certa curiosidade, ele cedeu a adaga ao mago, que fechou os olhos, realizou alguns gestos estranhos e até fez uma careta antes de desistir e devolver a adaga ao jovem.

— Nenhum poder? Apenas uma técnica de luta? — questionou o velho, recebendo confirmações positivas por parte do jovem — Realmente, um item inútil para mim — Cedir Marcatto assentiu, insatisfeito com o desdobramento.

O mago agora tinha certeza de que nunca conseguiria despertar o potencial da adaga branca, o que aumentava ainda mais o mistério em torno desse artefato específico. Parecia ser algo de uso específico com certas condições, algo que ele nunca tinha visto antes.

— Parece que apenas as pessoas do seu clã são os destinatários adequados para essa adaga, Harley. Talvez haja mais a ser revelado à medida que sua jornada avança. 

Cedir parou, coçou seu queixo e, como se estivesse contemplando uma grande questão, iniciou suas primeiras instruções para o jovem:

— Nem todo poder precisa ser exibido de maneira ostensiva. Alguns preferem ocultar sua verdadeira força nas sombras, enquanto outros escolhem manifestar seu poder de formas que escapam à percepção superficial. A verdadeira questão é como você compreende e utiliza o poder que flui por meio desses artefatos.

Harley, intrigado, contemplou as palavras do mago. Parecia que os artefatos iam além de simples objetos; eles eram extensões daqueles que os possuíam. A explicação de Cedir sobre os Sopros de Dragões revelou uma nova perspectiva, desvendando a complexidade e versatilidade desses itens mágicos.

Escolhendo manter seu segredo, Harley contemplou a peculiaridade de suas adagas. Ao contrário dos Sopros de Dragão do mago, o jovem também possuía uma adaga negra, uma sombra que parecia descender dos próprios dragões, mas de uma maneira distinta. 

Enquanto os artefatos do mago, e até possivelmente sua nova adaga branca, pareciam diminuir em tamanho e poder com o uso, a adaga negra de Harley mantinha uma aura constante de mistério, não revelando sinais de desgaste ou perda de vitalidade. Uma anomalia que, até então, escapava da lógica estabelecida pelos artefatos que Cedir mencionara.

O mago continuava a liderar a exploração, enquanto Harley, com sua nova adaga em mãos, mantinha-se alerta para qualquer sinal de perigo. Apesar da incerteza em relação ao artefato, a sensação de ter um instrumento adicional, uma possível fonte de poder, trazia uma confiança renovada.

Depois de um longo período de caminhada, o velho mago, percebendo o cansaço que envolvia ambos e utilizando sua vasta experiência, propôs uma pausa antes de prosseguirem com a exploração das profundezas do subsolo. Concordando com a sugestão, os dois optaram por acampar, aproveitando a relativa segurança do momento.

— Este é o local mais seguro — declarou Cedir com convicção — À medida que nos aprofundamos, não teremos oportunidades para descanso. Sugiro o seguinte: vou descansar primeiro enquanto você fica de guarda, e depois invertemos. O que acha?

O jovem concordou com um movimento de cabeça e, enquanto o velho mago preparava um local para descanso, Harley ficou de guarda, decidindo iniciar o treinamento nas novas técnicas. 

O jovem começou a praticar os movimentos recém-adquiridos, manejando as duas adagas com destreza. O subsolo silencioso tornou-se o palco improvisado para seus treinos.

Sob a luz fraca de uma fogueira improvisada, o jovem girava a adaga branca com fluidez, concentrando-se nos movimentos que a adaga tinha sussurrado em sua mente. O tempo passou e Harley realmente estava cansado e transpirando com a respiração pesada. Parece que o jovem tinha gastado todas as suas energias com intensidade procurando aperfeiçoar as novas técnicas com duas adagas. 

— Parece que descansei uma eternidade. Acabei dormindo muito — disse Cedir que se aproximou quebrando a concentração do jovem e interrompendo ao mesmo tempo seu treinamento. 

— Você devia ter me chamado. Você pensou que um Ser Supremo precisaria de tanto descanso para quê? Por sua culpa, não podemos mais ficar aqui; é perigoso. Precisamos seguir em frente.

Harley, mesmo habituado a anos de preparo e ensinamentos, nos quais a segurança e a guarda nunca podiam ser deixadas ao acaso, ainda assim esperava pelo menos sentar um pouco para estabilizar sua respiração. Contudo, insatisfeito e muito cansado, acabou seguindo em frente.

Os dois aprofundaram-se ainda mais sua exploração, descendo cada vez mais para o fundo do subsolo. O ambiente revelava-se cada vez mais peculiar, com formações minerais retorcidas e uma escuridão que parecia se estender até as profundezas do subsolo. O calor abrasador do deserto deu lugar a uma atmosfera mais fresca, porém não menos misteriosa.

Ao explorar, eles começaram a notar sinais de vida, pequenos animais inusitados que habitavam o subsolo e que pareciam adaptados a esse ambiente peculiar. Criaturas com características únicas, resultado da interação complexa entre os minérios, o calor e a vida que persistia naquelas profundezas.

Harley não conseguia deixar de se maravilhar com a diversidade e estranheza desse novo mundo. Ele se perguntava sobre as possibilidades que a adaga branca poderia oferecer e como ela se encaixava na intricada teia de poderes que Cedir parecia dominar com seus Sopros de Dragão.

À medida que avançavam, a escuridão tornou-se mais densa, impedindo a visão do céu acima. Cedir Marcatto, percebendo a preocupação de Harley, ativou outro artefato: um anel que emitia uma chama constante, iluminando o caminho diante deles. 

A luz revelou ainda mais formações minerais distorcidas, criando um cenário visualmente desconcertante, como se linhas retorcidas e cortes afiados estivessem esculpidos nas rochas. 

Contudo, à medida que a chama dançava nas sombras, centenas de olhos se escondiam nas brechas das formações, uma infinidade de criaturas observando-os na escuridão. A tensão no ar era palpável, e a sensação de estarem cercados interrompeu imediatamente o avanço dos dois. 

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Olá, eu sou o Val Ferri Sant. Ana!

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